
Em uma rápida reviravolta, países que haviam sido mais atingidos pelas tarifas impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, passaram a figurar entre os principais beneficiados após a decisão da Suprema Corte de invalidar suas taxas emergenciais.
China, Índia e Brasil estão entre os que agora enfrentam alíquotas menores para exportações aos EUA, depois que o tribunal considerou ilegal o uso da International Emergency Economic Powers Act para impor tarifas. Posteriormente, Trump anunciou planos para uma tarifa global de 15%. A Bloomberg Economics calcula que isso resultaria em uma alíquota efetiva média de cerca de 12%, a menor desde o anúncio das tarifas do “Dia da Libertação”, em abril.
Na Ásia, economistas do Morgan Stanley afirmam que a tarifa média ponderada cairá de 20% para 17%, enquanto a alíquota média sobre produtos chineses deve recuar de 32% para 24%. O alívio pode ser temporário, já que a administração Trump busca impor tarifas setoriais e específicas por economia para reconstruir seu regime tarifário.
Ainda assim, “o pico de incerteza sobre tarifas e tensões comerciais já ficou para trás”, escreveram economistas do Morgan Stanley liderados por Chetan Ahya em nota.
A nova tarifa geral redefine o cenário competitivo entre parceiros comerciais dos EUA. No caso da China, que também viu ser derrubada uma tarifa de 10% relacionada ao fentanil, as exportações passam a enfrentar alíquotas menos punitivas. Entre os perdedores estão economias como Reino Unido e Austrália, que haviam negociado tarifas menores, de 10%, no modelo anterior de reciprocidade.
O dólar e os contratos futuros do S&P 500 recuaram na segunda-feira, com a incerteza sobre a política comercial afetando o sentimento do mercado. Já as ações chinesas listadas em Hong Kong avançaram.
Autoridades americanas pressionam parceiros como União Europeia e Japão a manter compromissos firmados em negociações anteriores. Também buscam preservar a trégua de um ano com a China, com Trump planejando visitar Pequim para reunião com o presidente Xi Jinping. A China, em meio a um feriado prolongado, ainda não comentou oficialmente a decisão da Suprema Corte.
“Queremos garantir que a China esteja cumprindo sua parte do acordo”, disse o representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer, à Fox News. “Isso significa que eles continuem comprando os produtos que disseram que comprariam.”
Canadá e México também haviam sido alvo de tarifas relacionadas ao fentanil, agora derrubadas. Se as isenções previstas no acordo comercial entre Estados Unidos, México e Canadá (USMCA) forem mantidas, os dois países podem ficar em “posição muito favorável”, escreveram analistas da Bloomberg Economics, Nicole Gorton-Caratelli, Chris Kennedy e Maeva Cousin.
A nova tarifa de 15% deixa em situação pior países que anteriormente tinham alíquota de 10%, como Austrália e Reino Unido. Já economias que antes tinham uma taxa considerada competitiva de 15%, como o Japão, perderam essa vantagem.
Mesmo com a decisão judicial acrescentando nova camada de incerteza, analistas apontam a resiliência do comércio global no último ano e a mudança relativamente pequena na alíquota média geral para sugerir que os efeitos de curto prazo podem ser limitados.
Economistas do Goldman Sachs, incluindo David Mericle, estimam que a combinação da decisão da Suprema Corte com a nova tarifa da Seção 122 reduzirá o aumento da alíquota efetiva desde o início de 2025 de pouco mais de 10 pontos percentuais para 9 pontos percentuais.
“As importações de países que experimentarão reduções significativas de tarifas com as últimas mudanças de política devem aumentar nos próximos meses”, escreveram. “Mas o impacto sobre o PIB deve ser amplamente compensado pelo aumento na formação de estoques e no consumo, pela redução das importações de outros países por meio dos quais o comércio havia sido redirecionado e por pequenas reduções nas importações de países cuja tarifa aumentou.”
©️2026 Bloomberg L.P.
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