Um vídeo gravado no Centro de Campinas, mostrando a discussão entre um cadeirante e um motorista de aplicativo após a recusa de uma corrida, viralizou nas redes sociais e levantou debates sobre acessibilidade e mobilidade urbana para pessoas com deficiência.
Nas imagens, o motorista deixa o local após o desentendimento. O cadeirante, que havia se aproximado do veículo, acaba caindo ao tentar alcançar a porta com o corpo. O vídeo já soma quase dois milhões de visualizações e gerou milhares de comentários, muitos deles com opiniões divergentes sobre a atitude dos envolvidos.
Cadeirante nega agressão e relata dificuldade de mobilidade
O homem que aparece nas imagens é Fábio Antônio de Oliveira, aposentado. Ele negou que tenha tentado chutar o carro, como sugeriram alguns internautas, e afirmou que perdeu o equilíbrio ao descer uma rampa, o que causou a queda.
Segundo Fábio, além do episódio com o motorista, o principal problema enfrentado no dia a dia é a dificuldade de acesso ao transporte público adaptado na cidade.
Falhas no transporte para PCDs em Campinas
Fábio utiliza com frequência o serviço voltado a pessoas com deficiência (PCDs), oferecido pela Emdec (Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas), para se deslocar até atividades como academia e sessões de fisioterapia.
No entanto, ele relata que enfrenta constantes recusas. “A cada cinco pedidos, quatro são negados, em média. Eles alegam excesso de usuários e poucos veículos”, afirmou.
A situação reacende o debate sobre a eficiência do Programa de Acessibilidade Inclusiva (PAI-Serviço) e a necessidade de ampliação da frota e melhoria no atendimento para garantir o direito de ir e vir de pessoas com deficiência em Campinas.
Em nota, a Emdec informou que o PAI Serviço conta com uma frota de 55 veículos que fazem, em média, 450 viagens todos os dias, mas nem sempre consegue atender 100% das solicitações.
De acordo coma empresa, são priorizados atendimentos relacionados a tratamentos de saúde, como hemodiálise, radioterapia, quimioterapia e consultas médicas.
Em relação ao caso de Fábio, a Emdec informa que atendeu 52% das solicitações dele no mês de março. Leia a nota na íntegra mais abaixo.
Vídeo viralizou
Sem conseguir ser atendido pelo PAI-Serviço, Fábio precisa recorrer aos aplicativos de transporte. Ele afirma que sempre pede pelo modelo que oferece veículos com porta-malas maiores e avisa aos motoristas que é cadeirante. Mas, mais uma vez, as recusas são constantes.
Na terça-feira passada, entretanto, o que aconteceu foi mais grave, de acordo com Fábio e sua irmã, a assistente administrativa Stephanie Mary, é que o motorista não recusou a corrida pelo aplicativo, mas ao chegar do local, debochou do cadeirante afirmando que se ele quisesse embarcar, deveria guardar a cadeira de rodas no porta-malas. Além disso, também segundo os irmãos, o profissional teria se recusado a cancelar a corrida, obrigando que Fábio o fizesse e pagasse pelo valor já cobrado.
“O problema não é cancelar a corrida, mas o problema é fazer deboche e não querer cancelar por simples picuinha”, disse Stephanie.
Fábio também afirma que no dia do ocorrido foi recusado por outros quatro motoristas do mesmo aplicativo. Ele também nega que tenha partido para cima do veículo com a intenção de chutá-lo. “Quando cheguei perto, tinha uma rampa, eu peguei velocidade e acabei desequilibrando”. Fábio sofre de ataxia cerebelar, o que provoca, entre outros sintomas, a perda de equilíbrio.
Sobre a repercussão do vídeo, o aposentado disse que teve sentimentos dúbios. “Por um lado achei ruim, estou focando no meu melhor, quero outras coisas. Por outro lado acho necessário, eu não sou o único a passar situações ruins”, explicou.
Fábio chegou a publicar um novo vídeo explicando melhor o caso. Confira:
Nota da Emdec
“Atualmente o PAI Serviço conta com uma frota de 55 veículos que fazem, em média, 450 viagens todos os dias. Temos clareza que vivemos um período de demanda excessiva e nem sempre conseguimos atender a 100% das solicitações. Por causa disso, temos priorizado o atendimento a agendamentos relacionados a tratamentos de saúde, como hemodiálise, radioterapia, quimioterapia e consultas médicas.
Em caso de recusa ao atendimento e, claro havendo condições de mobilidade para isso, o usuário pode contar com a frota de ônibus 100% acessível da cidade de Campinas, equipada com elevadores, piso baixo, espaço reservado, sinalização adequada e demais dispositivos de inclusão, permitindo o uso seguro e autônomo por pessoas com deficiência.
No caso específico deste usuário, Fábio Antônio de Oliveira, no mês de março de 2026, foram 23 solicitações de transportes feitas e 12 solicitações atendidas, o que representa cerca de 52% de atendimento.
Lamentamos que nem todas as solicitações estejam sendo atendidas, mas lembramos que na nova licitação de transporte público coletivo, o programa PAI- Serviço será beneficiado com o aumento e a renovação da frota, equilibrando a relação oferta/demanda, buscando a resolução dos casos de viagens negadas, visando um transporte com qualidade, pontualidade e conforto para todos os usuários”, diz a nota.
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