Quem se interessa pelo universo de bases, batons e máscaras para cílios já esbarrou com o termo “maquiagem blindada”. No Brasil, terceiro maior mercado de beleza e cuidados pessoais do mundo, essa tendência ajudou a impulsionar o crescimento de uma empresa que surgiu no interior de Santa Catarina, em Brusque, a Kohll.
Em 2025, a empresa faturou R$ 17 milhões. A expectativa para 2026, contudo, é de alcançar R$ 27 milhões de faturamento. “Vamos começar a exportação para Dubai este ano. Será um hub de distribuição para chegar na Índia e em outros países da Ásia”, afirma Helo Bertolini, cofundadora e CEO da empresa.
Com 66 funcionários internos, a empresa produz, hoje, 69 SKUs e investe em tecnologia e embalagem. “Vi que existia uma lacuna no mercado brasileiro: as bases não tinham um cuidado com o perfume, as embalagem era práticas, mas feias, em caixas de plástico”, relembra Bertolini. E complementa: “Hoje, ninguém conseguiria nos alcançar por causa do nosso investimento em tecnologia. Eu tenho uma estrutura muito grande e uma marca muito forte, sinônimo de luxo. Até a criação da Kohll, não tinha uma base nacional de 200 reais que as pessoas compravam”, diz.
A marca começou sua produção em 2021, com o desenvolvimento feito em parceria com empresas especializadas. “Procuramos matérias-primas diferentes, colocamos detalhes nas embalagens e na fragrância. Tivemos vários problemas na fabricação porque não havia dinheiro para fazer grandes importações de ingredientes, mas conseguimos reverter”, afirma.
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Com investimento em ações orgânicas e com maquiadores, a marca foi convidada para fazer a beleza em alguns desfiles das semanas de moda em Paris e Nova York. “Essa ‘publicidade’ aumentou a demanda de venda internacional. Fomos vistos como a marca da beleza brasileira com alta resistência, que permite que os modelos consigam trocar de roupa sem transferir parte da maquiagem”, afirma.
Hoje, 20% do faturamento da empresa em seus mais de 2.800 pontos de vendas vem de fora do Brasil. O plano é aumentar esse percentual. “A beleza brasileira é muito desejada lá fora. Nossa fauna e flora é muito interessante e, além dessa riqueza, a pele dos brasileiros é muito variada. Se o produto funciona aqui, para os brasileiros, nesse calor, funciona em qualquer lugar”, afirma a executiva. Ela diz ainda que não tem intenção de levar a fabricação para fora: “Fabrico tudo no Brasil porque eu levo o nosso nome”.

Da falência para a fábrica própria
O empreendedorismo estava no sangue de Helo Bertolini. Sua família era comerciante do ramo de decoração mas, quando ela tinha 13 anos, seus pais faliram e se separaram. “Ainda adolescente, comecei a trabalhar em lojas de roupas e aprendi a trabalhar com o mercado de luxo. Essa experiência foi muito importante para a criação da Kohll”, diz.
Depois de tentar empreender como decoradora e sem muito talento para isso (“eu não consigo colocar um vaso no lugar”), Helo foi trabalhar em um salão de cabeleireiro e, para fazer uma primeira viagem ao exterior, pegou dinheiro emprestado com um vizinho. Para pagar o empréstimo, Helo comprou maquiagens para revender no salão. “Vendi tudo em poucos dias. E pensei: ‘opa! Tem uma possibilidade aí!”, relembra.
Com a chance de fazer uma renda extra, Helo foi para o Paraguai e Panamá e revendia os produtos que trazia de porta em porta. A renda extra virou o sustento e Helo ficou quatro anos vendendo de porta em porta, enquanto começou a criar conteúdo e aprender sobre a indústria de maquiagens. “Passei até a dar consultoria para agências que trabalhavam com grandes marcas sobre as embalagens e os produtos. Foi daí que eu tirei o insight de criar uma marca nacional de maquiagem que se parecesse com o que tinha lá fora”, afirma.
Agora, após uma mudança na sociedade, o próximo passo para a empresa está na produção. A Kohll já investiu R$ 6 milhões na construção de uma nova fábrica que terá 2.300 metros quadrados. “Isso não quer dizer que vamos verticalizar toda a produção. Tenho diversos parceiros que investem no negócio junto comigo. Quando faço um contrato para um fabricante terceirizado, ele se compromete a investir no maquinário e eu me comprometo a uma produção de 10 anos. Nossa fábrica própria não vai acabar com essas produções, pelo contrário. Vai criar novas demandas”, afirma.
Mais recentemente, a Kohll deu um novo passo na sua estratégia de crescimento ao anunciar uma parceria com a Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA) como a nova patrocinadora da seleção brasileira de Nado Artístico. A parceria contempla a cessão de maquiagens desenvolvidas especialmente para alta resistência à água, reforçando a preparação e a apresentação das atletas em competições nacionais e internacionais.
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