Funcionários da OpenAI podem levar diretamente à liderança problemas internos que dificultam o trabalho, por meio do endereço friction@openai.com. A prática, revelada pela Fortune em reportagem publicada na terça-feira, 11, permite que relatos sobre falhas em sistemas, processos ineficientes e até problemas de infraestrutura sejam avaliados pela liderança da empresa e, em casos considerados relevantes, cheguem ao CEO Sam Altman ou ao presidente Greg Brockman.
O mecanismo ganhou força no fim de 2025, quando Fidji Simo assumiu o cargo de CEO de Aplicações da OpenAI. Durante os primeiros três meses na empresa, Simo realizou uma série de conversas com funcionários para identificar problemas e entender como reduzir entraves ao trabalho.
smart_display
Nossos vídeos em destaque
A executiva passou a estabelecer processos mais rigorosos para acompanhar os relatos enviados ao endereço e colocou Irina Kofman, vice-presidente de iniciativas estratégicas e operações, responsável pelo monitoramento da caixa de entrada. Simo deixou a OpenAI no início de julho para se dedicar à saúde e à sua startup na área de saúde.
Canal busca reduzir burocracia
Segundo a Fortune, a liderança passou a usar o canal para identificar problemas que poderiam atrasar equipes inteiras. Em um dos casos, funcionários pediram mudanças na distribuição de créditos de API para tornar o processo mais confiável e escalável. Em outro, a empresa criou um projeto-piloto para priorizar vagas de estacionamento para funcionários com deslocamentos mais longos. As solicitações são avaliadas pela liderança e, quando consideradas suficientemente importantes, podem receber a intervenção direta de Altman ou Brockman.
A lógica por trás do sistema é reduzir pequenas dificuldades antes que elas se transformem em problemas maiores. “As empresas raramente se tornam burocráticas de repente”, disse Simo à Fortune. “Isso acontece uma reunião desnecessária, uma aprovação extra, uma pequena frustração de cada vez. Cada uma delas torna o trabalho apenas 1% ou 2% mais difícil, e é por isso que são fáceis de ignorar, mas esses atritos se acumulam”. A empresa também passou a publicar atualizações mensais no Slack (plataforma de comunicação e colaboração empresarial baseada em canais) sobre os problemas relatados e o andamento das soluções.
Funcionários e ex-funcionários, porém, têm avaliações diferentes sobre o efeito do mecanismo. Um ex-funcionário entrevistado pela Fortune considerou o sistema uma forma eficiente de permitir que qualquer pessoa leve problemas diretamente à liderança. “É uma coisa boa, literalmente qualquer pessoa pode reclamar diretamente para o Sam sobre as besteiras da empresa e eles podem tomar providências”, disse.
Outro ex-líder de equipe afirmou ter recebido “dezenas” de relatos e disse que a prática podia gerar novas ineficiências ao interromper equipes já sobrecarregadas. “A pessoa que reporta o problema provavelmente acha que é a coisa mais importante do mundo, mas para equipes como a minha, que estão constantemente sobrecarregadas, com poucos recursos e com excesso de responsabilidades, é a coisa mais prejudicial que se pode fazer”, afirmou.
O modelo ganhou relevância enquanto a OpenAI acelera a expansão e a disputa com concorrentes no desenvolvimento de inteligência artificial (IA). A empresa espera superar 8 mil funcionários até o fim de 2026, segundo a Fortune, e mantém uma cultura de trabalho marcada por alta pressão e longas jornadas.
A prática também remete a um mecanismo conhecido da Amazon: quando uma reclamação de cliente enviada ao e-mail de Jeff Bezos era considerada relevante, o fundador podia encaminhá-la à equipe responsável com apenas um ponto de interrogação, sinalizando que o caso deveria ser investigado e resolvido com prioridade. Na OpenAI, a lógica é semelhante, mas aplicada a problemas internos.
