Em outubro, os eleitores voltarão às urnas para escolher presidente, governadores, deputados e também senadores — cargo com mandato de oito anos e papel decisivo em temas institucionais e econômicos. Mas, na prática, o que faz um senador e quanto ele recebe?
O Senado compõe o Congresso Nacional ao lado da Câmara dos Deputados, mas funciona sob lógica distinta. Enquanto deputados têm mandatos de quatro anos e representam a população de forma proporcional ao tamanho dos Estados, cada unidade da federação e o Distrito Federal elegem três senadores, independentemente da população. A renovação ocorre a cada quatro anos, alternando 1/3 e 2/3 das cadeiras.
Além de atuar na análise e votação de projetos de lei, o Senado exerce funções exclusivas que o colocam como peça-chave na engrenagem institucional. Cabe à Casa julgar processos por crime de responsabilidade, que podem ocasionar em um impeachment, contra o presidente da República, ministros de Estado, integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF) e o procurador-geral da República.
Também é atribuição dos senadores aprovar indicações para o STF, para a chefia da Procuradoria-Geral da República e para a diretoria do Banco Central por meio de sabatinas.
Na área fiscal, o Senado tem peso direto sobre a organização das finanças públicas. A Casa autoriza operações de crédito externas da União, Estados e municípios, define limites da dívida consolidada dos entes federativos e trata de garantias da União em empréstimos. Também participa da votação do Orçamento anual e do Plano Plurianual, ao lado da Câmara.
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Quanto ganha um senador?
Em 2026, o subsídio bruto mensal de um senador é de R$ 46.366,19 — valor equivalente ao teto constitucional do funcionalismo público, conforme a Lei nº 14.520/2023. O montante é o mesmo pago a ministros do STF, ministros de Estado e ao presidente da República.
Sobre esse valor incidem descontos de Imposto de Renda e contribuição previdenciária, o que reduz o valor líquido recebido. Os dados individuais podem ser consultados no Portal da Transparência do Senado.
Além do salário, o cargo inclui benefícios. Senadores que não utilizam apartamento funcional podem solicitar auxílio-moradia de R$ 5.500. Há ainda a chamada cota parlamentar, destinada ao ressarcimento de despesas vinculadas à atividade legislativa, verba para passagens aéreas entre o Estado de origem e Brasília, equipe com até 12 servidores comissionados, plano de saúde extensivo a familiares e ajuda de custo equivalente a um salário no início e no fim do mandato. O cargo também dá direito a passaporte diplomático.
Prerrogativas e restrições
A Constituição assegura aos senadores inviolabilidade por opiniões, palavras e votos no exercício do mandato. Desde a diplomação, eles só podem ser presos em flagrante de crime inafiançável, com posterior análise da Casa. O julgamento de eventuais crimes comuns ocorre no STF.
Por outro lado, há limitações. Parlamentares não podem firmar contratos com empresas públicas ou sociedades de economia mista, nem exercer funções remuneradas em empresas que mantenham contratos com o poder público.
Como funciona a aposentadoria?
Até a reforma da Previdência de 2019 (Emenda Constitucional nº 103), a aposentadoria dos congressistas seguia as regras do Plano de Seguridade Social dos Congressistas (PSSC), criado pela Lei nº 9.506/1997. As mudanças elevaram a idade mínima para 62 anos (mulheres) e 65 anos (homens), além de exigir pedágio de 30% sobre o tempo de contribuição restante.
Novos parlamentares que não estavam vinculados ao plano passaram a seguir as regras gerais do INSS ou, se forem servidores licenciados, o regime próprio da categoria.
Com poder decisório que atravessa temas fiscais, institucionais e judiciais, o Senado combina mandato longo, prerrogativas amplas e remuneração no teto do funcionalismo. A cada eleição, o peso dessa cadeira volta ao centro da disputa política.
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