Diante do avanço de perfis falsos criados por inteligência artificial (IA), o Tinder passou a testar um novo sistema de verificação que usa escaneamento de íris para provar que o usuário é humano. A novidade, feita em parceria com a World, reacende discussões sobre segurança, privacidade e os limites do uso de dados biométricos.
O aumento de perfis falsos e golpes em aplicativos de namoro não é novidade, mas ganhou uma nova dimensão com a popularização da IA. Hoje, bots conseguem imitar fotos, voz e até conversas com um nível de realismo que engana facilmente e é nesse cenário que o Tinder decidiu reforçar seus mecanismos de verificação.
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A solução encontrada envolve a World, projeto cofundado por Sam Altman, também CEO da OpenAI. A ideia é simples de entender: o usuário escaneia a íris, aquela parte colorida do olho, e o sistema gera um código único que comprova que ele é uma pessoa real. Esse código, chamado de World ID, pode ser usado para validar a identidade dentro da plataforma.
Como funciona?
Na prática, o processo pode ser feito por um aplicativo ou por dispositivos físicos em formato de esfera, desenvolvidos pela própria World. Após o escaneamento, o usuário recebe um selo no perfil indicando “prova de humanidade”. Como incentivo, o Tinder também oferece benefícios, como impulsionamentos gratuitos que aumentam a visibilidade do perfil por um período.
A iniciativa vem sendo testada inicialmente em mercados como o Japão e faz parte de uma estratégia maior da World de expandir sua tecnologia para outras plataformas digitais. Empresas como Zoom, Reddit e Shopify também podem adotar essa tecnologia no futuro com a mesma proposta: usar a verificação para garantir que há uma pessoa real por trás das contas e reduzir fraudes feitas com ajuda de IA.
O movimento não acontece por acaso. Nos últimos anos, os chamados golpes amorosos aumentaram; só nos EUA, esses esquemas causaram prejuízos superiores a US$ 1 bilhão em um único ano, segundo dados de autoridades locais. Em muitos casos, os criminosos usam perfis falsos altamente sofisticados para enganar vítimas.
O Tinder já havia começado a exigir selfies em vídeo para validar usuários, mas a chegada da IA tornou essas barreiras menos eficazes. Com ferramentas capazes de gerar rostos e vídeos convincentes, a verificação tradicional passou a não ser suficiente, então o escaneamento de íris surge como uma camada extra de segurança.
World no Brasil
Apesar da promessa de mais segrança, a tecnologia não vai funcionar no Brasil. O sistema da World foi proibido no país após decisão da Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD), que questionou o uso de dados biométricos e a prática de oferecer criptomoedas em troca do cadastro.
A suspensão começou em janeiro do ano passado e continuou mesmo depois de a empresa tentar mudar a decisão. Com isso, a coleta de dados segue parada no Brasil, e o recurso do Tinder não deve chegar por aqui tão cedo.
A proposta coloca o usuário diante de uma escolha delicada: mais segurança ou mais exposição de dados. A World afirma que o sistema é anônimo e não coleta informações como nome ou endereço, mas ainda há dúvidas sobre o armazenamento e uso desses dados biométricos.
