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LUCAS e Shahed-136: entenda como funcionam drones ‘kamikaze’

por SampaNews 3 de abril de 2026
3 de abril de 2026
24

O conflito entre Rússia e Ucrânia, iniciado em 2022, marcou uma mudança significativa no campo de batalha. Caças e outras aeronaves tradicionais perderam espaço para um tipo de arma muito mais barata e que se mostrou eficiente: os drones kamikaze.

A tendência se confirmou nas ofensivas conjuntas entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, com a utilização do drone “LUCAS” pelos dois países parceiros. Adição mais recente das Forças Armadas americanas, o equipamento é um clone do Shahed-136 desenvolvido no território iraniano.

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O que são drones “kamikaze”/drones suicidas?

Também conhecidos como drones suicidas, os modelos kamikazes são um Veículo Aéreo Não Tripulado (VANT) que se lança contra o alvo assim que o identifica. Ele é a própria arma usada para abater o inimigo e se destrói ao atingi-lo – vem daí o termo “suicida”.

Integrando uma categoria chamada de “munições guiadas de precisão”, foram inspirados nos pilotos japoneses que lançavam seus caças contra navios inimigos durante a Segunda Guerra Mundial. Esses aviadores militares ficaram conhecidos como “kamikazes”.

Ao contrário dos jatos do Japão, as aeronaves da guerra moderna não carregam humanos a bordo. Em muitos casos, não há nem míssil, com o drone se tornando a bomba, embora seja possível implantar ogivas para aumentar o poder de destruição.

Os drones suicidas são inspirados nos pilotos de caças japoneses da Segunda Guerra que lançavam suas aeronaves contra navios inimigos. (Imagem: NNehring/Getty Images)

Eles também se caracterizam pela capacidade de voar por horas, conforme a estratégia militar escolhida, até localizarem o alvo ou aguardando o momento ideal para atacar. Além disso, realizam trajetórias de voo diferenciadas, facilitando escapar de sistemas de defesa aérea.

Diferença para drones tradicionais

Drones militares comuns apresentam diferenças em relação às aeronaves que se destroem ao impactar o alvo. Os modelos tradicionais são desenvolvidos para participar de várias missões, retornando à base após disparar mísseis, monitorar o território inimigo ou finalizar outra tarefa.

Já os drones suicidas são de uso único, com as Forças Armadas que os utilizam devendo construir novas unidades a cada missão. Por isso, custam muito menos do que as aeronaves não tripuladas convencionais, facilitando o uso por exércitos sem grande poderio financeiro.

Um drone MQ9-Reaper, que é reutilizável e possui diversas tecnologias integradas, chega a custar mais de US$ 50 milhões por unidade, o equivalente a R$ 261 milhões pela cotação do dia. O valor varia conforme o pacote de sensores, armas e outros recursos embutidos.

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Nesses drones militares, a aeronave é a própria bomba. (Imagem: Comando Central dos EUA/Divulgação)

No caso dos drones kamikaze, o custo médio estimado gira em torno de US$ 30 mil, ou R$ 157 mil na conversão direta, uma diferença considerável. Essa vantagem também surge na comparação com os mísseis, que geralmente custam milhões de dólares, cada unidade.

Como funcionam drones “kamikaze”?

Apresentando aparência de uma pequena aeronave de asa fixa ou lembrando o design de um míssil, os drones descartáveis priorizam a velocidade e a furtividade. Eles podem ser encontrados em diferentes tamanhos, de 60 cm de comprimento a mais de 3 m, como o Shahed-136, e o peso varia conforme o modelo.

O que também muda de uma aeronave para a outra é o tipo de tecnologia utilizada. Câmeras e GPS normalmente estão presentes em todas as versões, com os modelos mais avançados incluindo inteligência artificial e outros recursos de ponta.

Em geral, um ataque aéreo com essas armas de alta precisão envolve as etapas de:

Lançamento

Há variadas alternativas para lançar tais aeronaves, dependendo da localização, tamanho e peso do equipamento. Elas podem partir de estações terrestres, tubos portáteis ou de outros drones maiores.

Voo de observação

No ar, o equipamento inicia a viagem rumo ao alvo. Ele pode ser guiado remotamente por um piloto usando óculos de realidade virtual ou tela, ou buscar alvos autonomamente, seguindo as coordenadas preestabelecidas, dependendo da tecnologia escolhida.

