O setor de acessórios e periféricos gamers hoje é bem estabelecido, com produtos de ponta fabricados por várias marcas consolidadas e várias opções que agradem dos jogadores competitivos até os casuais. Porém, a situação era bem diferente antes da chegada da Razer, empresa pioneira desse mercado.
A fabricante conseguiu se destacar em um segmento até então povoado por modelos genéricos ou sem especializações e virou sinônimo de precisão, ergonomia e eletrônicos com uma iluminação bastante característica.
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A história dela é repleta de curiosidades, desde o início turbulento até a chegada dos primeiros produtos de sucesso — e culminando em várias mudanças nos últimos anos para acompanhar tendências da indústria. O TecMundo conta a seguir essa trajetória e relembra momentos icônicos dessa marca.
Como surgiu a Razer?
A história da companhia começa em 1998, quando a Razer é criada como uma submarca de uma empresa de produtos pra computador chamada kärna. A subsidiária nasce em San Diego, na Califórnia, com o foco específico no setor gamer.
Porém, a história sofre uma reviravolta no início dos anos 2000: com problemas financeiros graves e o estouro da bolha da internet prejudicando o desempenho de várias empresas de tecnologia no mercado, a kärna declara falência deixa de operar.
A Razer tem um renascimento em 2005, quando os dois responsáveis pela então submarca compram os direitos da companhia e refundam ela como uma empresa independente, agora operando totalmente voltada para a indústria de jogos.
Quem fundou a empresa
A criação da Razer em 2005 é fruto da união de fundos de investimento com duas pessoas que se tornaram os rostos por trás da companhia: Min-Liang Tan e Robert Krakoff. Conhecido como RazerGuy, Robert era gerente da kärna quando a companhia iniciou as apostas no setor gamer. Ele chegou a ser ex-presidente da Razer e faleceu em 2022, aos 81 anos.
Já Tan nasceu em Singapura, sempre foi um grande fã de jogos e ocupa ainda hoje o cargo de CEO da Razer. Ele começou a carreira como advogado e consultor, mas a paixão pela indústria de tecnologia e o desejo de construir acessórios de alta performance o levou ao desafio de comandar uma companhia.
Como a Razer conquistou o mercado gamer?
Logo depois do lançamento do primeiro mouse, que foi ao mesmo tempo elogiado pela ousadia e criticado por alguns problemas técnicos, a companhia percebeu que havia mesmo uma lacuna no mercado que poderia ser explorada.
Com o tempo, ela apresentou outras gerações de periféricos gamers, inclusive indo além do mouse, e ajudou a estabeleceu características como design, precisão e ergonomia como marcas desse mercado. Ela também se envolveu cedo com a crescente indústria dos eSports, virando patrocinadora de equipes e fornecedora frequente de equipamentos para competidores profissionais.
A presença cedo em mercados como o brasileiro também ajudou a construir a reputação dela internacionalmente, virando uma das primeiras referências em acessórios específicos para jogos.
Qual foi o primeiro produto da Razer?
Ainda como uma subsidiária, a empresa lançou em 1999 o seu primeiro produto: o Razer Boomslang, que é considerado o primeiro mouse gamer do mundo.
Ele tem esse título porque a categoria específica desse periférico ainda não existia. Foi o Boomslang que estabeleceu um alto dpi (ponto por polegada, na tradução direta para o português), uma medida de sensibilidade e precisão que se tornaria uma das mais importantes especificações técnicas desse tipo de produto.
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Esse produto ainda tinha características de um mouse da época, como a famosa “bolinha” no lugar do feixe a laser na parte inferior, mas o desempenho e o design caracterizavam ele como próprio para o público que jogava no PC.
O sucesso dos primeiros periféricos
Logo nos primeiros anos de existência, a Razer se notabilizou pelo lançamento de produtos de sucesso, com alguns até saindo do nicho gamer e conquistando vendas ainda mais expressivas. Alguns desses eletrônicos incluem:
- o mouse Diamondback, com sete botões e na época impressionantes 1.600 de dpi, que estreou durante a competição de eSports World Cyber Games em 2004 e tinha design ambidestro;
- o Copperhead, de 2005, com uma luminosidade azul diferente e um salto para 2.000 dpi, com um sistema de rastreamento via laser;
- o DeathAdder, um dos maiores sucessos comerciais da empresa, com mais de 15 milhões de unidades vendidas em todo o mundo e várias atualizações lançadas ao longo dos anos, além de elogios pelo design ergonômico aliado com o alto desempenho;
- o headset gamer Barracuda HP-1, que tem um sistema de 5.1 canais surround para imersão;
- o primeiro teclado mecânico gamer do mundo, o BlackWidow, com melhor resposta tátil, com teclas totalmente customizáveis.
Quais os produtos mais importantes da Razer?
Ao longo dos mais de vinte anos de atuação no mercado, a Razer conquistou o mercado gamer com alguns produtos de sucesso, seja em vendas ou por se transformarem em ícones em suas categorias.
Além do próprio Boomslang, que iniciou a categoria do mouse gamer, é importante citar os modelos Diamondback e DeathAdder: eles são marcantes por representarem o início arrasador da companhia nessa nova fase independente.
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Outro dispositivo relevante é o notebook gamer Razer Blade, de 2011. A primeira geração trazia uma tela grande de 17 polegadas e um preço salgado, mas epecificações de ponta — além de provar que esses computadores gamers poderiam ser também finos sem deixar de lado a potência.
Para além dos eletrônicos, o sistema de iluminação Chroma RGB virou praticamente sinônimo visual da marca, presente em mouses, teclados, headsets e até cadeiras, com 16,8 milhões de cores e vários efeitos luminosos.
A situação atual da marca
Depois de estabelecer o próprio nome no setor de periféricos gamers, a Razer tentou virar um ecossistema mais vasto no mercado de tecnologia. Nem todas as tentativas deram certo, mas indicam essa vontade da companhia em expandir cada vez mais os serviços.
As apostas bem sucedidas incluem lojas físicas e uma moeda virtual para compra de jogos (Razer Gold) que, apesar de não ser tão popular, traz uma receita sólida para a companhia. Já o lançamento de smartphones com o Razer Phone durou apenas duas gerações: apesar de boas especificações técnicas, ele não foi bem recebido comercialmente.
A Razer também tem algumas curiosidades na atuação corporativa dos últimos anos. Ela é dona desde 2016 da THX, a lendária empresa de áudio fundada dentro da Lucasfilm, e em 2022 saiu do mercado de ações para voltar a ser uma empresa privada.
Atualmente, a marca está em fase de expansão para dispositivos vestíveis e inteligência artificial (IA). Vários dos projetos nessa área ainda são conceituais ou buscam uma aplicação mais comercial, como a AVA, uma assistente que mistura IA e holograma 3D.
Além disso, ela segue lançando aparelhos no setor gamer, com novas linhas de mouses, teclados, headsets e controles, com o wireless sendo cada vez mais o padrão. Em 2023, ela até firmou uma parceria com a Multi (antiga Multilaser) para atuar como distribuidora no Brasil, voltando ao mercado nacional depois de alguns meses de menor presença no país.
O que achamos do Razer Kraken V4, o headset topo de linha da companhia que chegou ao Brasil? Confira o review completo do TecMundo!
