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Review: Dragon Quest VII Reimagined resgata clássico em RPG charmoso, mas longe de ser perfeito

por SampaNews 3 de fevereiro de 2026
3 de fevereiro de 2026
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Os fãs de Dragon Quest estão muito bem servidos nos últimos anos, apesar da incessante espera pelo décimo segundo capítulo principal da franquia. Além dos excelentes remakes dos três primeiros jogos da série, que adotaram uma apaixonante estética HD-2D nas plataformas modernas, agora chegou a vez de Dragon Quest VII Reimagined resgatar o clássico infame do PSOne, apostando em uma série de melhorias para deixar a experiência mais palatável.

Diferente dos títulos anteriores, este novo lançamento introduz um estilo visual totalmente repaginado em 3D, com modelos de personagens artesanais, digitalizados a partir de bonecos de verdade, e cenários que lembram pequenos dioramas. O resultado é um RPG recheado de charme e muito satisfatório de jogar — embora ainda sinta o peso de algumas decisões de design questionáveis.

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Como cortesia da Square Enix, o Voxel teve a oportunidade de testar a versão completa do jogo antecipadamente e conta, nas linhas a seguir, como foi a experiência com Dragon Quest VII Reimagined. Vale lembrar que ele chega em 5 de fevereiro com versões para PC, PS5, Xbox Series X|S e Nintendo Switch. Confira:

Reconstruindo um mundo fragmentado

A estrutura básica de Dragon Quest VII foi mantida neste relançamento. Os jogadores assumem o controle do filho de um pescador na pequena e pacífica cidade portuária de Pilchard, na isolada região de Estard. Por muito tempo, este era o único continente de que se tinha conhecimento no mundo inteiro, mas logo o protagonista e seus melhores amigos, o príncipe Kiefer e a filha do prefeito de Pilchard, Maribel, em um ímpeto por aventuras, descobrem um misterioso santuário que os transporta para ilhas de um passado distante e cujos destinos foram ceifados por influência do Rei Demônio.

Desta forma, o grupo passa a viajar no tempo para enfrentar monstros e resolver problemas em cidades e ilhas que deixaram de existir, restaurando-as no presente. Cada ilha é como um pequeno conto autocontido e que ajuda a montar o grande quebra-cabeça que é o mundo do jogo. A progressão é medida pela coleta de dezenas de tabuletas de pedra que podem ser encontradas pelos cenários, funcionando como chaves para liberar novos portais de viagem temporal e restaurar novas localidades.

A travessia pelo mundo de Dragon Quest VII se dá pela coleta de tabuletas de pedra, que juntas abrem portais para o passado. Foto: Reprodução/Bruno Magalhães

Após ajudar a população local no passado, o jogador precisa revisitar as novas ilhas que surgem no presente para entender como suas ações afetaram aquele povo e encontrar novos itens-chave. Tudo é tratado com uma inocência aventuresca que é intrínseca das obras de Akira Toriyama e de outros jogos da série, então não espere um enredo muito elaborado. Além disso, o volume de pequenas histórias acaba fazendo com que os personagens encontrados pelo caminho não tenham muita permanência — ou seja, são facilmente esquecíveis.

Por conta disso, Dragon Quest VII também é conhecido por ser um jogo muito longo. Isso ainda é verdade na nova versão, e eu atribuo a culpa à necessidade de coletar as diversas tabuletas de pedra. Embora tenha passado por otimizações no roteiro, o ritmo ainda é bastante arrastado. Ainda que o tom da aventura seja divertido e guarde pequenas surpresas, é inevitável pensar que várias das ilhas visitadas são tapa-buracos, enquanto uma minoria tem um impacto mais significativo no arco principal da história.

Melhorias de qualidade de vida justificam a jogatina por si só

Dragon Quest VII Reimagined introduziu várias melhorias de gameplay e qualidade de vida que o tornam um RPG muito mais agradável de jogar. A principal delas é deixar de lado os encontros aleatórios com inimigos. Seja em calabouços ou no World Map, os jogadores conseguem ver todos os inimigos andando pelo cenário e têm liberdade para evitá-los. Caso o grupo esteja forte o bastante, também é possível atacá-los de antemão e eliminá-los sem entrar em um combate, ganhando um pouco menos de experiência.

Outro ponto muito positivo é a liberdade de personalizar a quantidade de experiência e ouro por batalha, o dano aplicado e recebido dos inimigos e até mesmo velocidade das batalhas. Se você quiser mais desafio, basta aumentar a força dos monstros e reduzir tanto o dano aplicado a eles quanto o tanto de experiência recebida, por exemplo. O melhor de tudo: é possível personalizar esses parâmetros a qualquer momento do jogo.

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Os combates de Dragon Quest VII Reimagined estão mais dinâmicos e divertidos do que nunca. Foto: Reprodução/Bruno Magalhães

Durante os testes, houve momentos em que eu queria aumentar apenas o nível da vocação dos meus personagens para destravar habilidades, mas sem ganhar muita experiência de batalha para não subir demais o nível dos personagens em si e desbalancear a dificuldade. Bastou uma rápida visita ao menu de opções para ajustar a experiência ao que eu queria naquela situação. Isso é especialmente útil agora que o jogo traz a opção de equipar duas vocações simultaneamente, facilitando a tarefa de evoluí-las. O grind não é obrigatório, mas, caso o jogador queira fazê-lo, Dragon Quest VII Reimagined deixa a tarefa muito mais aprazível.

