A Caoa Changan decidiu iniciar suas operações no mercado brasileiro com o lançamento do SUV cupê Uni-T no final deste mês. Só tem um detalhe: não é um carro híbrido, tem apenas motor a combustão. Mas isso é uma questão de tempo para a marca ter meios de concorrer com BYD e GWM.
A estratégia da Changan é diferente daquela assumida pelas suas conterrâneas no Brasil e o que explica isso, na verdade, é o motor do próprio Uni-T. A fabricante passou os últimos dois anos adaptando o carro r convertendo seu motor 1.5 turbo a gasolina de última geração em flex, para que também possa queimar etanol.
Entre as chinesas, a Changan será a primeira que começa a vender no Brasil já com um carro flex. E o plano é levar a tecnologia para os híbridos ainda em 2026.
Todos os carros híbridos plug-in e elétricos com autonomia estendida (EREV) da Changan na China usam uma variação do mesmo motor 1.5, ou aspirado ou com turbocompressor.

A fabricante diz que estuda o lançamento no Brasil de todos os carros que produz, inclusive das submarcas Deepal e Nevo. Contudo, o mais provável é que os primeiros híbridos serão aqueles que usam a versão 1.5 turbo.
Durante conversa com jornalistas brasileiros na China, o vice-presidente executivo da Changan, Peng Tao, disse que a decisão de lançar o Uni-T primeiro, com motor a combustão flex, foi tomada justamente para viabilizar o lançamento dos híbridos também com motores flex.

A lista de possibilidades é grande, mas é importante ter em mente que o SUV médio-grande CS75 Plus roda em testes no Brasil há mais de um ano e que ele é vendido na China tanto com o mesmo motor 1.5 turbo do Uni-T quanto em versão híbrida plug-in. com o suporte de um motor elétrico de 150 cv e bateria de 29 kWh.
No entanto, existe um carro de porte parecido, que como o Uni-T flerta com o design de cupê e que tem motorização híbrida plug-in: o Uni-Z, com 2,79 m de entre-eixos. Este usa um câmbio e-CVT com dois motores elétricos combinado ao motor 1.5 turbo e 214 cv combinados. A bateria de 18 kWh proporcionaria 120 km de autonomia elétrica.


Outra possibilidade seria o CS55 Plus, outro carro que é testado no Brasil e tem versão híbrida plug-in baseada no motor 1.5 aspirado de 100 cv, com o suporte de um motor elétrico de 214 cv. Sua bateria tem 18,4 kWh, aceita recarga a até 43 kW e sua autonomia fica ao redor dos 120 km nos padrões chineses.
Ainda existe o Nevo Q05, cuja segunda geração acaba de ser lançada. Este é um SUV compacto com 2,65 m de entre-eixos, sendo derivado do CS55 Plus. Se por um lado o Nevo Q05 é um projeto mais novo, por outro ele aparenta mais simplicidade, por conta do quadro de instrumentos de cristal líquido.

A Nevo tem carros elétricos e híbridos que assumem um posicionamento de entrada, enquanto a Deepal, que tem elétricos com e sem extensor de autonomia, representa o luxo intermediário, ficando abaixo dos Avatr.
Um bom exemplo é o Deepal S09, um enorme SUV com 5,20 m de comprimento e seis lugares que está sendo adaptado para ser lançado no Brasil ainda em 2026. Ele receberia o motor 1.5 turbo flex para funcionar apenas como um gerador de energia para impulsionar os dois motores elétricos, posicionados um em cada eixo, e que juntos entregam até 492 cv. Ainda tem uma bateria de 40 kW que poderia proporcionar uma autonomia elétrica próxima dos 200 km.
“Não é simples levar tecnologia PHEV ou EREV para o Brasil, e um motivo para isso é que nós respeitamos o mercado brasileiro e a demanda”, diz o vice-presidente. “Tendo esse motor flex como base nós, na verdade, podemos rapidamente trazer nossos outros produtos para o Brasil”, completou o executivo.
