A gasolina premium é a alternativa para os proprietários de carros mais antigos e importados, que podem ser prejudicados pela gasolina com mistura de 32% de etanol (E32). A nova mistura passa a valer a partir e hoje, mas só para a gasolina comum e para a aditivada.
A medida, estabelecida pela resolução do conselho nacional de política energética (cnpe nº 9/2026), tem caráter excepcional e temporário. Ela substitui o antigo percentual de 30% por 180 dias, podendo ser prorrogada por mais seis meses. A mudança afeta todo o território nacional e exige atenção especial de quem não possui veículos com tecnologia flex.
O refúgio no combustível mais caro
Diante desse cenário que pode durar até um ano, caso a medida seja prorrogada, a gasolina premium surge como a alternativa mais garantida. Esse combustível mantém a especificação E25, ou seja, preserva a mistura de 25% de etanol anidro, conforme as regras estabelecidas para esse nicho. A gasolina premium não tem mudanças na mistura de etanol desde julho de 2007.
As gasolinas comum e aditivadas têm maior percentual de etanol desde março de 2015, quando passaram a ter 27,5% de etanol. Há exatamente um ano, em 1º de agosto de 2025, a mistura passou a 30% de etanol.
A gasolina premium é consideravelmente mais cara, com preços que variam entre R$ 8 e R$ 10. Inclusive, a Agência Nacional de Petróleo e Gás (ANP), mantém um levantamento semanal de preços dos combustíveis em todo o Brasil, mas este levantamento só contempla as gasolinas comum e aditivada, além do etanol hidratado. Gasolina premium e etanol aditivado não têm acompanhamento.
Também é mais difícil encontrar gasolina premium fora dos grandes centros urbanos, e mesmo assim pode ser difícil encontrá-la em postos fora de áreas nobres. Esta gasolina com menos etanol garante a integridade mecânica de motores calibrados para queimar a gasolina com especificação de décadas atrás. Carros importados e modelos de coleção sem preparação para trabalhar com tanto etanol tendem a sofrer mais.
Especialistas indicam que o maior percentual de álcool pode atacar os componentes de borracha e plástico do sistema de injeção, deteriorando mangueiras, retentores, bicos injetores e o filtro de combustível com muito mais rapidez.
Na prática, o motorista pode notar os efeitos no comportamento do carro mesmo que não tenha defeito. O sintoma inicial costuma ser a dificuldade na partida a frio, seguida por uma marcha lenta instável e perda perceptível de potência nas acelerações. Além da resposta mais áspera do motor, a eletrônica embarcada pode interpretar a mistura rica em etanol como uma anomalia. Neste caso, o sistema de diagnóstico acende a luz de injeção no painel de instrumentos, acusando falha na leitura.
Na tentativa de fugir dos preços mais altos, alguns proprietários recorrem a receitas de internet para reduzir a proporção de álcool do tanque por conta própria, usando água para separar os compostos. Essa prática não apenas deixa de resolver o problema, como é duramente condenada por engenheiros. O combustível adulterado em casa pode destruir peças essenciais do sistema de emissões, como a sonda lambda e o catalisador. No fim das contas, a conta da oficina supera largamente qualquer suposta economia.
Por que o governo aumentou a mistura de etanol na gasolina?

O aumento da proporção de álcool anidro na gasolina tenta atender a uma demanda de adequação de estoques. A decisão reconhece o volume já produzido pelo setor sucroalcooleiro, exigindo adaptação rápida de toda a cadeia de abastecimento. Para o consumidor, a principal preocupação passa a ser a preservação da mecânica do carro e a alteração no consumo, especialmente para veículos que não foram desenvolvidos para queimar uma gasolina com tanto etanol.
A expectativa do setor sucroalcooleiro é de uma redução de até 2% no preço da gasolina nas refinarias. Na prática, essa diferença representa apenas alguns centavos e dificilmente chegará ao bolso do consumidor final. Movimentações no custo de transporte, margens das distribuidoras e dos postos, além da variação do preço do petróleo, tendem a anular esse repasse na bomba.
Além de não garantir economia na hora de encher o tanque, a gasolina E32 piora o rendimento do veículo. Como o etanol possui menor poder calorífico que a gasolina, o consumo em km/l será menor. O motorista será obrigado a realizar reabastecimentos mais frequentes, o que anula qualquer vantagem financeira inicial sugerida pela mudança da regra.
A ANP esclarece que as demais especificações de qualidade da gasolina permanecem inalteradas. O número de octano pesquisa (ron), por exemplo, continua fixado em 94,0, conforme previa a regulamentação anterior, obrigando as refinarias a ajustarem a base fóssil para compensar a octanagem extra do etanol.
Quando começa a fiscalização nas bombas?
Para evitar o colapso do abastecimento, o governo estabeleceu uma regra de transição para o escoamento dos estoques antigos de gasolina. A fiscalização só aplicará autuações e medidas cautelares de interdição após um período de tolerância, que varia de acordo com o elo da cadeia e a região do país.
Para as distribuidoras de combustíveis, os prazos de adequação são os seguintes:
- 15 dias nas regiões sul, sudeste, centro-oeste e nordeste;
- 30 dias na região norte.
Para os postos revendedores, o período de tolerância para adequação das bombas é um pouco maior:
- 30 dias nas regiões sul, sudeste, centro-oeste e nordeste;
- 60 dias na região norte.
Esses prazos diferenciados para o norte do brasil reconhecem as particularidades logísticas e os tempos de transporte mais longos exigidos pela geografia da região. O consumidor, contudo, deve ficar atento desde já ao comportamento do seu carro ao abastecer nas próximas semanas.
