
O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmou nesta terça-feira (10) que o segundo mandato do presidente Donald Trump enxerga uma grande oportunidade para redesenhar as relações dos EUA com a América Latina, combinando instrumentos de poder econômico e militar para influenciar rumos políticos na região.
“Eu acho que esta é uma oportunidade geracional”, disse Bessent, durante evento promovido pelo BTG Pactual, em São Paulo.
Segundo ele, governos latino-americanos interessados em adotar políticas mais pró-mercado teriam sido negligenciados durante a administração Barack Obama, o que, na visão do secretário, teria representado uma chance perdida de maior aproximação econômica.
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Bessent citou a Argentina como um dos principais exemplos da atuação americana recente. O Tesouro dos EUA ofereceu apoio econômico ao então candidato Javier Milei durante o período eleitoral, em meio ao que ele classificou como tentativas de desestabilização promovidas por forças ligadas ao kirchnerismo.
“O presidente Trump o endossou, e havia tentativas de usar forças de mercado para fazer com que ele perdesse apoio”, afirmou. Segundo Bessent, o suporte econômico ajudou a atravessar o período eleitoral, que classificou como “notavelmente bem-sucedido”, com desempenho acima do esperado nas urnas.
Ao falar sobre o Brasil, Bessent afirmou que, após um início “acidentado”, Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva estabeleceram uma “boa relação pessoal”.
“Os mercados costumam reagir primeiro à possibilidade de boas políticas, com uma reprecificação, e depois pode haver volatilidade. Caberá aos governos entregar”, afirmou. Apesar disso, disse estar otimista com a região e reforçou que os EUA querem apoiar países latino-americanos que adotem políticas consideradas responsáveis.
O presidente Lula, acompanhado de uma delegação brasileira, deverá se encontrar com Trump e sua equipe econômica e comercial em Washington na primeira semana de março. A expectativa do governo é destravar pontos que ainda ficaram pendentes do acordo que suspendeu a maior parte das tarifas contra o Brasil.
Sobre demais países da região, Bessent disse que a intervenção e a extradição de Nicolás Maduro na Venezuela evidenciaram a força militar dos EUA, e que autoridades que hoje comandam o país estariam cooperando com Washington para levar a “eleições livres e justas”.
O secretário também afirmou ver sinais de retomada em outros países da região, citando o Chile, após um período que classificou como de “insanidade temporária”, e a Bolívia, que, segundo ele, buscaria retornar ao sistema econômico internacional após décadas de políticas socialistas.
Dólar, economia e Fed
Bessent afirmou que a política de “dólar forte” do governo Trump não se refere a intervenções diretas no câmbio, mas ao fortalecimento dos fundamentos da economia americana para atrair capital. O secretário disse não ver fraqueza estrutural do dólar, atribuindo movimentos recentes mais à recuperação e às reformas em outras economias do que a uma perda de protagonismo da moeda americana como reserva global.
Sobre a economia americana, o secretário do Tesouro afirmou que o governo Trump busca evitar que os EUA entrem em um cenário de estagnação semelhante ao europeu, marcado por alto endividamento, aumento de impostos e baixo crescimento.
Ao comentar a escolha de Kevin Warsh para liderar o Federal Reserve, Bessent disse que o governo buscava um presidente do Fed com “mente aberta”, e não alguém comprometido com uma agenda prévia de juros. Ele afirmou que Warsh reúne experiência macroeconômica e familiaridade com tecnologia, o que seria relevante diante do avanço da inteligência artificial.
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