Uma carga avaliada em cerca de R$ 4 milhões foi roubada na noite desta quarta-feira (8) em Santo Antônio de Posse, após o motorista de um veículo utilitário ser rendido por criminosos armados na Rodovia Governador Adhemar Pereira de Barros (SP-340). O veículo, que seguia de Guarulhos para Jaguariúna, foi encontrado abandonado no bairro Recreio Campestre, com sinais de arrombamento e sem a mercadoria.
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Segundo o boletim de ocorrência, a Guarda Municipal foi acionada após a localização do veículo. No local, os agentes encontraram o veículo com o alarme disparado, o compartimento de carga violado e vazia. Dois celulares permaneciam no interior do automóvel, mas o motorista não estava no local.
Um representante da empresa informou à polícia que o veículo era monitorado por rastreamento e que o sistema apontou uma parada fora da rota prevista, além de indicar violação no baú. Diante do alerta, ele foi até o endereço e, ao encontrar o veículo abandonado, acionou as autoridades.
O motorista relatou à empresa que foi abordado por criminosos quando fazia uma rotatória para abastecer, sob um pontilhão da Rodovia Adhemar de Barros (SP-340), quando foi abordado. Segundo ele, dois veículos fecharam o utilitário pelos dois lados da pista e os ocupantes, armados, ordenaram que ele seguisse o comboio, sem parar.
Ainda de acordo com o depoimento, o motorista foi levado até o bairro Recreio Campestre, em Santo Antônio de Posse, onde outra van aguardava o grupo. A carga foi transferida para esse veículo e, em seguida, levada para outro ponto, onde acabou sendo colocada em um terceiro automóvel.
Após o transbordo da mercadoria, o motorista foi levado para uma área de mata e, algum tempo depois, outro carro o deixou às margens da Rodovia dos Bandeirantes, próximo a Jundiaí. Ele conseguiu uma carona até um restaurante Frango Assado, de onde entrou em contato com a empresa.
O caso foi registrado e será investigado pela Polícia Civil. Até o momento, ninguém foi preso e a carga não havia sido recuperada.
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Roubos de carga na região de Campinas miram caminhões com mercadorias acima de R$ 200 mil, aponta polícia
A Polícia Civil do Estado de São Paulo traçou um retrato dos roubos de carga registrados em 2025 nas regiões de Campinas e Piracicaba. O levantamento aponta que os criminosos miram, principalmente, caminhões com mercadorias avaliadas acima de R$ 200 mil, com destaque para cargas de alimentos e combustíveis.
De acordo com a corporação, foram analisadas 234 ocorrências registradas entre janeiro e dezembro nas cidades atendidas pelos departamentos regionais da Polícia Civil.
Em quase metade dos casos (41,9%), os motoristas foram rendidos enquanto o veículo ainda estava em deslocamento. Em 95% das situações, as vítimas chegaram a ser mantidas sob domínio dos assaltantes.
De acordo com o delegado Oswaldo Diez Junior, diretor do Deinter-2, não há um padrão único de atuação das quadrilhas.
“Não existe uma regra fixa. Nós temos casos em que o motorista é abordado por indivíduos na rodovia, nós temos casos em que durante o descarregamento da carga ou carregamento, e também existe abordagem dos autores de crime de roubo de carga”.
Entre os registros em que o valor da mercadoria foi informado, a faixa mais atingida ficou entre R$ 200 mil e R$ 400 mil. Veja os principais intervalos:
• R$ 200.001 a R$ 400.000 – 42 ocorrências (17,9%)
• R$ 100.001 a R$ 150.000 – 17 ocorrências (7,3%)
• R$ 10.001 a R$ 20.000 – 15 ocorrências (6,4%)
• R$ 90.001 a R$ 100.000 – 9 ocorrências (3,8%)
• R$ 20.001 a R$ 30.000 – 9 ocorrências (3,8%)
Quando o recorte é feito por tipo de mercadoria, os alimentos aparecem no topo da lista, seguidos por combustíveis, produtos metalúrgicos e eletroeletrônicos:
• Alimentos: 52 casos (22,22%)
• Outros tipos: 47 (20,09%)
• Combustíveis: 27 (11,54%)
• Metalúrgicos: 19 (8,12%)
• Eletroeletrônicos: 15 (6,41%)
• Bebidas: 14 (5,98%)
• Autopeças, carga mista e plásticos: 7 cada (2,99%)
• Cigarros/fumo, farmacêuticos e máquinas/equipamentos: 6 cada (2,56%)
Segundo Diez, em parte das ocorrências há indícios de informação privilegiada, mas isso não é regra.
“Em alguns casos, nós percebemos uma certa informação privilegiada por parte das quadrilhas. Em outros, os indivíduos acabam abordando um veículo com uma carga diferente daquela que imaginavam. Cada caso é um caso.”
O delegado também explica que nem sempre a mercadoria é o alvo principal. Em algumas ações, o caminhão acaba sendo o bem mais valorizado pelos criminosos.
“Tem casos em que eles levam o caminhão, dispensam a carga e ficam apenas com a carreta. Não é raro acontecer. Eles fazem, então, a abordagem cujo objetivo principal é o caminhão e não a carga que ele transporta.”
Outro dado do estudo mostra que os roubos se espalham por todos os períodos do dia, sem concentração expressiva em um horário específico:
- Madrugada: 69 ocorrências (29,49%)
- Manhã: 62 (26,50%)
- Noite: 57 (24,36%)
- Tarde: 44 (18,80%)
Já em relação à forma de abordagem, a interceptação com o veículo em movimento lidera, seguida por ataques durante paradas para descanso ou alimentação:
• Veículo em movimento: 98 casos (41,9%)
• Parada para descanso/refeição: 62 (26,5%)
• Durante entrega: 31 (13,2%)
• Manutenção: 15 (6,4%)
• Posto de combustível: 8 (3,4%)
Diez detalha que, em muitos episódios, o caminhoneiro é obrigado a parar no acostamento e fica refém até que a carga seja transferida ou levada para outro local.

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