
Minas Gerais voltou a aparecer como o principal território em disputa na eleição presidencial de 2026. A nova rodada da Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (6) mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) numericamente à frente do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no estado, mas ainda dentro da margem de erro.
No cenário de primeiro turno, Lula registra 33% das intenções de voto, contra 27% de Flávio. Já no segundo turno, o petista aparece com 52% ante 48% do senador do PL. O empate técnico mantém Minas como um dos estados mais imprevisíveis da corrida presidencial.
O peso político do estado ajuda a explicar a atenção dos partidos ao resultado. Com mais de 16 milhões de eleitores, Minas é o segundo maior colégio eleitoral do país. Desde a redemocratização, todos os candidatos eleitos presidente venceram também no estado.
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O levantamento da Quaest indica um cenário mais favorável para Lula do que em disputas anteriores. Em 2018, Fernando Haddad perdeu Minas para Jair Bolsonaro por ampla margem. Em 2022, Lula venceu Bolsonaro por diferença mínima, de apenas 0,2 ponto percentual. Agora, o presidente abre quatro pontos de vantagem sobre Flávio no segundo turno, ainda que em empate técnico.
Mesmo assim, o ambiente mineiro continua sendo tratado como problemático pelo Palácio do Planalto. O principal motivo é a indefinição do palanque estadual de Lula.
O presidente apostava no senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) como nome capaz de disputar o governo mineiro e estruturar uma aliança ampla no estado. Nos bastidores, Lula pressionou Pacheco durante meses para assumir a candidatura ao Palácio Tiradentes. 
A estratégia entrou em crise após a rejeição do nome de Jorge Messias ao STF no Senado. Parte do PT passou a desconfiar da atuação de Pacheco na articulação que levou à derrota do governo. A tensão ampliou a incerteza sobre a disposição do senador de encabeçar o projeto mineiro do Planalto. 
A indefinição já preocupa lideranças petistas no estado. A ex-prefeita de Contagem Marília Campos, pré-candidata ao Senado, cobrou publicamente uma definição de Pacheco e afirmou que o PT precisa consolidar rapidamente um palanque competitivo em Minas. 
Sem resposta clara do senador, o partido passou a discutir alternativas, entre elas uma aproximação com o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT), que pretende disputar novamente o governo mineiro.
Do lado bolsonarista, o cenário também está longe de pacificado. Embora Flávio lidere em estados como São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul, Minas ainda não consolidou um nome único da direita para o governo estadual.
A principal força local hoje é o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), que lidera os cenários para o governo de Minas nas pesquisas Quaest.  O governador Romeu Zema (Novo), por sua vez, mantém pré-candidatura presidencial própria, o que dificulta uma unificação automática do campo conservador em torno de Flávio Bolsonaro.
A combinação entre palanques fragmentados, eleitorado volátil e peso histórico transformou Minas no principal ponto de atenção da eleição de 2026.
O estado reúne hoje uma situação rara: Lula aparece competitivo, mas sem estrutura estadual consolidada; Flávio avança nacionalmente, mas ainda sem controle político claro do território mineiro.
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