
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), criticou, nesta terça-feira (24), a declaração do CEO global do grupo Enel, Flavio Cattaneo, de que seria impossível evitar apagões na cidade de São Paulo.
Durante o evento “Enel Capital Markets Day 2026”, na segunda-feira passada, Cattaneo destacou que a rede elétrica da capital paulista é predominantemente aérea e passa por áreas de intensamente arborizadas, tornando impossível evitar apagões após temporais. Para o CEO, “apenas Jesus Cristo poderia resolver” o problema e impedir novas faltas de energia após tempestades.
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Em resposta a jornalistas, Tarcísio criticou duramente a fala do líder da Enel. “Eu quero lamentar a fala sobre Jesus Cristo porque é blasfêmia. A pior coisa que existe é a blasfêmia, a gente não pode usar o nome de Deus em vão”, criticou.
O governador destacou que a população convive com os apagões e que, se a empresa não tem condições de realizar os investimentos necessários na infraestrutura, deveria admitir publicamente.
Tarcísio foi além e afirmou que a Enel não tem condição de prestar o serviço de forma adequada. O governador defendeu uma cobrança mais incisiva dos órgãos do governo, como o Ministério de Minas e Energia e a Aneel, sobre o tema.
“Na boa, não vão resolver. Esses caras não vão dar conta. Eles não têm condição, não querem fazer, fracassaram onde estiveram. Não tem um estado que eles prestem serviço e seja bom”, concluiu.
Em nota, a Enel se posicionou após as falas do governo de São Paulo, afirmando que não procede a afirmação de que a Enel não tem capacidade de investimento e que também não é verdadeira a narrativa de que a companhia fracassou em todos os mercados onde atua. Sobre a fala do CEO, a companhia apontou que “a citação amplamente divulgada se referia à limitação humana diante da força dos ventos observada em eventos climáticos extremos”.
Confira a seguir a nota na íntegra:
O Grupo Enel esclarece que, em resposta às declarações do governador e do prefeito de São Paulo, é importante esclarecer alguns pontos fundamentais:
• Não procede a afirmação de que a Enel não tem capacidade de investimento. Pelo contrário, a companhia está realizando o maior ciclo de investimentos da história da concessão em São Paulo, com aportes robustos e contínuos voltados à modernização da rede e ao aumento da resiliência do sistema elétrico.
• Também não é verdadeira a narrativa de que a companhia fracassou em todos os mercados onde atua. A Enel opera distribuidoras em diversos países, muitas delas reconhecidas por indicadores de qualidade entre os melhores do setor em nível global.
• Sobre a fala do CEO Flávio Cattaneo durante o Capital Market Day, posteriormente detalhada em coletiva de imprensa, a companhia esclarece que a citação amplamente divulgada se referia à limitação humana diante da força dos ventos observada em eventos climáticos extremos. Por isso, a Enel apresentou um conjunto de soluções estruturais para São Paulo, como o avanço no enterramento de redes e o manejo adequado da vegetação urbana, de responsabilidade da Prefeitura.
• Por fim, cabe registrar que o atual debate, politizado e frequentemente instrumentalizado, não contribui para construção de uma solução definitiva e necessária para São Paulo.
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