O uso de IA no desenvolvimento de jogos segue como pauta para debates acalorados nas redes sociais. Agora, testes conduzidos pela Keywords Studios, empresa especializada em soluções para games, indicam que, das mais de 500 ferramentas de IA avaliadas, apenas meia dúzia apresentou resultados realmente úteis no contexto de produção.
Segundo Jon Gibson, chefe de transformação da empresa, a maioria das ferramentas ainda não atende às necessidades reais dos estúdios. “Testamos cerca de 500 ferramentas de IA diferentes […] e há cerca de meia dúzia que consideramos complementar o desenvolvimento da maneira correta”, afirmou.
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O cenário reforça a percepção de que a adoção de IA nos games ainda está em fase de amadurecimento. Apesar do interesse cada vez maior no seguimento, especialistas apontam que muitas soluções ainda não são adequadas para o uso consistente no ambiente de produção.
Das 500 ferramentas, apenas seis podem auxiliar da forma correta no desenvolvimento de jogos
De acordo com Jon Gibson, o principal problema das ferramentas atuais está na forma como são desenvolvidas. Em vez de focar em resolver desafios concretos da criação de jogos, muitas são projetadas com base apenas em suas capacidades técnicas, sem um objetivo claro dentro do fluxo de produção.
“Há muita coisa ruim por aí”, afirmou o executivo, ao comentar os testes realizados pela Keywords. Ele explicou que diversas soluções conseguem entregar resultados interessantes em demonstrações, mas falham ao serem aplicadas em cenários reais de desenvolvimento.
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Gibson também destacou a diferença entre protótipos impressionantes e ferramentas utilizáveis no dia a dia dos estúdios. “O abismo entre demonstrações interessantes […] e a IA em produção […] é um salto bastante grande”, disse, apontando a dificuldade em alcançar consistência e qualidade.
Outro ponto levantado é a falta de direcionamento estratégico no uso dessas tecnologias. Segundo ele, muitas empresas adotam IA sem definir claramente quais problemas desejam resolver, o que reduz consideravelmente a efetividade das ferramentas.
Por fim, o executivo ressaltou a necessidade de evolução no setor, com foco em governança, segurança e aplicações práticas. “A IA parece estar na fase do caos neste momento […] precisamos passar para a fase da usabilidade”, concluiu.
90% dos devs entrevistados em levantamento usam IA no desenvolvimento
Apesar das limitações apontadas, o uso de IA já é amplamente difundido na indústria. Segundo o relatório GDC State of the Industry, cerca de 90% dos desenvolvedores afirmaram utilizar algum tipo de ferramenta baseada em inteligência artificial em seus processos.
Ainda assim, o levantamento revela um cenário contraditório: 52% dos profissionais dizem não aprovar o uso da tecnologia. “90% usam IA, mas 52% acham que é algo ruim”, resumiu Gibson, destacando a falta de consenso dentro do setor.
De acordo com ele, parte dessa resistência está ligada à ausência de políticas claras e comunicação interna nas empresas. Muitos desenvolvedores não entendem exatamente por que a IA está sendo adotada ou quais são seus benefícios no fluxo de trabalho.
IA no desenvolvimento também é uma pauta de debate entre os jogadores brasileiros
Entre o público brasileiro, o tema também gera discussões. Dados divulgados pelo Pesquisa Game Brasil 2026 na última quinta (09) apontam que 45,7% dos entrevistados se preocupam com a possível precarização do processo criativo nos games devido ao uso de IA generativa.
Por outro lado, o consumo não parece ser diretamente impactado. Segundo o levantamento, 39,3% dos jogadores afirmam que comprariam um jogo mesmo sabendo que boa parte do desenvolvimento envolveu inteligência artificial.
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Para Mauro Berimbau, consultor da Go Gamers, a avaliação dos jogadores vai além da simples rejeição da tecnologia. “O que acontece na prática é uma ponderação mais complexa […] avaliando se o uso da IA foi feito de forma ética”, explicou.
Assim, o debate no Brasil reflete um cenário equilibrado, em que há preocupação com impactos na indústria — mas também abertura para o uso da tecnologia, desde que aplicado com critérios claros.
E você, é a favor ou contra o uso de IA no desenvolvimento de jogos? Comente nas redes sociais do Voxel!
