Será que vai chover? Vai fazer calor amanhã? Uma frente fria está chegando? Perguntas como essas fazem parte do dia a dia e são respondidas diariamente pelos serviços de meteorologia. Mas o que acontece nos bastidores antes que a previsão do tempo chegue à sua tela?
Para descobrir, o acidade on Campinas visitou o Cepagri (Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura), da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), e conversou com o meteorologista Bruno Bainy.
Como é feita a previsão do tempo?
O especialista explicou que a previsão do tempo é, essencialmente, uma tentativa de projetar para o futuro as condições atmosféricas observadas no presente. Em geral, as previsões mais detalhadas abrangem períodos entre 24 e 72 horas, mas podem se estender por vários dias, especialmente quando há risco de eventos extremos, como ondas de calor, ondas de frio ou tempestades severas.
“A previsão do tempo sempre começa com uma parte que eu costumo chamar de ‘diagnóstico’. A gente vê o que está acontecendo na atmosfera nesse momento”, disse Bruno.
Diagnóstico da atmosfera
Antes de elaborar qualquer previsão, os meteorologistas realizam o diagnóstico. Nessa fase, são analisadas informações de uma área muito maior do que a região para a qual a previsão será emitida. Isso significa que mesmo quando o objetivo é prever o tempo para Campinas, os meteorologistas observam dados de grande parte do Brasil e até da América do Sul. Isso porque fenômenos atmosféricos de larga escala podem influenciar o clima em regiões distantes.
Para montar esse panorama, são consultadas informações de estações meteorológicas, que registram temperatura, chuva, vento e outras variáveis ao longo do dia. Os dados também servem para verificar se a previsão anterior se confirmou.
Além disso, entram na análise imagens de satélite, radares meteorológicos e sistemas de detecção de descargas elétricas. Essas ferramentas ajudam a identificar nuvens, tempestades, massas de ar, áreas mais secas ou úmidas e até correntes de vento em diferentes altitudes da atmosfera.
“Claro, a gente está fazendo a previsão para as condições em superfície, mas muitas vezes as condições de tempo em superfície se originam lá a 10, 15 km de altitude e causam mudanças em toda essa profundidade da troposfera, que é essa camada mais baixa da atmosfera”, explicou Bruno.
Outro recurso importante são as chamadas cartas sinóticas, mapas que mostram a posição de sistemas meteorológicos como frentes frias, ciclones e áreas de alta pressão. Ao cruzar essas informações com as imagens de satélite, os meteorologistas conseguem entender melhor o comportamento da atmosfera.
Faça uma denúncia ou sugira uma reportagem sobre Campinas e região por meio do WhatsApp do acidade on Campinas: (19) 97159-8294.
Fase do prognóstico
Ainda de acordo com Bruno Bainy, depois do diagnóstico, começa a fase do prognóstico, ou seja, a previsão propriamente dita. Nessa etapa entram em cena os modelos matemáticos de previsão do tempo. Como a atmosfera segue leis da física, da termodinâmica e da dinâmica dos fluidos, é possível representar matematicamente os fenômenos atmosféricos.
Porém, esses cálculos são extremamente complexos e exigem o uso de supercomputadores, como os utilizados pelo CPTEC (Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos), do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), e por centros meteorológicos internacionais.
Por sua vez, os modelos processam bilhões de informações e simulam a evolução futura da atmosfera. A partir desses resultados, os meteorologistas conseguem estimar temperaturas, volumes de chuva, intensidade dos ventos e outras condições que podem impactar a população.
Por que a previsão do tempo não é certeza?
Apesar dos avanços tecnológicos, a previsão do tempo não é uma ciência exata. Segundo Bruno, a atmosfera é um sistema extremamente complexo e sensível a pequenas alterações. Esse conceito é chamado de “efeito borboleta”, teoria segundo a qual pequenas mudanças nas condições iniciais podem provocar grandes diferenças nos resultados futuros.
Por isso, os modelos trabalham com margens de incerteza. Uma das técnicas utilizadas é a chamada previsão por conjuntos, que realiza dezenas de simulações paralelas com pequenas variações nos dados de entrada.
Ao comparar os resultados dessas simulações, os meteorologistas conseguem avaliar o grau de confiança da previsão. Quando os cenários apontam para resultados semelhantes, a previsibilidade é maior. Já quando as projeções divergem, a incerteza aumenta.
Esse comportamento fica ainda mais evidente nas previsões de longo prazo. Enquanto as temperaturas costumam apresentar maior precisão, a chuva continua sendo uma das variáveis mais difíceis de prever.
“Eu geralmente brinco com as pessoas, o que talvez possa ser uma surpresa para muita gente, mas a previsão do tempo também erra. E até mesmo um meteorologista toma banho de chuva ou às vezes cancela alguma programação ou altera algum plano por conta da previsão do tempo e às vezes ela não se concretiza exatamente”, contou Bruno.

Prevenção de riscos
Mesmo sujeita a erros, a previsão do tempo tem um papel fundamental na prevenção de riscos e na tomada de decisões. Segundo Bruno, o objetivo não é apenas indicar o cenário mais provável, mas também alertar sobre situações que podem representar perigo para a população.
“A previsão do tempo sempre tem um caráter preventivo. Então, mesmo que a gente tenha cenários diferentes possíveis para os próximos dias, a gente sempre vai olhar para aquilo que pode causar maior impacto para as pessoas. Geralmente, a gente não é aquele amigo otimista que diz ‘não, vai dar tudo certo’. A gente procura apontar o que pode dar errado, o que pode causar maior impacto para as pessoas, para que durante o dia a dia delas, na rotina, elas possam tomar decisões melhor pautadas em conhecimento”, completou Bruno.
Receba notícias do acidade on Campinas no WhatsApp e fique por dentro de tudo! Basta acessar o link aqui!
LEIA TAMBÉM: Maior encontro de carros antigos do Brasil acontece neste fim de semana
O post Como é feita a previsão do tempo? Veja os bastidores do trabalho dos meteorologistas no Cepagri apareceu primeiro em ACidade ON Campinas.