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As aeronaves da nova tecnologia bélica podem voar durante horas até encontrarem o alvo. (Imagem: bbsferrari/Getty Images)

Essa etapa dura de minutos a horas, conforme a missão, com as imagens transmitidas para a equipe em solo. Essas aeronaves possuem a capacidade de vagar sobre uma região por longos períodos, com alguns tendo alcance superior a 2.000 km.

Travamento do alvo

A fase seguinte envolve o rastreamento e a identificação de alvos, que podem ser outros drones, veículos, sistemas de defesa, radares, armazéns ou tropas inimigas. A tarefa envolve ferramentas como GPS, sensores e IA.

Ataque

Depois de confirmar que se trata do objeto procurado, o drone parte para a etapa final da missão, mergulhando rumo ao alvo, explodindo ao se chocar com ele ou metros antes, caso esteja carregando uma ogiva, resultando na destruição de ambos.

A manobra pode ser conduzida remotamente pelo piloto, quando há a chance de abortá-la, ou automaticamente, com a IA decidindo, no caso de armas autônomas.

Drones LUCAS e Shahed-136

A operação Epic Fury, realizada no dia 28 de fevereiro, deu início aos conflitos armados mais recentes no Irã e também chamou a atenção pela presença de uma nova aeronave militar dos EUA. Trata-se do Sistema Não Tripulado de Baixo Custo de Ataque e Combate, ou “LUCAS” na sigla em inglês.

O equipamento é uma versão aprimorada do Shahed-136 e foi criado a partir de uma unidade do drone iraniano recuperada, anos atrás, segundo a CNN. Mesmo danificada, a aeronave permitiu a engenharia reversa, com o Pentágono desenvolvendo um modelo ainda mais potente e com custo semelhante ao do original.

Com 2,4 m de envergadura e formato triangular, o drone LUCAS carrega até 18 kg de explosivos e tem alcance de 800 km, além de ser compatível com diferentes tipos de lançadores. Ele usa IA para tomar decisões por conta própria, pode voar em enxames e se conectar a satélites avançados.

Por sua vez, o Shahed-136 é um projeto aparentemente inspirado no IAI Harpy, drone suicida desenvolvido por Israel na década de 1980. Maior que o “clone” americano, tem 2,5 m de envergadura, pesa cerca de 200 kg e carrega bombas de até 45 kg, com alcance estimado em mais de 2.000 km. Ele é lançado de rampas, usa GPS e IA.

Por que esses drones são usados em guerras

O uso de drones em guerras modernas se tornou tendência devido a variados fatores, como a facilidade de escapar de bloqueio de sinal ou interferência eletrônica. O novo drone kamikaze dos EUA se conecta a redes de satélites para seguir voo normalmente, evitando as armas tecnológicas inimigas.

Eles também se destacam pela possibilidade de participar de operações de vigilância e reconhecimento, ajudando a identificar a movimentação das tropas adversárias em tempo real. Outra vantagem é o baixo risco operacional, assumindo missões que colocariam pilotos em risco.

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Ataque aéreo com drones lançados contra alvos é uma das principais estratégias em uso nos conflitos recentes. (Imagem: Olena Bartienieva/Getty Images)

Custo baixo e eficiência

Há, ainda, pelo menos mais duas grandes vantagens da tecnologia. Uma é o custo reduzido, como comentado anteriormente, fazendo os drones suicidas funcionarem como mísseis de cruzeiro “baratos”, embora não os substituam por completo, permitindo produzir enormes quantidades sem gastos exagerados.

A alta precisão é outro fator, resultando em ataques aéreos eficientes, capazes de causar danos significativos. Um exemplo foi a operação “Teia de Aranha” da Ucrânia, realizada em junho de 2025, que destruiu mais de 40 aeronaves russas de grande porte, como os bombardeiros Tu-22 e Tu-95.

Desafios éticos e regulatórios desses drones

Como muitos drones kamikaze são autônomos, o uso crescente vem acompanhado de preocupações relacionadas à ética na guerra. Especialistas e entidades debatem sobre a responsabilização em erros cometidos pelos equipamentos, tentando entender de quem seria a culpa caso uma aeronave com IA atingisse civis.

Também há questionamentos sobre até que ponto é válido deixar sistemas inteligentes decidirem por conta própria sobre ataques que podem resultar em mortes. Assim como os bots convencionais, as IAs usadas no contexto militar também estão sujeitas a erros.

Falando nisso, você sabe o que são as armas autônomas? Continue no TecMundo e confira mais detalhes sobre esse tipo de tecnologia e as tentativas de regulação pela ONU.

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