A Região Metropolitana de Campinas (RMC) tem potencial para praticamente dobrar a capacidade da atual rede de transporte coletivo. Um estudo elaborado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e pelo Ministério das Cidades aponta que a malha poderia passar dos atuais 83 quilômetros para 161 quilômetros, com investimentos estimados entre R$ 6,47 bilhões e R$ 7,76 bilhões.
Segundo o Estudo Nacional de Mobilidade Urbana (ENMU), a expansão atenderia cerca de 348,48 mil passageiros por dia e será viabilizada por meio da implantação de seis projetos, que incluem novas linhas de Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) e corredores de Bus Rapid Transit (BRT).
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Além da ampliação da infraestrutura, o levantamento estima impactos positivos para a mobilidade em Campinas. Entre eles estão a redução de 14% no tempo médio de deslocamento da população e a prevenção de aproximadamente 477 vítimas de acidentes de trânsito por ano.
O ENMU reúne um diagnóstico da mobilidade urbana nas 21 regiões metropolitanas mais populosas do Brasil e apresenta uma carteira de projetos para orientar a expansão e a modernização dos sistemas de transporte coletivo de média e alta capacidade.
Segundo o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, o estudo reúne diagnósticos, propostas e projetos para orientar a expansão e a qualificação do transporte público coletivo nas principais regiões metropolitanas do país.
Emdec diz que acompanha estudos e destaca projeto estadual de VLT
Procurada pela reportagem, a Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec) informou que, desde o início dos trabalhos, em 2024, equipes técnicas da Diretoria de Planejamento e Transporte participam da elaboração do estudo, enviando relatórios e pareceres para subsidiar as análises.
A Secretaria de Transportes e a Emdec afirmaram que consideram bem-vindas as propostas que contribuam para melhorar a mobilidade urbana e reduzir as dificuldades enfrentadas nos deslocamentos na cidade. O órgão também informou que está à disposição para discutir as sugestões apresentadas e realizar eventuais ajustes para garantir a viabilidade e o sucesso da implantação dos projetos.
A Emdec destacou ainda que já existe um projeto de Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) para Campinas sob responsabilidade do Governo do Estado de São Paulo, independente das propostas apresentadas pelo estudo do Ministério das Cidades e do BNDES.
Estudo reúne 187 projetos em todo o país
O relatório final do estudo reúne um banco de dados com 187 projetos de mobilidade urbana, somando mais de 3 mil quilômetros de metrôs, BRTs, trens e VLTs. Cada proposta foi analisada com base em mais de 100 indicadores técnicos, econômicos, financeiros, socioambientais e urbanísticos, permitindo definir prioridades de investimento.
Entre os critérios avaliados estão o impacto na redução de emissões de poluentes e gases de efeito estufa, diminuição de acidentes, demanda de passageiros e necessidade de investimentos.
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Projetos podem gerar mais de 1 milhão de empregos
Em todo o país, os projetos mapeados têm potencial para evitar cerca de 27 mil vítimas de acidentes de trânsito, reduzir em aproximadamente 3 milhões de toneladas por ano as emissões de dióxido de carbono (CO₂), diminuir em 11% o custo das viagens e reduzir em 16% o tempo médio de deslocamento da população.
O estudo também aponta benefícios econômicos, com potencial para gerar mais de 1 milhão de empregos e estimular a produção de até 7.600 ônibus elétricos e 2.400 veículos metro ferroviários.
Desenvolvido entre 2024 e 2026, o Estudo Nacional de Mobilidade Urbana considera projeções populacionais e de demanda para os próximos 30 anos. A proposta é fornecer suporte técnico para que estados e municípios possam estruturar projetos capazes de melhorar os deslocamentos diários, ampliar o acesso da população a serviços essenciais e tornar o transporte público mais eficiente e sustentável.

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