A Mercedes-Benz corre o risco de ser impactada por uma proposta legislativa criada para restringir a presença de empresas ligadas a países considerados adversários dos Estados Unidos. Embora o alvo principal da medida sejam fabricantes chinesas, a montadora alemã entrou no debate devido à composição de seu quadro de acionistas.
O projeto de lei, denominado Modernização de Veículos Motorizados, busca limitar a atuação de companhias que possuam vínculos de propriedade com governos estrangeiros classificados como adversários por Washington. Nesse contexto, a China aparece entre as nações abrangidas pela proposta.

A situação da Mercedes não está relacionada à sua produção industrial. A fabricante mantém operações nos Estados Unidos há décadas, com fábricas no Alabama e na Carolina do Sul, além de empregar cerca de 10 mil pessoas no país. O ponto de atenção, porém, recai sobre a participação acionária de grupos chineses na companhia.
Entre os principais investidores da marca está a BAIC, que controla pouco menos de 10% das ações. Outro acionista relevante é Li Shufu, fundador da Geely, que possui participação semelhante. Somadas, as duas fatias representam cerca de 19,7% do capital da montadora alemã.

A proposta prevê exceções para empresas que já produzem veículos em território americano há anos. No entanto, uma das cláusulas pode retirar esse benefício de companhias com participação direta ou indireta associada aos governos estrangeiros listados. É justamente essa interpretação que gera incerteza sobre o futuro da Mercedes no país.
A discussão surge em um momento estratégico. No ano passado, a Mercedes comercializou mais de 300 mil automóveis de passeio nos Estados Unidos, seu segundo maior mercado global. A empresa também celebrou recentemente a produção de seu veículo de número 5 milhões no país e anunciou a transferência da fabricação do SUV GLC para uma unidade americana.

Por enquanto, a montadora evita demonstrar preocupação pública. O CEO da marca, Ola Källenius, afirmou que a empresa acompanha as discussões e acredita ser possível solucionar eventuais questionamentos sobre a estrutura societária. Em paralelo, a fabricante mantém conversas com parlamentares para entender o alcance real da proposta.
Ainda distante de uma aprovação definitiva, o projeto pode sofrer alterações ao longo da tramitação.
