A Nissan voltou a registrar lucro no primeiro trimestre do ano fiscal 2026-2027, interrompendo uma sequência de dois anos de prejuízos. O resultado indica que o plano de reestruturação impulsionado pelo CEO Ivan Espinosa começa a surtir efeito, mas a marca ainda precisa lidar com a queda nas vendas globais e a ofensiva das fabricantes chinesas.
No ano fiscal anterior, a fabricante acumulou perdas de US$ 3,4 bilhões (cerca de R$ 17,3 bilhões, na conversão direta). Agora, o cenário mudou. No primeiro trimestre atual, a empresa obteve um lucro operacional de US$ 492,2 milhões (R$ 2,51 bilhões), com o lucro líquido subindo US$ 24,1 milhões (R$ 123 milhões).
O desempenho positivo surge pouco mais de um ano após Espinosa assumir o comando da empresa. Recentemente, a situação era tão delicada que analistas cogitavam o fim da marca, e investidores chegaram a especular o retorno de Carlos Ghosn, ex-CEO que fugiu do Japão após acusações de corrupção.
A diferença fica clara na comparação com o mesmo período do ano fiscal 2025-2026. Naquela época, a Nissan havia registrado prejuízo operacional de US$ 502 milhões (R$ 2,56 bilhões). Em apenas um ano, a montadora conseguiu uma reversão de quase US$ 1 bilhão (R$ 5,1 bilhões) no resultado operacional. O executivo já havia adiantado que o plano estratégico “Re:Nissan” estava adiantado, embora exigisse concessões dolorosas.

Apesar do alívio nos cofres, a situação ainda exige cautela por parte da empresa. O volume de vendas e as entregas globais continuam em queda, um problema que precisa ser resolvido no curto prazo. Além disso, a fabricante lida com as tarifas de importação, os conflitos no Irã e a perda de espaço no mercado para as marcas chinesas.
Outro fator de risco é o recente terremoto em Kumamoto, na ilha de Kyushu, no Japão, que pode forçar a montadora a reduzir o ritmo de produção em suas fábricas na região.
Para sustentar a rentabilidade, a Nissan concentra suas fichas no mercado norte-americano, onde as vendas e a produção já apresentam viés de alta. A estratégia também envolve o lançamento de modelos inéditos e reestilizações, além de maior atenção à Infiniti, sua divisão de luxo. A fabricante também tenta acompanhar a velocidade de desenvolvimento das concorrentes chinesas utilizando ferramentas de inteligência artificial.

A renovação também passará pelo Brasil, com a chegada de novos modelos. A Nissan já confirmou o lançamento do X-Trail e-Power, SUV médio que chegará às concessionárias até o fim do ano e a empresa tem testado dois outros carros nas ruas brasileiras: o sedã elétrico N7 e a picape híbrida plug-in Frontier Pro. Embora estes dois não tenha sido confirmados oficialmente, Espinosa comentou anteriormente que a fabricante vai aproveitar mais os produtos desenvolvidos na China, inclusive na América do Sul.
