O presidente da Associação Brasileira de Rope Jump, Marco Antonio de Campos Gonçalves Junior, conhecido como Marco Jota, afirmou à reportagem do acidade on que sua agência já realizou eventos na Ponte do Esqueleto, em Limeira, com a presença de policiais militares e guardas civis municipais e que nunca foi solicitada algum tipo de autorização. A Prefeitura de Limeira e a secretaria de Segurança Pública de São Paulo foram procuradas para se posicionar sobre a afirmação, mas não responderam até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto para o posicionamento.
O local foi palco de uma tragédia neste sábado (13), quando Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, morreu durante um salto de rope jump. Três pessoas do grupo que realizava o evento tiveram a prisão preventiva decretada neste domingo (14). O advogado deles classificou o caso como uma “triste fatalidade“, destacando que os envolvidos praticam o esporte há anos sem histórico de acidentes.
De acordo com Marco Jota, responsável pela agência Rope Trips, que realiza saltos na Ponte do Esqueleto, não era necessária a autorização para os saltos porque não havia proibição. “A gente faz uma atividade vertical, que não é proibida e não exige autorização”, disse.
Ele também afirmou que já realizou eventos no local com a presença de policiais militares e guardas civis municipais de Limeira e que nunca foi solicitada uma autorização. A Prefeitura de Limeira e a secretaria de Segurança Pública de São Paulo foram procuradas para se posicionar sobre a afirmação, mas não responderam até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto para o posicionamento.
A agência de Marco Jota cancelou um evento agendado na Ponte do Esqueleto no dia 4 de julho. No site oficial e nas redes sociais da empresa é possível ver fotos e vídeos da prática de rope jump no local, inclusive uma matéria da CNN Brasil com o filósofo Leandro Karnal saltando da estrutura.
A cada evento no local, segundo ele, eram realizados de 70 a 80 saltos entre as 8h e as 17h.
Regulamentação do rope jump
Marco Jota afirmou que estará na Câmara de Vereadores de Limeira, nesta segunda-feira (15), para discutir a regulamentação da atividade no local. “O caminho é regulamentar, não proibir. Tem que regulamentar para ficar seguro para clientes e operadores”, disse.
99,9% de segurança
Segundo o presidente da Associação Brasileira de Rope Jump, é possível realizar os saltos com “99,9% de segurança, sem nenhum risco”. Ele indica que os interessados busquem empresas seguras, com CNPJ, que trabalhem com SGS (Sistema de Gestão de Segurança), análise preliminar de risco, tratamento das não conformidades, procedimento operacional padrão e plano de gerenciamento de emergência.
Ele explicou que a agência dele segue todos protocolos de segurança de padrão internacional, que são aplicados pelos participantes da Associação Brasileira de Rope Jump. A cada salto, o sistema é checado pelo menos três vezes.
O que pode ter provocado a tragédia?
Para Marco Jota, a tragédia na Ponte do Esqueleto foi causada por falta de protocolos operacionais padrão, falta de SGS e falta de conhecimento da atividade radical em geral. Ele também considera que a pressa para atender mais pessoas pode ter contribuído para a tragédia. “Vamos jogar mais clientes pra ganhar mais dinheiro”, concluiu Marco Jota.

Grupo que causou morte em Limeira operava sem formalização
O grupo responsável pela atividade de rope jump que culminou na morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas não possuía empresa formalizada. Segundo a delegada plantonista Andréa Dantas, os organizadores eram praticantes amadores que promoveram eventos em diversos destinos nos últimos 12 meses, sem a devida autorização para a realização das atividades no local do acidente.
A polícia informou que a tragédia ocorreu após a jovem ser lançada de uma plataforma de aproximadamente 40 metros de altura sem estar conectada ao sistema de cordas de segurança. O equipamento, que deveria garantir a proteção da vítima, permaneceu enrolado no chão da plataforma durante o salto.
Pela falha grave, três homens foram presos em flagrante: Luis Felipe Feliciano Egoroff, Vitor de Freitas Gonçalves e Maicon Fernandes Cintra. Eles responderão por homicídio com dolo eventual, modalidade em que é assumido o risco de produzir o resultado morte, mesmo sem a intenção direta de cometê-lo.
Investigação prossegue
A delegada Andréa Dantas reforçou que a investigação prossegue para apurar como o grupo atuava e quais outras falhas de segurança foram negligenciadas ao longo do último ano. A Polícia Civil de Limeira também analisa vídeos gravados por pessoas que acompanhavam a atividade para detalhar a dinâmica do ocorrido e as responsabilidades individuais de cada um dos envolvidos no evento clandestino.
*Com informações de Jorge Talmon/ EPTV Campinas
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