A empresa de inteligência artificial (IA) Anthropic, dona da plataforma Claude, fez um anúncio diferente na última terça-feira (7). Ela revelou que desenvolveu um novo modelo de linguagem de ótima performance, mas não vai disponibilizá-lo ao público.
O motivo, segundo a própria companhia, é um risco em potencial que essa IA representaria para a sociedade. Nos testes iniciais com a tecnologia, a Anthropic descobriu que o Claude Mythos na verdade poderia trazer mais males do que benefícios para a sociedade.
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Detalhes sobre a tecnologia já foram revelados em um relatório, mas ela não foi liberada ou sequer anunciada oficialmente. Porém, aos poucos, algumas informações e até o plano de um uso positivo desse recurso potencialmente nocivo começam a aparecer.
O que é o Claude Mythos
- O Claude Mythos Preview é a versão ainda experimental de um modelo de linguagem de propósitos gerais (ou seja, sem uma única especialização), treinado com uma combinação proprietária de “informações disponíveis publicamente na internet, conjuntos de dados públicos e privados e dados sintéticos gerados por outros modelos”;
- Essa IA foi considerada de ponta em termos de desempenho pela Anthropic, em especial se comparado com outros modelos atuais da mesma companhia, como o Claude Opus 4.6;
- Porém, a habilidade dele em escrever e analisar códigos de programação é o que mais despertou a atenção da empresa, para além da alta capacidade de argumentação ou o uso computacional;
- De acordo com a descrição da própria Anthropic, a IA Mythos seria boa até demais para encontrar “milhares de vulnerabilidades de alto risco” e de dia-zero em alguns dos navegadores e sistemas operacionais mais populares do mercado.
- Na prática, ela seria “melhor do que qualquer pessoa, exceto os humanos mais habilidosos” ao descobrir e apontar brechas de segurança em softwares. Versões anteriores do Claude já conseguiram fazer esse tipo de trabalho em navegadores como o Firefox e também em bibliotecas de código aberto;
- Várias das falhas já foram reportadas para as empresas responsáveis pelas plataformas e corrigidas;
Porém, toda essa capacidade também teria um grande risco: o uso por pessoas mal intencionadas, como cibercriminosos dispostos a explorar essas falhas.
Isso porque o Mythos pode ser um assistente para criar formas sofisticadas de explorar essas vulnerabilidades — ou, a partir de combinações com agentes de IA, até mesmo realizar algumas etapas dessas invasões.
De risco para oportunidade: o projeto Glasswing
A Anthropic diz que percebeu os riscos do modelo e decidiu por não lançar publicamente o Claude Mythos Preview. Por outro lado, ela ainda vai utilizar essa tecnologia em outra frente da empresa.
Trata-se do projeto Glasswing, nome que significa literalmente “asas de vidro”. Ela compara as vulnerabilidades de software “relativamente invisíveis” com uma borboleta transparente, mas que ainda pode ser detectada pelos sistemas certos.
A ideia desse projeto é oferecer o Mythos como um conjunto de ferramentas corporativas de cibersegurança, capaz de realizar testes de penetração ou busca por brechas em aplicativos e defesas digitais para avisar sobre as possíveis falhas.
Apple, Google, Microsoft, Nvidia e Amazon já foram confirmadas como algumas das primeiras parceiras dessa iniciativa, que terá mais de 40 companhias integradas já na fase de lançamento. Além disso, a Anthropic confirmou conversas com o governo dos Estados Unidos.
As críticas sobre a iniciativa
A ideia do Glasswing é comercializar modelos limitados baseados no Mythos e que atuem principalmente na criação de mecanismos de proteção. Até por isso, a Anthropic recebeu algumas críticas pelo projeto, por mais que ele pareça tão bem intencionado.
Há acusações de que a Anthropic teria ido longe demais e talvez até sido irresponsável ao avançar no desenvolvimento de uma IA tão perigosa para a cibersegurança.
Outros comentários sugerem que ela está aproveitando o clima de urgência das capacidades do Mythos para fechar contratos com parceiras e vender o novo modelo.
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Além disso, o anúncio vem em meio a um momento delicado para a imagem da marca: o vazamento do código-fonte do Claude Code e os vários desdobramentos desse caso, incluindo a criação de versões alternativas que na verdade são malwares.
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