As animações de combate também estão muito fluidas, dando um ritmo constante aos confrontos. Antes mesmo de um inimigo voltar ao seu posto após um ataque, o jogador já tem liberdade para realizar sua ação. Por isso, são raros os momentos em que não há nada acontecendo na tela. Uma mudança pequena, mas que também ajuda no ritmo dos combates, é que grupos de inimigos do mesmo tipo tendem a atacar todos juntos, dispensando a necessidade de que cada um tenha o seu próprio turno. Toda a interface de menus também está muito mais fácil de navegar, além de haver uma opção de combate automático para que não seja preciso pensar muito em lutas mais repetitivas.

Na prática, são várias pequenas mudanças que refinam a jogatina e tornam Dragon Quest VII Reimagined a melhor forma de experienciar o clássico da Square Enix nos dias de hoje. Sem querer chover no molhado, os visuais também são lindíssimos e acentuam o carisma dos designs icônicos de Akira Toriyama. Os monstros estão muito bonitinhos e bem-animados, sempre reservando surpresas a cada novo confronto.

O que mais me incomodou em Dragon Quest VII Reimagined

O tempo que passei com Dragon Quest VII Reimagined foi muito agradável e bem-aproveitado, mas foi difícil ignorar alguns problemas estruturais. O mais estarrecedor, a meu ver, aconteceu por volta das 40 horas de jogatina.

Assim como em outros títulos de Dragon Quest, o jogo traz Mini Medalhas colecionáveis que concedem recompensas cumulativas muito generosas a cada cinco coletadas. Em teoria, elas são opcionais. O problema é que o jogo achou de bom tom segurar um item essencial para a progressão como parte dessas recompensas — no caso, uma tabuleta de pedra.

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As Mini-Medalhas são colecionáveis encontrados em vasos, gavetas, armários e baús pelo mundo do jogo. Foto: Reprodução/Bruno Magalhães

Isso travou a minha progressão na história em um momento em que os seus desdobramentos estavam começando a se desenrolar. Eu precisaria coletar 50 Mini Medalhas para conseguir a tabuleta de pedra, sendo que eu havia coletado cerca de 30 até aquele momento — e explorando bastante, no meu tempo. 

O jogo traz uma lista com as regiões em que as Mini Medalhas estão escondidas, mas sem um indicativo claro. É preciso abrir baús, gavetas, armários e quebrar vasos de plantas e barris para encontrá-las. Isso é chato e maçante a partir do momento em que vira uma obrigação. 

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Dragon Quest VII Reimagined é mais um lançamento da Square Enix que não inclui a opção de legendas em português do Brasil. Foto: Reprodução/Bruno Magalhães

Outro detalhe que me incomodou bastante foram os textos em inglês. Para além do fato de o jogo não ter localização em português do Brasil, os textos em inglês têm o péssimo hábito de retratar dialetos de maneira exagerada, como uma forma de demonstrar que “estamos visitando outras regiões do mundo” do jogo. Desta forma, os diálogos ficam muito caricatos e até mesmo ofensivos. Por muitos momentos, eu preferi prestar atenção na dublagem em japonês a torrar neurônios para tentar entender o que estava escrito nos textos em inglês.

Por fim, também faz falta a presença de roupinhas diferentes para as vocações dos personagens. Eles sempre mantêm as vestes originais, independente da classe em que estiverem atuando. Tendo em vista o quanto que o jogo é bonito e carismático, seria perfeito se o time de desenvolvimento tivesse dado essa atenção aos personagens. Muitas vezes, a classe que equipamos pode não combinar com o estilo visual do personagem e isso causa bastante estranhamento.

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Dragon Quest VII Reimagined não é perfeito, mas dá nova vida ao clássico do PSOne em uma experiência recheada de melhorias e conveniências. Foto: Divulgação/Square Enix

Vale a pena?
 

Apesar do seu conteúdo inchado e história arrastada, Dragon Quest VII Reimagined conquista pelo charme dos seus visuais e melhorias de qualidade de vida que tornam seu gameplay muito satisfatório. A possibilidade de mudar parâmetros como ganho de experiência e dano também abre caminho para que veteranos e principiantes consigam encontrar sua própria forma de se divertir.

Muitos dos problemas de design do título original ainda estão presentes aqui, mas o jogo consegue balancear a experiência com suas novas conveniências. No fim das contas, o saldo é positivo e o jogo pode ser uma porta de entrada para essa que é uma das franquias mais prolíficas do mundo dos videogames.

Nota do Voxel: 75

Pontos positivos (prós):

  • Visuais lindíssimos;
  • Combate divertido e repleto de melhorias;
  • Liberdade para personalizar parâmetros do gameplay a qualquer momento;
  • Design de criaturas irretocável.

Pontos negativos (contras):

  • Ritmo da narrativa ainda é bastante arrastado;
  • Decisão de travar item-chave da história como recompensa de colecionáveis;
  • Textos em inglês com dialeto caricato para representar diferentes povos;
  • As vocações não têm visuais exclusivos;
  • Falta de localização em português do Brasil.

Este review de Dragon Quest VII Reimagined foi possível graças a uma cópia de review antecipada fornecida pela assessoria de imprensa da Square Enix. O jogo chega oficialmente em 5 de fevereiro para PC, PS5, Xbox Series X|S, Nintendo Switch e Nintendo Switch 2. Uma versão de demonstração também está disponível nas lojas digitais das plataformas.

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