O Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos) investiga as causas da queda de um avião de pequeno porte que matou um piloto de 25 anos na tarde desta quarta-feira (29), na Rodovia Luiz Gonzaga de Amoedo Campos, na zona rural de Mogi Mirim.
A aeronave caiu por volta das 16h30 e pegou fogo com o impacto. O piloto, que era o único ocupante, morreu carbonizado.
As causas do acidente ainda não foram confirmadas e serão apontadas apenas após a conclusão da investigação conduzida pelo Cenipa.
O avião envolvido no acidente era um ultraleve modelo Conquest, da fabricante Donald Stipanich, classificado pela Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) como uma aeronave experimental. A classificação, no entanto, não significa que a aeronave fosse insegura. Entenda mais abaixo o que caracteriza um avião experimental e quais eram as restrições de operação do modelo.
Cenipa analisa destroços para identificar o que provocou a queda
Logo após o acidente, equipes da Polícia Civil, da Polícia Científica e do Cenipa estiveram no local para realizar os primeiros levantamentos.
Segundo a FAB (Força Aérea Brasileira), nesta etapa inicial da investigação os técnicos coletam dados, verificam os danos causados à aeronave e reúnem outras informações relevantes sobre a ocorrência.
Todo esse material servirá de base para as próximas fases da investigação, cujo objetivo é identificar os fatores que contribuíram para o acidente e, se necessário, emitir recomendações de segurança para prevenir novas ocorrências.
Além da investigação aeronáutica, a Polícia Civil também apura o caso.
Segundo a delegada Emília de Oliveira Araújo, quando as equipes chegaram ao local a aeronave ainda estava em chamas e o Corpo de Bombeiros atuava no combate ao incêndio.
“Ao chegarmos no local a aeronave estava incendiada e o Corpo de Bombeiros apagava o fogo, mas infelizmente havia uma pessoa carbonizada. A Polícia Científica compareceu no local. Nós vamos investigar a razão dessa queda e também será investigada pelos órgãos responsáveis por investigar quedas de avião”,
afirmou.
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Hipótese de “parafuso chato”
Segundo testemunhas e também de acordo com o presidente do Clube de Voo de Mogi Mirim, Walmir da Silva, o avião teria entrado em “parafuso chato” antes da queda.
De acordo com ele, esse movimento acontece quando a aeronave perde velocidade e altitude, entra em perda de sustentação e passa a girar em torno do próprio eixo até atingir o solo.
Apesar do relato, essa hipótese ainda não foi confirmada e faz parte dos elementos que serão analisados pelo Cenipa durante a investigação.
Rajadas de vento foram registradas, mas relação com o acidente não foi comprovada
No horário aproximado do acidente, por volta das 16h30, a Defesa Civil de Mogi Mirim registrou rajadas de vento de até 60,5 km/h no município.
No entanto, não é possível afirmar que as condições do tempo tenham contribuído para a queda da aeronave. A influência da ventania, assim como outros fatores, será avaliada pelos investigadores.
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Avião era experimental
A aeronave que caiu era um ultraleve modelo Conquest, da fabricante Donald Stipanich, fabricado em 2004, conforme cadastro da Anac.
O avião era classificado como experimental, mas isso não significa que fosse inseguro. Aeronaves dessa categoria normalmente não são produzidas em larga escala e, para operar, precisam cumprir todos os requisitos técnicos exigidos pela Anac.
No caso do avião acidentado, tratava-se de uma aeronave proibida de realizar operações comerciais, serviços aéreos ou voos de instrução.
O modelo possuía dois assentos, capacidade para até 650 quilos, sendo um lugar destinado ao piloto e outro ao passageiro.

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Aeronave havia sido abastecida antes da decolagem
Segundo o proprietário da escola de aviação Sport Pilot, Gerson Martinez, o avião havia sido abastecido antes da decolagem.
De acordo com ele, foi colocado um volume de combustível superior ao normalmente utilizado em voos locais.
O empresário afirmou que não sabe o motivo da decisão, mas cogitou que a medida pudesse estar relacionada às condições climáticas.
“Pra ter um pouco mais de segurança caso tenha de fazer uma arremetida, ter de ir pra outro aeroporto. E, segundo o cara que abasteceu, após a decolagem parece que ele perdeu o controle da aeronave, entrou em atividade anormal e veio a se acidentar.”
Piloto era instrutor de voo e gestor de segurança operacional

A vítima foi identificada como Leonardo Bezerra Pinheiro, de 25 anos, natural de Guarulhos e morador de Itapira. Ele completaria 26 anos no próximo mês.
Leonardo era instrutor de voo e gestor de segurança operacional da escola de aviação Sport Pilot, que funciona dentro do Clube de Voo de Mogi Mirim.
Ele trabalhava na empresa havia dois anos.
Segundo o proprietário da escola, apesar da pouca idade, Leonardo era considerado um piloto experiente, reconhecido pelo profissionalismo e estava com toda a documentação regularizada.
“Ele trabalhava conosco havia dois anos, era um piloto muito profissional e eu nunca havia visto nenhum erro. A documentação estava em ordem”,
afirmou Gerson Martinez.
Leonardo era o único ocupante da aeronave no momento do acidente.
*Com informações de André Luís Rosa/EPTV Campinas
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