As famílias das 62 pessoas que morreram na queda do voo 2283 da Voepass, em Vinhedo, terão acesso antecipado ao relatório final da investigação do Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos). O encontro está marcado para esta quinta-feira (23), em Brasília (DF), e antecede a divulgação oficial das conclusões do órgão da FAB (Força Aérea Brasileira).
A iniciativa segue um protocolo adotado em grandes investigações aeronáuticas, permitindo que os parentes das vítimas conheçam o conteúdo do documento antes da coletiva de imprensa. Após a reunião reservada, o Cenipa tornará públicas as conclusões do trabalho técnico realizado desde a tragédia registrada em agosto de 2024.
O relatório é aguardado há quase dois anos e consolida a investigação conduzida para identificar os fatores que contribuíram para o acidente. Diferentemente de um inquérito criminal, a apuração do Cenipa tem como objetivo apontar circunstâncias e emitir recomendações para evitar que tragédias semelhantes voltem a acontecer.
O que diz a minuta do relatório final do acidente de avião da Voepass
Embora o relatório oficial ainda não tenha sido divulgado, parte de seu conteúdo já veio a público. Conforme noticiado anteriormente pelo acidade on, as informações foram reveladas pela jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, que teve acesso à minuta do documento enviada pelo Cenipa para revisão de autoridades da França e do Canadá, etapa prevista nos protocolos internacionais de investigação de acidentes aeronáuticos.
Segundo a reportagem da Folha, a investigação conclui que a queda do avião não foi provocada por um único fator, mas por uma sequência de falhas que, somadas, levaram à perda de controle da aeronave.
Entre os principais pontos citados na minuta está o que o Cenipa classifica como um estado de distração da tripulação. De acordo com o documento, os pilotos passaram parte do voo envolvidos em conversas sem relação com a operação da aeronave, o que teria reduzido o monitoramento das condições de voo justamente em um momento de risco elevado de formação de gelo. Para os investigadores, essa perda de atenção pode ter comprometido a percepção dos alertas emitidos na cabine e atrasado a reação da tripulação diante da emergência.
A minuta também aponta que a cultura de segurança operacional da Voepass apresentava fragilidades. Conforme a apuração da jornalista Mônica Bergamo, o Cenipa identificou indícios de que problemas no sistema de degelo da aeronave já eram conhecidos antes do voo, mas não foram registrados corretamente nem tratados de forma adequada pela companhia. O relatório sustenta que a aeronave operou em condições meteorológicas favoráveis à formação de gelo mesmo diante desses antecedentes.
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Outro ponto destacado é a atuação da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil). Segundo a reportagem da Folha de S.Paulo, o documento afirma que auditorias realizadas antes do acidente já haviam identificado não conformidades na operação da empresa. No entendimento do Cenipa, porém, as medidas adotadas pela agência não foram suficientes para reduzir os riscos apontados durante a fiscalização.
Ainda conforme a minuta, os pilotos não reconheceram a gravidade da situação com a rapidez necessária, deixando de adotar medidas como declarar emergência ou solicitar uma descida imediata. O documento também cita falhas na coordenação da cabine durante a tentativa de resposta ao acúmulo de gelo, cenário que comprometeu a capacidade de recuperação da aeronave.

Divulgação oficial deve confirmar conclusões
As conclusões apresentadas pela jornalista da Folha de S.Paulo ainda aguardam confirmação oficial do Cenipa. A expectativa é que, após a reunião com os familiares, o órgão divulgue integralmente o relatório final, detalhando os fatores contribuintes para o acidente e as recomendações de segurança elaboradas a partir da investigação.
Além da apuração técnica conduzida pelo Cenipa, o caso continua sendo investigado pela Polícia Federal, que busca identificar eventual responsabilidade criminal pela tragédia que matou 62 pessoas em Vinhedo.

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Relembre o acidente da Voepass
O acidente da Voepass aconteceu em 9 de agosto de 2024 e foi o mais grave da aviação brasileira desde o desastre da TAM, em 2007. O voo decolou de Cascavel (PR) às 11h56 e seguia para Guarulhos (SP). Segundo dados de monitoramento de voo, o avião começou a perder altitude por volta das 13h21, pouco antes de cair em Vinhedo.
A tragédia matou todas as 62 pessoas a bordo e mobilizou equipes de resgate, forças de segurança e autoridades aeronáuticas. Desde então, o caso é investigado em duas frentes: a apuração técnica do Cenipa e o inquérito da Polícia Federal, que busca identificar se houve crimes e eventual responsabilização de pessoas pela queda.

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