Luta de Classes mira Previdência Social e conquistas trabalhistas

Luta de Classes mira Previdência Social e conquistas trabalhistas – O golpe de Estado, via conspiração parlamentar através da farsa de um processo e julgamento de impeachment que destituiu a presidenta eleita Dilma Rousseff da presidência da República, em 2016, visava não só a retirada do Partido dos Trabalhadores do governo federal, mas objetivava, fundamentalmente, implementar uma nova política, em que a classe burguesa venha a ganhar muito mais, e consequentemente, que a classe dos que precisam vender sua força de trabalho para sobreviver, venha a perder cada vez mais.

Era o que estava em jogo naquela conspiração parlamentar, que como sabemos, incluía todos os Poderes da República articulados para beneficiar os donos do capital. Era e continua sendo a sempre velha luta de classes.

Karl Max e Friedrich Engels escreveram no Manifesto do Partido Comunista que o que movimentava a história social era a luta de classes.

Luta de Classes mira Previdência Social e conquistas trabalhistas
Luta de Classes mira Previdência Social e conquistas trabalhistas

Luta de Classes mira Previdência Social e conquistas trabalhistas

E a luta de classes se refere a luta constante que opõem dois grupos sociais que têm objetivos completamente diferentes. Um grupo detém os meios de produção e o capital (dinheiro), o outro grupo precisa se sujeitar a trabalhar para os que se dizem donos das fábricas, dos grandes comércios, dos grandes bancos e assim por diante.

O grupo que detém os meios de produção almejam, cotidianamente, aumentar seus lucros. Enquanto que os que trabalham nessas empresas, almejam melhores condições de trabalho, melhores salários e mais dignidade.

Esse movimento da história nos aspectos políticos, econômicos, social e cultural entre os dois grupos é a luta de classes.

No Brasil sempre tivemos governos formados, de forma democrática ou não, por pessoas que vinham dos segmentos mais abastados da sociedade.

E quando não eram necessariamente desta classe social (classe burguesa), lá chegavam porque estavam alinhados ideologicamente com aqueles que detinham os meios de produção e o capital, e consequentemente, governavam para atender os interesses dos grandes empresários, dos latifundiários, dos banqueiros.

Até que em 2002 a maioria dos eleitores e eleitoras elegeram para presidir o país Luiz Inácio Lula da Silva, do PT.

No entanto, esses mesmos eleitores e eleitorais votaram e elegeram governadores, senadores e deputados federais em sua imensa maioria completamente contrários do pensamento e da prática do Partido dos Trabalhadores.

O que prejudicava em muito o governo. E por mais que o governo Lula e o governo Dilma também atende-se as pressões dos empresários (burgueses), eles nunca aceitaram o PT, o Lula e a Dilma na presidência da República, até que conseguiram as condições políticas e sociais para articularem e darem o golpe de Estado.

Sendo golpe de Estado uma ofensiva política com objetivos de se mudar uma política que está sendo implementada e implementar outra política com outros objetivos.

Assim chegou Michel Temer na presidência da República, através de um golpe de Estado via conspiração parlamentar, para implementar outra política, diferente da política que o Partido dos Trabalhadores, através da presidência de Lula e Dilma, estavam implementando.

Por isso o golpista Temer e seus comparsas no governo e no Congresso articularam e aprovaram uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC), de número 241, que no Senado ganhou o número 55, para estabelecer um teto de gastos do governo.

Mas esta PEC não estabeleceu um limite de gastos que o governo poderá ter com pagamento de juros aos credores nacionais e internacionais.

O que na prática significa que o governo não poderá desembolsar mais nas áreas mais prioritárias para atender a população, mas terá dinheiro para continuar enviando aos grandes banqueiros nacionais e internacionais.

Os ganhos e benefícios que a classe trabalhadora conquistou até hoje é fruto de muita luta através dos tempos, e assim como a PEC 241/55, a reforma da Previdência Social da forma como está estabelecida e da forma como o governo golpista de Michel Temer quer aprovar, apenas vai retirar e destruir conquistas e direitos para continuar beneficiando um grupo dentro da classe trabalhadora, como os militares e altos funcionários públicos, como por exemplo, procuradores e juízes.

A direita não aceita as conquistas e direitos que a classe trabalhadora obteve até aqui, em nosso país, então tenta destruir. É a velha e sempre luta de classes, que movimentou e movimenta a história social.

Infelizmente, a grande maioria dos que pertencem materialmente a classe trabalhadora, por não ter consciência de classe, pensa igual aqueles que detém os meios de produção e o capital.

E pensando igual aqueles que detém os meios de produção e o capital, esses indivíduos escutam os porta-vozes dos donos, dos empresários, e acabam fazendo tudo que eles, os burgueses querem.

Dessa forma, os indivíduos que pertencem materialmente a classe trabalhadora, mas não se enxergam, não pensam como membros de uma classe social, a classe trabalhadora, acabam sendo traidores da sua própria classe social.

Se tiver que ter uma reforma da Previdência Social e das leis trabalhistas ela precisa contemplar e aumentar os direitos e as conquistas até aqui conquistadas com muito suor e sangue, mas para isso, é preciso ter trabalhadores e trabalhadoras que se reconheçam como trabalhadores e que tenham consciência de classe, ou seja, que se enxerguem como indivíduos que pertencem a uma classe social: a classe trabalhadora.

...

Lamentavelmente, a maioria não se enxerga como trabalhador, como trabalhadora, e dessa forma, estabelece-se uma condição social para a aprovação destas reformas, assim como houve a aprovação da PEC 241/44, em 2016.

Claudio Ritser

Claudio Ritser, analista político e autor do livro “Política sem ilusão: das alianças nos governos Lula e Dilma à crise política e impeachment”.

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EDILOY A C FERRARO
Visitante

Texto enxuto, didático, lúcido e objetivo, muito bom !

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