
A pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se consolidou como principal nome do campo oposto ao do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa presidencial deste ano e já resulta em empate técnico em um eventual segundo turno, aponta nova pesquisa Datafolha divulgada neste sábado, 7 de março — a primeira desde que o filho mais velho de Jair Bolsonaro foi lançado como candidato.
Nos cenários testados pela pesquisa, veiculada pelo jornal Folha de São Paulo, Lula aparece com 46% das intenções de voto, enquanto o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro marca 43%.
O levantamento foi realizado entre terça e quinta-feira desta semana e ouviu 2.004 pessoas em 137 cidades. A margem de erro é de dois pontos percentuais.
Em simulações de primeiro turno, o avanço de Flávio também é perceptível. No cenário hoje considerado mais provável pelo instituto, o atual presidente tem 38% das intenções de voto, contra 32% do senador. Em seguida, aparecem o governador do Paraná, Ratinho Jr. (PSD), com 7%, e o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), com 4%. Renan Santos (Missão) marca 3%, e Aldo Rebelo (DC), 2%. Outros 11% dos entrevistados dizem rejeitar todos os candidatos, e 3% afirmam não saber em quem votar.
A consolidação de Flávio aparece também na intenção de voto espontânea, quando o instituto não apresenta uma lista de nomes ao entrevistado. O senador não havia sido citado na rodada anterior, em dezembro, e agora surge com 12%. Lula oscilou de 24% para 25% nesse formato, enquanto o ex-presidente Jair Bolsonaro, inelegível, é mencionado por 3% dos eleitores.
Segundo o Datafolha, foram testados cinco cenários de primeiro turno e sete de segundo turno. Lula segue à frente em todos, mas com vantagem em trajetória de queda. Nas simulações iniciais de primeiro turno, o petista registra 38% ou 39% de preferência, a depender da composição do quadro.
Em um cenário considerado pouco provável, em que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), aparece como candidato do partido, ele marca 21%, contra 33% de Flávio.
Do lado adversário, o desempenho do senador fluminense se estabiliza em um patamar competitivo com o presidente. Nas simulações em que enfrenta Lula no primeiro turno, Flávio varia de 32% a 34%. Já o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), ainda incluído em alguns cenários, recua para 21%, após ter sido, por meses, o favorito do centrão para liderar o campo à direita.
A entrada de Flávio Bolsonaro no pleito foi, inicialmente, recebida com ceticismo em Brasília, em parte pela preferência de líderes do centrão por Tarcísio. Os números atuais, porém, indicam que a pré-candidatura se firmou e passou a organizar o campo bolsonarista em torno do senador.
Na centro-direita, a estratégia do presidente do PSD, Gilberto Kassab, de lançar três nomes e, mais à frente, unificá-los em torno de um candidato único ainda não mostrou força suficiente para ameaçar a polarização. Ratinho Jr. é o melhor posicionado entre os postulantes do partido — capaz de angariar 7% dos votos contra 38% de Lula e 32% de Flávio em um potencial 1º turno — mas aparece distante dos líderes. Ainda assim, segundo o Datafolha, vai melhor que os governadores Ronaldo Caiado (União Brasil-GO) e Eduardo Leite (PSDB-RS), também testados em alguns cenários.
No segundo turno, a distância entre Lula e Flávio encolheu de 15 pontos, em dezembro, para 3 pontos agora, dentro da margem de erro. Em outro cenário de segundo turno, Lula também enfrenta Ratinho Jr. e vence por 45% a 41%, em quadro considerado estável pelo instituto.
O perfil do eleitorado dos dois líderes reproduz, em grande medida, a polarização acentuada observada desde 2018. No cenário mais provável, com Lula e Flávio no primeiro turno, o presidente mantém desempenho relativamente homogêneo entre os principais estratos socioeconômicos, com vantagens mais expressivas entre nordestinos, católicos, eleitores com menor escolaridade e com renda mais baixa. Entre aqueles que ganham até 2 salários mínimos, Lula chega a 42%, segmento cuja margem de erro é de três pontos percentuais.
Flávio, por sua vez, herda o mapa eleitoral do pai. O senador se destaca entre evangélicos, moradores do Sul e das regiões Norte e Centro-Oeste. Sua melhor marca, 48%, aparece justamente entre os 28% de eleitores evangélicos da amostra, grupo com margem de erro de quatro pontos percentuais.
Polarização ganha força
A polarização se reforça quando se observa o dado de rejeição. Lula, que caminha para completar quase três mandatos no comando do país, é o pré-candidato com maior taxa: 46% dos entrevistados afirmam que não votariam nele de jeito nenhum. Flávio aparece logo em seguida, rejeitado por 45% dos eleitores.
Ambos também são amplamente conhecidos pela população. Apenas 1% dos entrevistados dizem nunca ter ouvido falar de Lula, e 7% afirmam desconhecer o senador — um quadro que contrasta com o de Ratinho Jr., que combina baixa rejeição, de 19%, com alto índice de desconhecimento: 38% dos eleitores ainda não sabem quem ele é.
O ambiente político em que esses números surgem é descrito por dirigentes e analistas como desfavorável ao governo. O escândalo envolvendo o Banco Master, embora até aqui não tenha atingido diretamente o núcleo do Planalto, alimenta a percepção de corrupção associada à administração petista, o que tende a ser capitalizado pelo campo bolsonarista.
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