O aumento expressivo dos casos de doenças respiratórias em Campinas tem acendido o alerta das autoridades de saúde. Dados da Secretaria Municipal de Saúde mostram que os atendimentos por sintomas respiratórios na Atenção Básica cresceram 60,6% nas últimas seis semanas, enquanto os registros de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) na Rede Mário Gatti apresentaram alta de mais de 250% entre janeiro e maio deste ano.
Diante do avanço das infecções respiratórias, a Prefeitura enviou nota reforçando a importância da vacinação contra a gripe e contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR), principal causador de bronquiolite e uma das principais causas de internação infantil durante o período de sazonalidade.
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Atendimentos por doenças respiratórias aumentam em Campinas
Segundo dados da secretaria, nos centros de saúde da cidade, o número de pacientes com sintomas respiratórios passou de 896 atendimentos entre os dias 19 e 25 de abril para 1.439 registros na semana de 24 a 30 de maio. Em comparação com a primeira semana epidemiológica de 2026, quando foram registrados 666 atendimentos, o aumento chega a 116,1%.
A pressão também é percebida nas unidades de urgência e emergência da Rede Mário Gatti. Os casos de SRAG passaram de 57 em janeiro para 202 em maio, crescimento de 254,38% no período.
Somente nos últimos 60 dias, o Hospital Mário Gattinho contabilizou 2.292 atendimentos pediátricos relacionados a sintomas respiratórios leves.
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Crianças pequenas concentram os casos mais graves
A população infantil segue como a mais vulnerável às complicações causadas pelos vírus respiratórios. Entre janeiro e junho de 2026, o Hospital Mário Gattinho registrou 352 internações por Síndrome Respiratória Aguda Grave. Deste total, cerca de 78% ocorreram em crianças menores de 5 anos.
O cenário é ainda mais preocupante entre bebês com menos de 1 ano, faixa etária que concentrou 178 casos. A maioria das infecções identificadas foi causada pelo Vírus Sincicial Respiratório (VSR), responsável pela bronquiolite.
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Dos pacientes pediátricos internados, 27% precisaram de cuidados em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e 11% necessitaram de ventilação mecânica invasiva. Apesar da gravidade dos quadros, não houve registro de óbitos, e todos os pacientes evoluíram para a cura.
Entre os fatores de risco mais frequentes estão a asma, cardiopatias e doenças neurológicas.
Vacinação contra a gripe é ampliada para toda a população
Como estratégia para reduzir o avanço das doenças respiratórias e evitar casos graves, a secretaria de Saúde ampliou a vacinação contra a gripe para toda a população acima de 6 meses de idade.
As doses estão disponíveis nos 69 centros de saúde de Campinas e também na Igreja Divino Salvador, no Cambuí. A campanha segue até o final do próximo mês.

Segundo a diretora do Departamento de Saúde de Campinas, Monica Macedo Nunes, a ampliação da imunização é fundamental para reduzir a sobrecarga nos serviços de saúde.
“A medida é muito importante para ampliar a assistência em saúde aos pacientes com sintomas respiratórios e diminuir o agravamento dos casos, reduzindo a pressão sobre as unidades que atendem urgências e emergências”, destacou.
A vacina protege contra os vírus Influenza A (H1N1 e H3N2) e Influenza B, podendo ser aplicada simultaneamente com outras vacinas previstas no Calendário Nacional de Vacinação.
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Campinas amplia proteção contra o VSR
Além da campanha contra a gripe, Campinas iniciou a imunização de bebês prematuros com menos de 6 meses e crianças com comorbidades menores de 2 anos contra o VSR.
O imunizante utilizado é o nirsevimabe, anticorpo monoclonal incorporado ao Sistema Único de Saúde (SUS) para reduzir o risco de hospitalizações e complicações graves causadas pelo vírus.
A coordenadora do Programa de Imunização de Campinas, Chaúla Vizelli, ressaltou a importância da proteção para os grupos mais vulneráveis.
“Esse anticorpo monoclonal representa um avanço importante na proteção dos bebês mais vulneráveis ao VSR. Com a imunoprofilaxia, esperamos reduzir as internações e os casos graves nessa faixa etária”, afirmou.
A cidade também disponibiliza a vacina contra o VSR para gestantes a partir da 28ª semana de gestação. A imunização permite a transferência de anticorpos da mãe para o bebê ainda durante a gravidez, oferecendo proteção nos primeiros meses de vida.
Rede Mário Gatti amplia estrutura para atender demanda
Para enfrentar o aumento dos casos respiratórios, a Rede Mário Gatti ampliou a capacidade de atendimento pediátrico. Foram abertos quatro novos leitos de UTI Pediátrica no Hospital Mário Gattinho, além da contratação emergencial de médicos pediatras.
A rede também mantém disponível o serviço de teleatendimento pediátrico 24 horas pelo WhatsApp (19) 95871-0027. O canal permite que responsáveis recebam orientações médicas, avaliação inicial dos sintomas e, quando necessário, prescrição de medicamentos sem precisar se deslocar até uma unidade de saúde.
Como prevenir doenças respiratórias
A Secretaria de Saúde reforça que, além da vacinação, algumas medidas simples ajudam a reduzir a transmissão dos vírus respiratórios:
- Lavar as mãos frequentemente;
- Manter ambientes ventilados;
- Adotar a etiqueta respiratória ao tossir ou espirrar;
- Utilizar máscara em caso de sintomas gripais;
- Manter boa hidratação;
- Ter alimentação equilibrada e saudável.
A orientação é que a população procure os centros de saúde para atualizar a carteira de vacinação e contribuir para a redução dos casos graves de doenças respiratórias em Campinas.
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