A Ypê iniciou o processo de retomada das linhas de produção que estavam paralisadas desde o início de maio em seu complexo industrial de Amparo. Após receber autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a empresa estima que as unidades voltem a operar com capacidade total em até uma semana.
O maior parque fabril da companhia reúne oito unidades produtivas. Duas delas — responsáveis pela fabricação de detergentes, lava-roupas líquidos e desinfetantes — estavam com as atividades suspensas desde 7 de maio. As demais continuaram funcionando normalmente durante o período.
Retomada será gradual
Antes de reiniciar a produção, a empresa deu início a um processo de limpeza e sanitização das áreas afetadas. Segundo a companhia, a retomada ocorrerá de forma progressiva para garantir que todos os protocolos de qualidade e segurança sejam cumpridos.
“Eu preciso fazer isso de maneira cadenciada, para manter um critério de organização e limpeza adequado. À medida que essa semana vai passar, eu vou retomando linha após linha, até que ao final dessa semana, início da semana que vem, nós pretendemos ter as duas fábricas já na sua capacidade máxima”, afirmou o diretor-executivo de operações da Ypê, Eduardo Beira.
Fábrica passou por adequações
Durante o período de paralisação, alguns setores do complexo industrial receberam melhorias. Entre as mudanças estão a renovação de uma sala destinada ao manuseio de matérias-primas para detergentes, com nova pintura, substituição de móveis e instalação de utensílios de inox.
A empresa também adquiriu um equipamento para monitoramento do corante utilizado na fabricação dos produtos.
Com a decisão da Anvisa, a produção, comercialização e distribuição de detergentes, lava-roupas líquidos e desinfetantes com final de lote 1 voltam a ser permitidas para itens fabricados a partir de 1º de abril de 2026.
Por outro lado, permanece em vigor a suspensão da venda, distribuição e utilização dos produtos com final de lote 1 produzidos até 31 de março de 2026.
“É importante que os nossos consumidores se atentem a isso, para que a partir da data de fabricação de 1º de abril, já possa ser consumido e comercializado de maneira normal. À medida que nós formos apresentando os novos laudos dos produtos anteriores a 1º de abril, nossa expectativa é que a gente vai conseguir liberar também outros produtos”, destacou Beira.
A expectativa da empresa é que, com a apresentação de novos testes e laudos técnicos, mais lotes produzidos antes de abril possam ser liberados futuramente.
Produção de produtos da Ypê foi suspensa em maio
A produção, comercialização e distribuição de detergentes, lava-roupas líquidos e desinfetantes identificados pelo final de lote 1 estavam suspensas desde 7 de maio por determinação da Anvisa.
Com a nova decisão, a agência também autorizou o uso dos produtos fabricados a partir de 1º de abril de 2026.
Já a suspensão do comércio, da distribuição e do uso dos produtos de lote final 1 fabricados até 31 de março de 2026 permanece em vigor – veja a lista aqui.
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Troca e ressarcimento continuam
Mesmo após a autorização para retomada da produção, a Ypê manterá o programa de troca ou ressarcimento dos produtos que seguem proibidos.
A Anvisa orientou que esses itens não sejam utilizados nem descartados.
“Esses produtos devem permanecer armazenados em local seguro e não serem descartados. Sua liberação ocorrerá à medida em que a empresa apresentar laudos de laboratórios autorizados pela Anvisa”,
informou o órgão.

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Fiscalização apontou adequações
A autorização foi concedida após inspeção realizada entre quinta-feira (28) e sexta-feira (29) por técnicos da Anvisa, em conjunto com órgãos de vigilância sanitária do Estado de São Paulo e do município de Amparo.
De acordo com a agência, foram constatadas adequações nas principais ações corretivas implementadas pela empresa desde a suspensão das atividades.
A Ypê apresentou um plano para atender 76 requisitos sanitários identificados durante uma inspeção conjunta realizada em abril.
Segundo a Anvisa, a fabricante também promoveu melhorias em processos produtivos e sistemas de controle.
“Verificamos que esta fábrica da Ypê já reúne as condições necessárias para operar com segurança e disponibilizar produtos sem risco sanitário para a população brasileira”,
afirmou o presidente da Anvisa, Leandro Safatle, durante visita às instalações.

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Maior complexo da empresa foi impactado
O complexo industrial da Ypê em Amparo é o maior da companhia e possui oito unidades de fabricação.
Duas delas — uma responsável pela produção de detergentes e outra dedicada a lava-roupas líquidos e desinfetantes — ficaram paradas desde 7 de maio. As demais continuaram operando normalmente.
Segundo a empresa, entre 450 e 500 trabalhadores foram diretamente afetados pela paralisação das linhas produtivas. Outros 3 mil profissionais ligados a setores como logística e transporte sofreram impactos indiretos.
Histórico de contaminação motivou suspensão
A decisão da Anvisa de suspender parcialmente as atividades da fábrica teve relação com um histórico de contaminação microbiológica registrado pela empresa em novembro de 2025.
Na ocasião, a fabricante realizou um recolhimento voluntário de lotes após identificar a bactéria Pseudomonas aeruginosa.
A inspeção que resultou na interdição ocorreu entre os dias 27 e 30 de abril deste ano e teve foco nas linhas de produtos líquidos, como lava-louças, lava-roupas e desinfetantes produzidos na mesma unidade.
Após suspensão e recolhimento, Ypê diz ter laudos que atestam segurança dos produtos e espera reverter decisão da Anvisa.
Apesar da conexão técnica entre os episódios, a Anvisa esclareceu que a decisão tomada em 2026 foi baseada nos achados da fiscalização realizada em abril, e não diretamente no caso registrado em 2025.

O que é a Pseudomonas aeruginosa
A Pseudomonas aeruginosa é uma bactéria comum no ambiente, encontrada no ar, na água, no solo e até mesmo na pele de pessoas saudáveis.
Classificada como um microrganismo oportunista, ela raramente provoca infecções em pessoas sem problemas de saúde, mas pode representar risco para indivíduos com o sistema imunológico comprometido.
Por esse motivo, os alertas emitidos pela empresa foram direcionados especialmente a pessoas imunossuprimidas, cuidadores e profissionais da área da saúde.
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