
Neste Dia do Café, celebrado nesta terça-feira, 14 de abril, os números mostram um cenário de transição positiva para os consumidores brasileiros apaixonados pelo grão: apesar do encarecimento expressivo observado no último ano, um alívio recente alimenta o cenário de transição nos preços do item.
Os dados mais recentes do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado pelo IBGE, indicam uma desaceleração no preço do café no início de 2026. Entre janeiro e março, o café moído caiu 3,62% e o café solúvel recuou 2,02%. Já o cafezinho consumido fora de casa praticamente não teve variação no período, com leve queda de 0,08%.
Contudo, no acumulado dos 12 meses até março, o café moído registra avanço de 0,54%, enquanto o café solúvel subiu 15,86%. Fora de casa, o cafezinho acumula aumento de 8,24%, indicando que a desaceleração ainda não chegou de forma significativa ao consumidor em bares e padarias.
Na prática, o impacto ficou evidente nas padarias da capital paulista. Levantamento do Procon-SP, realizado ainda em setembro de 2025 e divulgado nesta terça (14), mostrou que o preço do café coado (copo) subiu, em média, 36,5% em relação a 2024. Outras bebidas também acompanharam essa tendência, como o pingado (+13,5%) e o cappuccino pequeno (+10,9%).
A pesquisa foi feita em 50 padarias distribuídas pelas cinco regiões da cidade de São Paulo e também apontou diferenças relevantes dentro da própria capital. Um café que custava, em média, R$ 9,61 podia ser encontrado por R$ 7,71 na Zona Leste ou chegar a R$ 10,77 na Zona Oeste, uma variação de quase 40%.
Dados da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) mostram que o consumo de café no Brasil caiu 2,31% entre novembro de 2024 e outubro de 2025, pressionado pelos preços mais altos. Ainda assim, a receita da indústria avançou, indicando que o aumento de preços compensou a queda no volume vendido.
O encarecimento generalizado café visto em 2025 no Brasil acompanhou sua forte valorização no mercado global. Problemas climáticos em importantes regiões produtoras, como secas e geadas, reduziram a oferta do grão — somado aos custos logísticos e de produção mais elevados, que também pressionaram os preços ao longo da cadeia produtiva do café.
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No mercado internacional, contudo, analistas avaliam que o café pode seguir trajetória semelhante à de outras commodities agrícolas que passaram por forte alta recente, como o cacau, e depois viram os preços cederem, ainda que haja incertezas sobre a intensidade desse movimento.
Isso aconteceria pelo aumento da oferta de café, com a recuperação da produção do grão, especialmente no Brasil, que é o maior produtor de café arábica do mundo e o segundo maior consumidor — atrás apenas dos Estados Unidos.
O cenário transitório ajudaria a explicar por que o consumidor já vê algum alívio no preço do café comprado para consumo em casa, mas ainda sente resistência nos preços praticados fora do domicílio, onde entram custos como mão de obra, aluguel e serviço.
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