
A combinação de inflação em patamar historicamente baixo e desemprego próximo das mínimas não tem sido suficiente para impulsionar a aprovação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A avaliação foi feita no programa Mapa de Risco, do InfoMoney, ao analisar os dados mais recentes de popularidade.
Apesar de o governo considerar que entrou em 2026 com um conjunto relevante de medidas positivas — como a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil e a defesa do fim da escala 6×1 —, os índices de “ótimo e bom” seguem estáveis, na faixa de 33% a 34%, a depender do instituto.
Para o analista político da XP, Paulo Gama, o cenário é preocupante do ponto de vista estratégico. O governo apostava que anúncios econômicos e benefícios começariam a surtir efeito já no início do ano.
“O cardápio que foi previsto está em curso, o governo entregou, conseguiu fazer a aprovação dessas matérias no Congresso, mas a popularidade não andou como o próprio governo esperava”, afirmou no programa.
Percepção pesa mais que dado
Na visão do analista político da XP, Victor Scalet, há um descompasso entre os indicadores macroeconômicos e a percepção do eleitor. “Se eu tivesse do lado do governo, eu estaria bastante preocupado”, disse.
Ele destacou que, em condições normais, inflação em torno de 3,5% e desemprego em níveis historicamente baixos tenderiam a garantir vantagem confortável para qualquer incumbente. “Em tempos passados, qualquer governo no mundo com inflação baixa e desemprego muito baixo deveria ter uma chance de reeleição gigantesca”, afirmou.
O que aparece nas pesquisas qualitativas e no monitoramento de redes, segundo Scalet, é outra leitura. “O que a gente captura é a percepção de que os empregos que existem pagam pouco e que o custo de vida aumentou muito desde a pandemia”, disse. Para ele, mesmo com a inflação desacelerada, o eleitor avalia o preço final no mercado, não a taxa de variação.
“Não importa se está certo ou errado. É com essa cabeça que o eleitor vai apertar o botão da urna”, afirmou.
Custo de vida e segurança
Além da percepção de perda de poder de compra, a segurança pública segue como variável relevante. O tema ganhou força no fim do ano passado, após episódios de violência de grande repercussão, e apareceu como principal preocupação em diversas pesquisas.
Ainda que o peso da criminalidade tenha recuado marginalmente nos últimos meses, segundo Scalet, o ambiente continua desfavorável para uma recuperação mais rápida da popularidade.
A leitura feita no programa é que, em um cenário de forte polarização, a economia perdeu parte do protagonismo exclusivo que já teve em outras eleições, mas segue sendo determinante. A diferença, agora, está na narrativa construída em torno dos dados.
O Mapa de Risco, novo programa de política do InfoMoney, vai ao ar todas as sextas-feiras, a partir das 5h da manhã, no YouTube e no seu tocador de podcast preferido.
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