O atendimento e as consultas médicas foram os principais motivos de reclamação na Ouvidoria de Campinas no primeiro semestre de 2026. Juntas, as duas categorias concentraram 1.718 queixas entre janeiro e junho, o equivalente a 35,4% de todas as 4.855 reclamações registradas no período.
O problema ganhou força principalmente no segundo trimestre. As reclamações classificadas como “Atendimento” passaram de 467 entre janeiro e março para 543 entre abril e junho, uma alta de 16,3%. A categoria sozinha respondeu por 1.010 reclamações no semestre e chegou a representar quase uma em cada quatro queixas no segundo trimestre.
Já as reclamações sobre consultas médicas ficaram praticamente estáveis, mas em um patamar elevado: foram 350 no primeiro trimestre e 358 no segundo, totalizando 708 registros.
Os dados fazem parte dos relatórios trimestrais da Ouvidoria Municipal publicados no Diário Oficial de Campinas.
Saúde concentra maior volume de manifestações
A Secretaria Municipal de Saúde foi o órgão mais acionado pela Ouvidoria nos dois trimestres, com 1.335 encaminhamentos no primeiro e 1.422 no segundo. No semestre, foram 2.757.
A Rede Mário Gatti recebeu outros 654 encaminhamentos, sendo 322 no primeiro trimestre e 332 no segundo.
Somados, os dois órgãos ligados à Saúde receberam 3.411 encaminhamentos nos seis primeiros meses do ano, mais da metade do total registrado pela Ouvidoria nessa distribuição.
É importante destacar que esse número não significa 3.411 reclamações sobre a Saúde. A classificação por órgão reúne diferentes tipos de manifestações, como reclamações, denúncias, elogios, sugestões e solicitações.
Ainda assim, a concentração ajuda a dimensionar o peso da área entre as demandas apresentadas pelos moradores.
A Prefeitura atribui parte desse volume ao tamanho da rede. Segundo a administração, a Saúde concentra a maior gama de serviços assistenciais e, consequentemente, também registra a maior produtividade do município.
No segundo trimestre, a rede municipal realizou 2,36 milhões de atendimentos, sem considerar os serviços de urgência. As manifestações relacionadas à Secretaria de Saúde representaram, segundo a Prefeitura, 0,060% desse total.
Na Rede Mário Gatti, foram 461.686 atendimentos no período, e as manifestações representaram 0,072% da produção.

Reclamações sobre atendimento aumentam
O avanço das reclamações sobre atendimento chama atenção porque ocorreu mesmo com a redução do total de queixas registradas pela Ouvidoria no período.
Foram 2.490 reclamações no primeiro trimestre e 2.365 no segundo, queda de 5%. Na contramão, as reclamações de atendimento cresceram 16,3%.
A categoria, no entanto, não se restringe à área da Saúde. A Prefeitura explica que “Atendimento” reúne manifestações relacionadas ao serviço prestado ao cidadão por todas as áreas da Administração Municipal. A maior parte das queixas, segundo o município, está relacionada à qualidade do atendimento ou ao tempo de espera.
No segundo trimestre, 95,4% das manifestações classificadas como “Atendimento” foram resolvidas, de acordo com a Prefeitura.
A administração municipal afirmou ainda que investe na capacitação dos servidores para melhorar a qualidade do serviço prestado à população.
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Falta de profissionais faz reclamações de “Recurso Humano” dispararem
Outro movimento que chama atenção nos relatórios é o aumento das reclamações classificadas como “Recurso Humano”.
A categoria praticamente dobrou entre os trimestres: passou de 102 para 195 registros, uma alta de 91,2%. Com isso, saltou da oitava para a quarta posição entre os assuntos mais reclamados.
Segundo a Prefeitura, essas manifestações também podem envolver qualquer secretaria e a maioria está relacionada à falta de profissionais em determinado serviço.
Apesar do aumento, o município informa que 97,44% das queixas dessa categoria foram resolvidas. No primeiro semestre, a Prefeitura afirma ter contratado 498 novos servidores.
Reclamações sobre medicamentos caem pela metade
As reclamações relacionadas a medicamentos caíram de 163 no primeiro trimestre para 74 no segundo, uma redução de 54,6%. Com a queda, o tema passou da quinta para a nona posição entre os assuntos mais reclamados na Ouvidoria de Campinas.
A redução foi ainda maior entre as queixas sobre procedimentos administrativos, que passaram de 142 para 32 no período, uma queda de 77,5%.

