
As tensões entre os Estados Unidos e o Irã seguem em escalada, em meio às tratativas de acordo que já ocorrem há quase um mês. Em discurso sobre o estado da União ao Congresso na noite de segunda, o presidente Donald Trump chegou a listar motivos para atacar o país do Oriente Médio, como os programas nucleares iranianos. Para o Bradesco BBI, mesmo com o clima hostil entre os países, a possibilidade de um conflito de grande escala é baixa.
Para os analistas – que fizeram considerações após conversa com Hagai M. Segal, assessor em geopolítica, contraterrorismo e Oriente Médio -, fatores dos dois lados do embate diminuem a chances reais de uma possível guerra. Do lado dos Estados Unidos, ainda que Trump pareça mais que disposto a atacar o país do Oriente Médio, o risco político interno de iniciar uma nova guerra é maior que o ideal. Às vésperas das eleições de meio de mandato, começar um conflito de larga escala contradiria com a promessa de sua campanha “América Primeiro” (ou America First, no texto original).
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Durante a campanha, o presidente selou o compromisso de evitar conflitos prolongados no Oriente Médio, como os ataques ao Iraque ou ao Afeganistão. Conforme o BBI, as pesquisas eleitoras de meio de mandato já não estão favoráveis ao Partido Republicano e iniciar um conflito como esse poderia aprofundar a crise política.
Do lado do Irã, o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araqchi, disse nesta terça-feira (24) que um acordo com os EUA está “ao alcance, mas somente se a diplomacia for priorizada”. Em simultâneo a isso, o país já ameaçou atacar bases norte-americanas na região, caso seja atacado. De acordo com o BBI, dada a capacidade defensiva limitada do Irã, o país teria capacidade de escalar um conflito regional mais amplo, afetando importantes aliados dos EUA.
“O Irã sinaliza que qualquer resposta se concentraria menos na paridade militar direta e mais na escalada assimétrica”, explicam os analistas. Essa estratégia priorizaria ataques às bases americanas, pressionando aliados regionais viapontos de estrangulamento marítimos, por exemplo. De acordo com o banco, mesmo interrupções pontuais de curto prazo, poderiam gerar aumentos significativos em pontos estratégicos para os EUA, como nos preços de petróleo e instabilidade no comércio global.
Para o BBI, o desafio das negociações diplomáticas parte do obstáculo de o Irã evitar impor restrições a mísseis balísticos. Por isso, uma escalada ainda maior de tensões pode ocasionar, mais provavelmente, em ataques limitados e direcionados, em vez de uma operação de mudança de regime ou uma guerra em grande escala.
De acordo com a Reuters, uma autoridade sênior dos EUA afirmou que as negociações estão marcadas para quinta-feira (26) em Genebra, com os enviados norte-americanos Steve Witkoff e Jared Kushner devendo se reunir com uma delegação iraniana.
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