O avião de pequeno porte que caiu e matou o piloto Leonardo Bezerra Pinheiro, de 25 anos, nesta quarta-feira (29), em Mogi Mirim, era classificado pela Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) como experimental. Isso significa que a aeronave não passou pelo mesmo processo de certificação exigido para aeronaves convencionais, mas não quer dizer, necessariamente, que fosse inseguro (entenda mais abaixo).
O acidente aconteceu por volta das 16h30, na Rodovia Luiz Gonzaga de Amoedo Campos, na zona rural do município. O avião caiu a cerca de 700 metros da pista do aeroporto de Mogi Mirim e pegou fogo com o impacto. Leonardo, que era o único ocupante da aeronave, morreu carbonizado.
As causas do acidente ainda são desconhecidas e são investigadas pelo Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos). A Polícia Civil também apura o caso.
O que significa um avião experimental?
A classificação de uma aeronave como experimental não significa, necessariamente, que ela seja mais perigosa do que um avião certificado.
Segundo o piloto Enio Beal Júnior, que possui 40 anos de experiência na aviação, já pilotou aeronaves experimentais e foi piloto da FAB (Força Aérea Brasileira), a principal diferença está no processo de certificação.
“Um avião dito experimental recebe essa classificação porque ele não passou pelos mesmos processos de certificação de uma aeronave certificada. Existem diferentes níveis, inclusive, de certificação.”
Ele explica que isso não torna automaticamente a aeronave insegura.
“A pergunta que fica é: um avião experimental é mais perigoso do que um avião certificado? Não necessariamente. Ele pode obedecer às mesmas regras, mas não passou por todos esses critérios de certificação que exigem que ele comprove determinados requisitos.”
Para facilitar o entendimento, Enio Beal Júnior compara a situação à de um carro mais antigo, que não possui itens de segurança como airbags nem passou pelos mesmos testes de impacto dos modelos mais novos. Segundo ele, isso não significa que o veículo seja necessariamente mais perigoso, mas que o outro oferece um nível maior de segurança.
“Nós podemos comparar, por exemplo, com um carro mais antigo, que não tem airbag. Ele é mais perigoso do que outro carro que tem vários airbags, passou por crash test e diversos ensaios? Eu não diria que ele é mais perigoso, mas o outro é mais seguro. Essa é uma boa comparação para entendermos o que é uma aeronave experimental frente a uma aeronave certificada.”
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Como era o avião que caiu em Mogi Mirim?
A aeronave envolvida no acidente era um ultraleve modelo Conquest, da fabricante Donald Stipanich, fabricado em 2004, conforme cadastro da Anac.
O modelo possuía dois assentos, capacidade para até 650 quilos e era destinado ao piloto e a um passageiro.
De acordo com o cadastro da Anac, a aeronave era proibida de realizar operações comerciais, serviços aéreos e voos de instrução.
Cenipa recolhe peças e investiga causas da queda
Técnicos do Cenipa estiveram no local do acidente na manhã desta quinta-feira (30) para dar continuidade à investigação.
Durante os trabalhos, foram recolhidas peças da aeronave, realizadas medições e coletadas evidências, que serão encaminhadas para laboratórios em São José dos Campos (SP) e Brasília (DF).
As análises buscarão identificar se houve algum tipo de pane mecânica que possa ter contribuído para o acidente.
Além disso, as condições meteorológicas também serão avaliadas, assim como outros fatores relacionados ao voo.
Os investigadores também devem entrevistar a pessoa responsável pelo abastecimento da aeronave, além de pessoas que tiveram contato com o piloto e com o avião antes da decolagem no aeroporto de Mogi Mirim.
Segundo a FAB, nessa fase inicial da investigação são coletados dados, avaliados os danos causados à aeronave e reunidas informações relevantes sobre a ocorrência.
A investigação do Cenipa não tem prazo para ser concluída. O objetivo é identificar os fatores contribuintes do acidente e, se necessário, emitir recomendações de segurança para prevenir novos acidentes, sem apontar culpados.
Polícia Civil também apura o caso
Além da investigação aeronáutica, a Polícia Civil também instaurou inquérito para apurar o acidente.
Segundo a delegada Emília de Oliveira Araújo, quando as equipes chegaram ao local, a aeronave ainda estava em chamas e o Corpo de Bombeiros realizava o combate ao incêndio.
“Vamos investigar para ver a causa juntamente com o órgão responsável se foi realmente um acidente ou se teve alguma causa externa”,
afirmou.
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Hipótese de “parafuso chato” será analisada
Uma das hipóteses levantadas por testemunhas e pelo presidente do Clube de Voo de Mogi Mirim, Walmir da Silva, é que a aeronave tenha entrado em um “parafuso chato” antes da queda.
Segundo ele, esse movimento ocorre quando o avião perde velocidade e altitude, entra em perda de sustentação e passa a girar em torno do próprio eixo até atingir o solo.
“Vem rodando até cair no chão, mesmo com o motor acelerado, não consegue recuperar mais.”
Apesar do relato, essa hipótese ainda não foi confirmada e será analisada durante a investigação do Cenipa.

Rajadas de vento também serão avaliadas
No horário aproximado do acidente, por volta das 16h30, a Defesa Civil de Mogi Mirim registrou rajadas de vento de até 60,5 km/h no município.
Entretanto, não há confirmação de que as condições meteorológicas tenham contribuído para a queda da aeronave. A influência da ventania faz parte dos fatores que serão avaliados pelos investigadores.
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Avião havia sido abastecido antes da decolagem
Segundo Gerson Martinez, proprietário da escola de aviação Sport Pilot, a aeronave havia sido abastecida antes da decolagem.
De acordo com ele, foi colocado um volume de combustível superior ao normalmente utilizado em voos locais.
O empresário afirmou que não sabe o motivo da decisão, mas acredita que a medida possa ter sido tomada por causa das condições do tempo.
“Pra ter um pouco mais de segurança caso tenha de fazer uma arremetida, ter de ir pra outro aeroporto, mas não tenho certeza desse motivo. E, segundo o cara que abasteceu, após a decolagem parece que ele perdeu o controle da aeronave, entrou em atividade anormal e veio a se acidentar.”
A pessoa responsável pelo abastecimento deverá ser ouvida pelos investigadores do Cenipa.
Quem era o piloto?

A vítima foi identificada como Leonardo Bezerra Pinheiro, de 25 anos, natural de Guarulhos e morador de Itapira. Ele completaria 26 anos no próximo mês.
Leonardo era instrutor de voo e gestor de segurança operacional da escola de aviação Sport Pilot, localizada dentro do Clube de Voo de Mogi Mirim.
Ele trabalhava na empresa havia dois anos, ajudou na formação de diversos pilotos e se preparava para ingressar na aviação comercial.
Segundo Gerson Martinez, apesar da pouca idade, Leonardo era considerado um piloto experiente, reconhecido pelo profissionalismo e estava com toda a documentação regularizada.
“Ele trabalhava conosco havia dois anos, era um piloto muito profissional e eu nunca havia visto nenhum erro. A documentação estava em ordem”,
afirmou.
Leonardo era o único ocupante da aeronave no momento do acidente. Segundo o proprietário da escola de aviação, o piloto não informou qual seria o objetivo do voo.
*Com informações de André Luís Rosa/EPTV Campinas
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