
A executiva nacional do PSOL vai se reunir no próximo sábado para deliberar sobre a entrada ou não do partido na federação formada por PT, PV e PCdoB em meio a um racha interno entre suas correntes. De um lado, está o Revolução Solidária, do ministro Guilherme Boulos (Secretaria-Geral da Presidência), e da deputada Erika Hilton (SP), favorável à aliança, mas que tem alcance menor na legenda. Do outro estão as demais alas, como o Primavera Socialista e o Movimento Esquerda Socialista, que se opõem à federação.
Lideranças contrárias a Boulos dizem ter maioria para barrar a mudança de rumo no partido. Uma das principais vozes desse grupo é a do também deputado federal Glauber Braga (RJ). Pesa para a sua decisão de não apoiar a federação o fato de o PT apoiar a candidatura do prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), ao governo do estado — uma das vagas para a disputa ao Senado da chapa de Paes deve ficar com a deputada petista Benedita da Silva.
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— Uma federação com o PT dilui programaticamente o partido, porque você engessa e dificulta o exercício da independência política para tocar lutas que são fundamentais. Além disso, determina eleitoralmente o que o partido vai fazer e talvez até mais grave do que isso, o que não vai fazer — diz Glauber.
O convite para o ingresso do PSOL na coligação do PT foi feito pelo presidente petista, Edinho Silva. A estratégia tem como pano de fundo o desafio de atingir a cláusula de barreira nas eleições. No pleito, será preciso eleger ao menos 13 deputados distribuídos por um terço das unidades da federação ou alcançar 2,5% dos votos válidos.
Na quarta-feira, o grupo de Boulos lançou um manifesto em suas redes em que pede uma “esquerda unida”. “Unir a esquerda não significa apagar diferenças. Significa reconhecer que, diante das ameaças do autoritarismo e do ultraliberalismo, a tarefa histórica do nosso tempo é construir convergência para defender o povo brasileiro”, diz o texto.
Em meio à divulgação do manifesto do Revolução Solidária, 47 membros do grupo anunciaram a saída da ala, alegando insatisfação com a insistência de Boulos na federação.
“Nos últimos meses, ficou evidente uma mudança no rumo político da direção da Revolução Solidária e de Guilherme Boulos. Em vez de fortalecer a esquerda como projeto coletivo, passou a prevalecer a estratégia de aproximar Boulos de Luiz Inácio Lula da Silva visando 2030”, diz o comunicado.
Procurado para comentar as críticas, Boulos não respondeu. Já Erika Hilton disse que não poderia conceder entrevista devido a questões de saúde.
Enquanto a ala de Boulos perde nomes, os outros grupos do PSOL trabalham para manter a federação com a Rede e apoiar a campanha à reeleição do presidente Lula. A vereadora paulistana Keit Lima afirma que Boulos e Erika Hilton utilizam suas influências dentro e fora do PSOL para pressionar as demais alas, mesmo sabendo que têm minoria, cerca de 20% dos filiados.
— Eu acho que nesse momento tem, na verdade, uma estratégia de pressionar os outros grupos, não necessariamente um racha — diz a vereadora, que diz não acreditar em rusgas futuras caso a ala de Boulos saia mesmo derrotada. — Se fosse hoje, não haveria feridas, mas dependendo de como isso cada vez mais se aprofundar, pode ferir.
Cargo na Esplanada
No PSOL, há lideranças que consideram que Boulos deseja sair do partido. Segundo esses interlocutores, a relação de ambos os lados já foi melhor e piorou depois que ele assumiu o cargo na Esplanada, em meados do ano passado. Embora a Executiva do PSOL tenha aprovado a nomeação, grupos minoritários afirmaram na época que Boulos deveria ter aberto um debate interno. Procurada, a presidente do PSOL, Paula Coradi, não se pronunciou.
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