Lucas Goulart, Lavras (MG)
O rodízio é uma tentativa de uniformizar o desgaste dos pneus, para possibilitar que eles durem mais, conservando suas propriedades, que garantem a segurança (frenagem e dirigibilidade) e o conforto (maciez e ruído) do carro. O rodízio deve seguir o esquema e a quilometragem recomendados pelo fabricante do veículo, conforme consta no Manual do Proprietário.
Nem todos os fabricantes recomendam que se faça rodízio. Um desses casos, inclui modelos que usam pneus de medidas diferentes, entre os eixos, por exemplo. Há também quem questione o fato de os pneus trocarem de lugar depois de já apresentarem desgaste característico da posição que ocupam no carro.
O consumo da borracha varia de acordo com o sistema de tração (dianteiro ou traseiro), a distribuição de peso do veículo e até o lado em que o pneu foi instalado no carro (nas curvas, os pneus do lado externo percorrem uma distância maior, sendo que, no eixo de tração, esse dado é ainda mais relevante – é certo que a direção das curvas se alternam durante a rodagem, mas a tendência é de que o número de manobras predomine para o lado da mão de direção do trânsito).
O rodízio também só faz sentido considerando que os pneus são regularmente calibrados, rodas são alinhadas e balanceadas e sistemas como freios, direção e suspensão são mantidos em bom estado de funcionamento.

O sentido de giro também alimenta lendas desde a época das antigas construções diagonais. Hoje, a estrutura radial suporta esforços nos dois sentidos gerados pelas acelerações e frenagens. A restrição de lado ocorre apenas em bandas assimétricas, desenhadas especificamente para otimizar a drenagem de água.
Não existe um rodízio que vale para todos os carros
Na dúvida, o manual do proprietário deve dar a palavra final e, inclusive, ser consultado antes do serviço: para garantir que o serviço será feito corretamente, use canetas marcadoras para identificar as rodas.
No nosso teste de Longa Duração, fazemos rodízio a cada 10.000 km ou 12.000 km, mesmo quando o intervalo de revisão é maior, e é raro encontrar uma concessionária que siga à risca a recomendação de rodízio que está no manual do carro. O tipo de rodízio pode variar de carro para carro ou entre versões do mesmo carro, por causa do tipo de tração.
No passado, era mais comum que fabricantes indicassem, inclusive, o uso do estepe no esquema de rodízio. Os argumentos eram bons, como a estimativa de esticar a vida de todo o jogo de pneus em 20% e evitar o envelhecimento da borracha guardada. Pneus sem uso perdem a elasticidade da vulcanização, ressecam com o tempo e correm o risco de quebrar internamente.
Por outro lado, a turma do contra aponta o desequilíbrio dinâmico de rodar com três unidades já gastas e uma totalmente nova, prejudicando a estabilidade.
A discussão sobre o rodízio de pneus com cinco rodas, porém, está com os dias contados. O estepe de uso temporário, mais fino e leve, já domina os lançamentos para poupar espaço no porta-malas e reduzir o peso total do carro. Somado aos eficientes sensores de pressão e aos compostos do tipo run flat, o pneu sobressalente tradicional (principalmente aqueles com roda idêntica às que estão em uso) caminha a passos largos para a extinção.
