
A indústria de alimentos encerrou o ano de 2025 com faturamento de R$ 1,388 trilhão, um crescimento de 8,02% comparado ao ano anterior. A produção chegou a 288 milhões de toneladas de alimentos, o que coloca o setor com uma participação de 10,9% no Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil. Os dados são do balanço econômico anual divulgado nesta quinta-feira (5) pela Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia).
Para João Dornellas, presidente executivo da Abia, o setor mostrou resiliência ao segurar preços e garantir a segurança alimentar do país.
Faturamento
Dentro do faturamento do setor, o mercado interno passou, pela primeira vez, a marca de R$ 1 trilhão, somando R$ 1,02 trilhão. Segundo Dornellas, o crescimento foi impulsionado pela alta de 8,4% nas vendas do varejo alimentar, enquanto o consumo da categoria de food service (alimentação fora do lar) cresceu 10,1% no mesmo período.
O setor também despontou nas exportações, que somaram R$ 373 bilhões, ou US$ 66,73 bilhões. O volume representou 19,1% do total das exportações brasileiras em 2025.
Dornelas destacou que o Brasil se estabeleceu como o maior exportador em volume de produtos industrializados do ramo. A operação internacional gerou um superávit de US$ 57,5 bilhões para a balança comercial brasileira, ou 84% do saldo total do país.
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Investimentos
Segundo a Abia, o setor investiu R$ 41,3 bilhões em 2025, um aumento de 6,8% comparado ao ano anterior.
A inovação recebeu a maior parte desse montante, correspondendo a 65% do total, ou R$ 26,7 bilhões. Foram investidos ainda R$ 14,5 bilhões em fusões e aquisições. O fluxo de capital esteve diretamente ligado à abertura de 850 novas fábricas, uma média de duas inaugurações diárias. Segundo Dornellas, o parque industrial de alimentos utiliza cerca de 78,5% de sua capacidade total e há espaço para crescer mais.
Atualmente, o Brasil possui cerca de 42 mil empresas de alimentos em operação formal, das quais 93% são enquadradas como micro, pequenas e médias empresas.
Mercado de trabalho
O quadro do mercado de trabalho acompanhou a expansão do setor. O segmento manteve a posição de maior empregador da indústria de transformação ao fechar o balanço com 2,125 milhões de postos de trabalho diretos e 8,5 milhões de empregos indiretos.
A Abia afirma que foram geradas 51 mil novas vagas formais em 2025, o que correspondeu a 44,6% de todas as contratações do ano na indústria de transformação brasileira.
Os números também apontam que a massa salarial total paga pelas empresas do setor apresentou um crescimento de 9,94%.
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Sobre a proposta de reduzir a jornada de trabalho com o fim da escala 6×1, comum no setor, Dornellas alertou que, caso seja aprovado, o setor deverá passar por uma transição lenta. Segundo os cálculos apresentados, a mudança geraria imediatamente um custo excedente da ordem de R$ 23 bilhões por ano aos caixas das indústrias, valor que teria de ser embutido nos preços e transferido aos consumidores.
Contenção de preços
Apesar dos resultados expressivos, o balanço mostra que a rentabilidade foi testada ao longo de 2025. Os custos de produção e operacionais registraram um salto de 5,1%.
Segundo Dornellas, as principais pressões vieram do encarecimento das matérias-primas agrícolas, da elevação nos preços dos combustíveis e do salto nas faturas de energia elétrica, que subiram 5%. As embalagens registraram altas superiores a 10%.
Mesmo com esse cenário adverso, Dornellas destacou que o desempenho do setor impactou de forma positiva no índice de inflação oficial do país. A indústria optou por absorver grande parte do choque de preços para não repassar a alta de custos diretamente às gôndolas. Com isso, a variação dos alimentos industrializados no ano ficou em apenas 1,8%. Em comparação, a inflação nacional medida pelo IPCA fechou o ano em 4,26%.
O presidente da Abia avaliou que a estratégia de “segurar” os preços foi crucial para manter a demanda aquecida. No entretanto, existe um limite de absorção técnica por parte das companhias, o que afeta as margens do setor. Como contrapartida, as empresas precisaram recorrer a fortes investimentos em inovação, eficiência e produtividade.
Acordo Mercosul-UE
Durante a apresentação dos dados, João Dornellas também comentou sobre pautas que afetam as operações internacionais da indústria. Uma delas é o Acordo Mercosul-União Europeia,que é visto de forma positiva pelos industriais.
A perspectiva é de acesso facilitado a um bloco de países desenvolvidos que abriga cerca de 720 milhões de consumidores potenciais. A avaliação é de que o setor produtivo nacional já possui maturidade e encontra-se plenamente adaptado às severas legislações sanitárias globais exigidas.
Já a instabilidade no cenário global que se acirrou com os ataques dos EUA-Israel ao Irã, a preocupação do setor é sobre o impacto nas cadeias logísticas de longo curso e nos custos de frete internacional devido à volatilidade de energia e combustíveis. No entanto, até o momento, nada foi sentido no ritmo das exportações, afirmou Dornellas.
Mudanças de consumo
A indústria monitora, ainda, novas mudanças culturais e o impacto de tratamentos farmacológicos (como o uso das canetas emagrecedoras).
Embora esse movimento seja tido hoje como incipiente para o mercado nacional de nutrição, segundo Dornellas, as indústrias vêm desenhando estratégias pontuais e individuais.
As principais vias de adaptação são as vendas de produtos complementares com apelo nutricional focado e a redução das porções e tamanhos das embalagens, pauta que já acompanha o segmento há muitos anos, afirmou o presidente da entidade.
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