A Avenida José de Sousa Campos, mais conhecida como Norte-Sul, está entre os pontos de atenção de Campinas quando o assunto é excesso de velocidade. Um dos veículos flagrados pelos radares da via – um Porshe – chegou a 126 km/h, enquanto o limite permitido no trecho é de 60 km/h.
O caso aconteceu na madrugada do dia 4 de maio por volta da 1h07. O carro seguia no sentido Guarani/Taquaral. Vale destacar que a avenida tem aproximadamente 3,3 quilômetros de extensão e liga a Avenida Princesa D’Oeste (no entroncamento com o Viaduto Laurão) até a Avenida Júlio Prestes.
O registro faz parte de um levantamento da Emdec (Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas) que aponta o excesso de velocidade como a infração mais cometida na cidade. Entre janeiro e julho deste ano, foram 283.314 multas por esse motivo, o equivalente a 55% das 517.574 penalidades aplicadas no período.
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Mais de 5 mil passaram 50% acima do limite
Os casos considerados mais graves também chamam a atenção. Nos primeiros sete meses de 2026, os equipamentos de fiscalização eletrônica registraram 5.200 infrações de motoristas que trafegaram mais de 50% acima da velocidade permitida.
No mesmo período de 2025, foram quase 5,7 mil registros. Ao considerar todo o ano passado, Campinas teve 9,3 mil motoristas autuados por ultrapassar em mais de 50% o limite da via.
Além da Norte-Sul, outros flagrantes de velocidades elevadas foram registrados em diferentes pontos da cidade. Um veículo chegou a 106 km/h na Avenida José Amgarten, uma motocicleta atingiu 113 km/h na Avenida John Boyd Dunlop e um automóvel foi flagrado a 115 km/h na Avenida Moraes Salles.
Veja as multas por excesso de velocidade
Do total registrado neste ano, 246.961 motoristas foram autuados por trafegar até 20% acima do limite permitido. Outros 31.153 passaram entre 20% e 50% acima da velocidade regulamentada.
Já os 5.200 casos em que a velocidade ultrapassou 50% do limite são considerados infrações gravíssimas. A multa é de R$ 880,41 e gera sete pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH).
Segundo a Emdec, os limites de velocidade são definidos a partir de critérios como as características da via, o fluxo de veículos e pedestres e o histórico de sinistros.

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Velocidade está ligada a mortes no trânsito
O excesso de velocidade também aparece entre os fatores relacionados às mortes no trânsito em Campinas. Entre 2025 e 2026, 36 vidas foram perdidas em casos associados ao fator.
Em 2025, a velocidade foi o fator de risco que mais matou nas vias urbanas, com 32 casos fatais entre as 74 mortes registradas.
De acordo com a Emdec, a alta velocidade aumenta a distância necessária para o veículo parar, reduz o campo de visão do motorista e pode tornar mais graves as consequências de colisões e atropelamentos.
VIU ESSA? Médica com corpo paralisado volta a dar aulas com avatar de inteligência artificial

Com o corpo completamente paralisado e sem conseguir falar, uma médica de 55 anos encontrou na inteligência artificial uma forma de continuar exercendo a profissão. A psiquiatra Maria Inês Quintana, de Campinas, referência no tratamento do transtorno de personalidade borderline, passou a utilizar um avatar digital que reproduz sua imagem e sua voz para dar aulas e palestras.
A tecnologia foi apresentada nesta segunda-feira (17), durante um evento na sede da Unimed Campinas, na Avenida Barão de Itapura.
Maria Inês foi diagnosticada com Esclerose Lateral Amiotrófica em 2023. A doença neurodegenerativa provoca a perda progressiva dos movimentos e, no caso da médica, a evolução foi rápida. Atualmente, ela não consegue falar, nem movimentar o corpo e se comunica apenas por meio dos olhos.
A síndrome não afeta o cérebro, a visão ou a audição. Mesmo com as limitações provocadas pela doença, a pessoa continua enxergando, ouvindo e compreendendo o que acontece ao seu redor. É justamente para permitir que ela continue utilizando esse conhecimento que foi criado o Projeto ExtensIA.
No Brasil, são registrados cerca de dois casos a cada 100 mil habitantes, o equivalente a aproximadamente 2 mil novos diagnósticos por ano.

Como a inteligência artificial ajuda a médica?
O avatar foi desenvolvido a partir de um acervo de vídeos, palestras, aulas, imagens e áudios de Maria Inês registrados antes da doença. A tecnologia reproduz sua aparência e sua voz, permitindo que conteúdos preparados por ela sejam apresentados de forma digital.
Para produzir uma aula ou responder a uma pergunta atualmente, a médica utiliza um computador adaptado e um sistema de rastreamento ocular. Ela seleciona as letras na tela apenas com os olhos, mas o processo é lento: cada letra pode levar cerca de três segundos para ser lida.
A tecnologia deve ser incorporada à rotina da paciente, que atualmente se comunica por meio dos movimentos dos olhos. Um sistema identifica para onde ela direciona o olhar e permite a seleção de letras para a formação de palavras e frases.
“Ela olha para a letra A, fixa o olho e consegue digitar a letra A. É lento, mas ela consegue formar textos incríveis”, explicou Eduardo Barros, CEO da Workia.
Segundo o psiquiatra Fabio Gastal, o objetivo é usar a tecnologia também para preservar a autonomia e a qualidade de vida da paciente.
“O importante para nós é devolver a alegria de viver e ficar viva fazendo o que ela sempre gostou mais, que é trabalhar”, afirmou.
Com o avatar, a intenção é diminuir o desgaste provocado por esse processo e permitir que Maria Inês volte a participar de atividades acadêmicas e profissionais.
Projeto quer permitir retorno aos atendimentos
O avatar que já está funcionando é a primeira etapa do Projeto ExtensIA. A iniciativa também prevê o desenvolvimento de outras ferramentas para ampliar a atuação profissional da médica.
Uma delas deverá auxiliar Maria Inês em atividades de coordenação acadêmica. Outra, considerada mais complexa, pretende criar um avatar capaz de participar de interações em tempo real, com possibilidade de uso em aulas, orientações e atendimentos.
Nesse caso, a médica continuaria acompanhando e supervisionando as interações, utilizando os movimentos dos olhos para transmitir comandos à tecnologia.
A expectativa é que as novas etapas sejam desenvolvidas até o fim de 2026. A partir de 2027, os responsáveis pelo projeto pretendem avaliar a possibilidade de levar a tecnologia a outras pessoas com doenças neurodegenerativas e limitações motoras.

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