O acidente de domingo (26) na praça de pedágio da Rodovia Governador Adhemar Pereira de Barros (SP-340), que matou o motorista de 24 anos, continua repercutindo e uma das dúvidas é sobre a dinâmica da batida, principalmente porque o veículo “voou” e bateu na cobertura da estrutura.
Imagens de câmeras de segurança mostram o motorista perdendo o controle da direção e o carro atingindo uma pilastra estrutural da praça de pedágio antes de subir e acertar a cobertura do local. O condutor foi arremessado do veículo.
Uma análise realizada pelo professor de Física da Unicamp, Leandro Tessler, especialista em análise do deslocamento de sólidos, concluiu que o carro envolvido no acidente trafegava a pelo menos 140 km/h antes da frenagem.
Segundo o professor, a estimativa da velocidade foi obtida por meio da análise quadro a quadro das imagens registradas pelas câmeras de monitoramento. Para os cálculos, foi considerado que o veículo pesava aproximadamente uma tonelada.
Motorista freou antes do choque
De acordo com Tessler, as imagens mostram que o motorista chegou a frear antes de atingir a estrutura.
“No vídeo dá para ver que ele está desacelerando, que está reduzindo a velocidade, de forma que, na hora em que decola, o veículo está a mais ou menos 70 quilômetros por hora. Ou seja, ele perde metade da velocidade freando”, explicou.
Com base nessa desaceleração, o professor concluiu que o carro trafegava a cerca de 140 km/h antes da frenagem.
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Como o carro foi lançado
A análise também explica como o veículo foi arremessado após sair da pista.
Segundo o especialista, o carro atingiu uma cunha de contenção existente na praça de pedágio. Embora possa parecer uma rampa, a estrutura tem a função de redirecionar veículos que saem da trajetória.
“É uma cunha com um ângulo de mais ou menos 40 graus e essa cunha foi o que fez o carro decolar. Se não tivesse nada pelo caminho, ele voaria até uns oito metros de altura. Só que, aos 4,5 metros, o carro se chocou com a viga, perdeu velocidade, transferiu a energia para a estrutura, quebrando parte dela, e caiu logo em seguida”, afirmou.

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Especialista descarta falha na estrutura
Leandro Tessler ressaltou que a mureta de concreto que impulsionou o veículo faz parte do projeto de segurança da praça de pedágio e não representa um erro de engenharia.
Segundo ele, a estrutura foi projetada para redirecionar veículos que eventualmente saiam da pista, desde que trafeguem dentro da velocidade prevista para o local.
“A praça de pedágio não é um local onde os carros devem se aproximar em alta velocidade. O motorista certamente estava errado, pois não podia se aproximar de uma praça de pedágio nessa velocidade. Foi muita sorte ele não ter atingido outros carros e a própria cabine de pedágio”, disse.

Redução de velocidade é sinalizada antes do pedágio
Na SP-340, a velocidade máxima permitida é de 110 km/h. No entanto, ao se aproximarem da praça de pedágio, os motoristas encontram sinalização orientando a redução gradual da velocidade até o limite de 40 km/h nas cabines automáticas.
Em nota, a Renovias informou que todas as praças de pedágio contam com placas de advertência instaladas a partir de dois quilômetros de distância, repetidas a um quilômetro e novamente na entrada da praça.
A concessionária afirmou ainda que há redução progressiva dos limites de velocidade — de 80 km/h para 60 km/h e, por fim, para 40 km/h —, além de sinalização horizontal indicando as pistas de cobrança automática, placas orientando a distância mínima de 30 metros entre os veículos e painéis eletrônicos que informam a velocidade praticada pelos motoristas.

A empresa reforçou a importância de respeitar a velocidade regulamentada, especialmente na aproximação das praças de pedágio, além de evitar o uso do celular ao volante e nunca dirigir sob efeito de bebidas alcoólicas.
Corpo foi liberado para familiares
De acordo com o boletim de ocorrência, a família do motorista mora em Pernambuco. Por isso, uma tia ficou responsável pelos trâmites para a liberação do corpo no Instituto Médico Legal (IML) de Campinas.
O sepultamento da vítima ocorreu às 10h desta segunda-feira (27), em Jaguariúna.
Relembre o caso
Um motorista de 24 anos morreu após bater o carro contra uma pilastra da praça de pedágio localizada no km 123,5 da Rodovia Governador Adhemar Pereira de Barros (SP-340), em Campinas, no sentido Mogi Mirim, na manhã de domingo (26). O acidente destruiu parte da cobertura do pedágio, interditou quatro cabines e deixou outras duas pessoas com ferimentos leves.
Imagens de câmeras de segurança registraram o momento da batida. No vídeo, é possível ver o veículo chegando em alta velocidade, atravessando a praça de pedágio sem reduzir, subindo sobre uma das muretas de concreto e sendo lançado contra uma viga de sustentação da cobertura. Com o impacto, parte da estrutura desabou, e motoristas que aguardavam para pagar a tarifa deram marcha à ré para escapar dos destroços.

Segundo o boletim de ocorrência, o motorista já havia sido registrado anteriormente pela polícia por realizar a mesma manobra que resultou no acidente.
De acordo com o documento, ele costumava tentar cortar veículos na aproximação das cabines de pedágio para evitar a fila. Neste domingo, ao repetir a manobra, perdeu o controle da direção, atingiu um dos pilares da estrutura e foi arremessado para fora do veículo.
Motoristas relataram momentos de desespero
No momento do acidente, dois motoristas realizavam o pagamento da tarifa nas cabines 16 e 17 quando ouviram um forte estrondo e viram a estrutura desabar sobre os veículos.
“Parei na plataforma do pedágio, entreguei o cartão para a atendente e ela começou a cobrar quando, repentinamente, veio um barulho intenso atrás. Vi o telhado desabando sobre o meu carro. Depois descobrimos que um carro passou voando por cima do nosso. A telha começou a cair e houve gritaria dentro do carro, mas consegui dar ré aos poucos com a ajuda dos outros motoristas”, relatou José Sampaio, que teve o veículo atingido por parte da cobertura.

O carro que estava na cabine ao lado sofreu danos ainda maiores com a queda da estrutura.
“Ouvi uma explosão e um barulho enorme. A estrutura veio toda abaixo sobre o carro. Naquele momento, só consegui pedir para minha família sair do veículo enquanto tudo desmoronava”, contou José Demétrio, outro motorista que estava na praça de pedágio.
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