Embora os escorpiões sejam responsáveis pelo maior número de acidentes com animais peçonhentos em Campinas, nenhuma morte causada pelo animal foi registrada na cidade na série histórica desde 2015. No mesmo período, quatro pessoas morreram após acidentes com outros animais: três envolvendo abelhas e uma por aranha.
Os dados fazem parte de um painel interativo lançado nesta quinta-feira (27) pela Secretaria Municipal de Saúde. A ferramenta reúne informações sobre acidentes com escorpiões, aranhas, lagartas, abelhas e serpentes e permite consultar os registros por ano, região, idade, sintomas e partes do corpo atingidas.
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Segundo a prefeitura, os números apontam uma tendência de crescimento dos acidentes com animais peçonhentos nos últimos dez anos.
No caso das mortes provocadas por abelhas, os registros envolveram ataques em massa, com centenas de picadas. Já a morte associada a aranha ocorreu após uma complicação decorrente da lesão causada pela picada.
“Os acidentes que evoluíram a óbito foram provocados por abelhas africanizadas e aranha do gênero Loxosceles, conhecida popularmente como aranha-marrom”, explicou a bióloga Heloísa Malavasi, da Secretaria Municipal de Saúde.
Segundo ela, acidentes com aranha-marrom são menos frequentes, mas podem evoluir para quadros graves.
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Casos aumentam no calor e na chuva
O painel também mostra que os acidentes se concentram principalmente nos meses mais quentes e chuvosos, entre a primavera e o início do outono.
Segundo Heloísa, temperaturas mais altas e aumento das chuvas interferem no comportamento dos animais.
“Entre setembro e março, da primavera ao início do outono, é um período associado a temperaturas mais altas e maior pluviosidade”, afirmou.
Além do aumento da reprodução de insetos e aracnídeos, a chuva pode desalojar escorpiões de seus esconderijos e aumentar a possibilidade de contato com pessoas.
“Nesse período há um aumento na reprodução dos insetos e aracnídeos, como aranhas e escorpiões. Além disso, com as chuvas, os escorpiões podem ser desalojados, podendo aumentar o número de acidentes”, explicou.
Mãos e pés são mais atingidos
Dor e inchaço no local estão entre os sintomas mais frequentes registrados em picadas de escorpiões e outros animais. Mãos e pés são as partes do corpo mais atingidas, segundo a Secretaria de Saúde.
A recomendação é adotar medidas simples de proteção em atividades que envolvam contato com jardins, entulho ou outros locais onde esses animais possam se esconder.
“Fazer uma atividade no jardim usando luva e sapato fechado já previne a ocorrência de acidentes”, orientou Heloísa.
Os dados mostram ainda que 6,5% dos acidentes ocorreram durante atividades de trabalho. Jardineiros, pedreiros e catadores de materiais recicláveis estão entre as ocupações mais frequentes nesses registros.
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Crianças exigem atenção especial
Segundo a Secretaria de Saúde, acidentes com animais peçonhentos podem apresentar maior gravidade em crianças de até 10 anos.
No caso de picada de escorpião em crianças, a orientação é procurar diretamente uma unidade que tenha disponibilidade de soro.
Em Campinas, os locais de referência são:
- Hospital de Clínicas da Unicamp;
- Complexo Hospitalar Ouro Verde.
Para adultos e demais situações, a orientação é buscar a unidade de saúde mais próxima. A necessidade de aplicação do soro é definida de acordo com o quadro clínico, com orientação do Centro de Informação e Assistência Toxicológica (Ciatox) da Unicamp.
“A maioria dos acidentes não precisa do soro. Mesmo entre os acidentes graves, não são todos que vão precisar do soro, então, precisa ter esse monitoramento”, explicou a bióloga.
Como evitar acidentes
No caso dos escorpiões, a Secretaria de Saúde afirma que não existe um método químico que garanta a eliminação dos animais. A principal estratégia é impedir a entrada deles nas casas e eliminar locais que possam servir de abrigo ou alimento.
Entre as recomendações estão:
- colocar proteção em ralos;
- vedar frestas e espaços sob portas;
- evitar acúmulo de lixo e entulho;
- manter quintais e ambientes organizados;
- usar luvas e calçados fechados ao mexer em jardins e materiais acumulados.
“Fechar ralo e colocar barreira física debaixo de porta vai funcionar para vários animais, como aranhas, escorpiões, baratas e até roedores”, afirmou Heloísa.

Novo painel
O painel lançado pela prefeitura reúne registros desde 2015 e permite consultar os acidentes por tipo de animal, ano, região de residência, centro de saúde de referência, faixa etária, sexo, sintomas e parte do corpo atingida.
Segundo a Secretaria de Saúde, a ferramenta também poderá ser utilizada pelos próprios profissionais da rede para identificar regiões com maior número de ocorrências e desenvolver ações de prevenção.
O lançamento faz parte da Semana Estadual de Enfrentamento do Escorpionismo, realizada entre os dias 24 e 28 de agosto.
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