Denúncias de assédio moral e sexual aumentam no segundo trimestre
As denúncias que estavam sob averiguação também cresceram entre os trimestres. Foram 83 no primeiro trimestre e 108 no segundo, aumento de 30,1%.
Entre elas, os registros classificados como assédio moral passaram de 8 para 22, alta de 175%.
Já as denúncias de assédio sexual saltaram de uma para 17 no mesmo período.
Os números mostram o aumento das manifestações registradas e classificadas pela Ouvidoria nessas categorias, mas não permitem concluir, isoladamente, que houve crescimento efetivo dos casos na administração municipal.
A categoria mais frequente continuou sendo a de irregularidade administrativa, que passou de 52 para 40 denúncias de um trimestre para o outro.
Ouvidoria melhora índice de resolução
Apesar do aumento em algumas categorias, a Ouvidoria apresentou melhora no índice geral de resolução das demandas.
A resolutividade passou de 92,59% no primeiro trimestre para 93,96% no segundo. Na prática, foram 3.048 encaminhamentos resolvidos no primeiro período e 3.047 no segundo, mesmo com uma pequena redução no total de encaminhamentos, de 3.292 para 3.243.
O número de casos em andamento também caiu 23,5%, de 817 para 625. Já o tempo médio para solucionar as demandas passou de 17 para 16 dias.
Segundo a Ouvidoria-Geral, as resoluções ocorrem, em geral, dentro do primeiro prazo oferecido, de 20 dias, e os órgãos municipais têm colaborado para melhorar os indicadores.
Na área da Saúde, especificamente, a Prefeitura informa que 96,34% das manifestações relacionadas à Secretaria de Saúde já haviam sido resolvidas. Na Rede Mário Gatti, a resolutividade informada foi ainda maior: 98,80%.

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O que diz a Prefeitura
Questionada sobre as manifestações relacionadas à área da Saúde, a Prefeitura informou que mantém investimentos na ampliação da estrutura e do quadro de profissionais.
Segundo o município, desde 2021 foram contratados 773 médicos, além de outros 1.936 profissionais de saúde e de diferentes cargos por meio de concursos públicos.
No mesmo período, foram inauguradas 13 novas unidades de saúde e realizadas 89 reformas de grande porte em unidades da rede. Atualmente, a ampliação do Centro de Saúde Ipê está em andamento.
A Prefeitura também informou que outras nove novas unidades estão previstas, entre elas a UPA Campo Belo, o Centro de Saúde Jambeiro, o Centro de Saúde 31 de Março e o CAPS 3 Sul.
Sobre as reclamações relacionadas ao atendimento, a administração municipal afirmou que investe na formação e qualificação dos servidores por meio de órgãos como a Escola de Governo e Desenvolvimento do Servidor (EGDS), o Centro de Educação dos Trabalhadores da Saúde (CETS) e o Centro de Formação, Tecnologia e Educação Profissional (Cefortep).
A Prefeitura também destacou que 95,4% das manifestações relacionadas à categoria “Atendimento” no segundo trimestre foram resolvidas.
O município ressaltou ainda que as manifestações registradas pela Ouvidoria não correspondem apenas a reclamações, mas incluem outros tipos de solicitações, como pedidos de esclarecimento. Também informou que um mesmo cidadão pode registrar mais de uma manifestação nos canais oficiais.
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