
O assessor do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Darren Beattie, foi impedido de entrar no Brasil após o governo brasileiro revogar seu visto. A medida foi citada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta sexta-feira, durante agenda no Rio de Janeiro, ao afirmar que o conselheiro norte-americano não poderá visitar o país enquanto não forem liberados os vistos do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e de sua família.
Beattie pretendia viajar ao Brasil para participar de um evento sobre minerais críticos em São Paulo e também visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), preso em Brasília. Interlocutores do Itamaraty afirmam que a revogação do visto ocorreu porque o assessor teria prestado informações falsas no pedido de entrada no país.
Beattie atua como assessor do Departamento de Estado no governo de Donald Trump e é responsável por acompanhar e orientar políticas dos Estados Unidos relacionadas ao Brasil. Segundo Moraes, a reunião não fazia parte da agenda diplomática oficial apresentada às autoridades brasileiras, o que motivou a negativa. O chanceler brasileiro, Mauro Vieira, informou ao STF que o encontro poderia ser interpretado como “indevida ingerência” de um funcionário estrangeiro em questões políticas internas do Brasil.
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Trajetória acadêmica e passagem pela Casa Branca
Darren Beattie é cientista político e tem doutorado em teoria política pela Duke University. Antes de atuar na política, lecionou ciência política e filosofia política em universidades nos Estados Unidos e na Alemanha.
Ele ganhou projeção nacional ao integrar a equipe de Trump na Casa Branca durante o primeiro mandato do republicano, atuando como redator de discursos e assessor de políticas públicas. Em 2018, no entanto, foi demitido após vir à tona sua participação em um evento frequentado por figuras associadas ao nacionalismo branco nos Estados Unidos.
Após deixar o governo, Beattie continuou ligado ao campo conservador e fundou o site político Revolver News, conhecido por defender posições alinhadas a Trump e por divulgar teorias controversas sobre temas políticos nos EUA.
Novo papel no governo Trump
Em 2026, Beattie voltou a ocupar um cargo estratégico no governo americano. Ele passou a atuar como assessor sênior encarregado de acompanhar as relações e políticas dos Estados Unidos relacionadas ao Brasil dentro do Departamento de Estado.
Nos últimos anos, ele também se tornou crítico frequente do governo brasileiro e de decisões do Judiciário, especialmente do ministro Alexandre de Moraes, responsável por processos envolvendo Bolsonaro.
Tensão diplomática
A tentativa de visita ao ex-presidente brasileiro ocorreu em meio a tensões diplomáticas entre os dois países. Além da decisão do STF, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva anunciou a revogação do visto de Beattie como medida de reciprocidade após restrições impostas pelos Estados Unidos a autoridades brasileiras.
A situação ampliou o atrito político envolvendo Bolsonaro, que cumpre pena após condenação relacionada à tentativa de golpe após as eleições de 2022, e seus aliados internacionais.
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