O Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DoJ) corrigiu um comunicado oficial na sexta-feira (28) e escreveu que órgãos do governo federal foram alvos de ações cibernéticas ligadas à China, e não vítimas de invasões bem-sucedidas em todos os casos.
A embaixada da China em Washington contestou as acusações e declarou que os EUA usam o tema da cibersegurança para “difamar ou desacreditar a China”, além de se opor ao que chamou de ampliação indevida do conceito de segurança nacional para prejudicar empresas chinesas.
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A retificação das autoridades norte-americanas ocorreu após o órgão divulgar a apreensão de domínios e a desativação de plataformas operadas pelo grupo hacker QTFY, associado à empresa privada Nanjing Xinjiuwei Network Technology Co.
Em nota oficial, o DoJ explicou o ajuste: “Foram feitas edições para garantir que este comunicado de imprensa reflita com precisão as alegações do governo na declaração juramentada em apoio às apreensões de domínios”.
Segundo os documentos judiciais, a menção original tratava instituições de peso como vítimas diretas, mas a investigação apontou que apenas uma parcela sofreu comprometimento real de sistemas. Entre os alvos listados estão a Nasa, o Federal Reserve, o Senado dos Estados Unidos, o Departamento de Energia e o próprio Departamento de Justiça.
Casos na Nasa e ação do FBI
Em um dos incidentes analisados pelo FBI, uma tentativa de invasão contra a Nasa não teve êxito porque a agência espacial aplicou correções preventivas no software visado. Por outro lado, a declaração juramentada apontou invasões confirmadas em laboratórios nacionais do Departamento de Energia e em divisões de saúde em setembro de 2024.
O procurador-geral dos EUA, Todd Blanche, defendeu a ação policial contra a infraestrutura usada pelos operadores.
“Hackers maliciosos apoiados por governos estrangeiros que atacam a infraestrutura crítica dos Estados Unidos serão parados e processados. Estamos aqui para garantir a segurança da população e usaremos todas as ferramentas disponíveis para cumprir essa promessa”, afirmou.
De acordo com o relatório da Black Lotus Labs, divisão de inteligência em ameaças da empresa Lumen Technologies, o QTFY atuava como um fornecedor de infraestrutura para espionagem. O grupo desenvolveu ferramentas como a QScan, voltada para escanear e infectar aparelhos conectados à internet, e a QTRouter, utilizada para camuflar a origem dos acessos e misturar o tráfego criminoso ao tráfego legítimo de redes locais.
Com a execução das ordens judiciais, os endereços centrais usados pelas ferramentas ficaram fora do ar, o que neutralizou o funcionamento dos programas e limitou a capacidade de ocultação de novas ofensivas.
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