
O conselheiro de Donald Trump para o Brasil, Darren Beattie, pediu um encontro com o ministro do STF Kassio Nunes Marques para discutir o processo eleitoral brasileiro, informou a Folha de S.Paulo neste sábado (14).
Segundo o jornal, o magistrado havia concordado com a reunião, mas o encontro não chegou a ser marcado e não deve mais ocorrer depois que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva proibiu a entrada do assessor americano no país. Atual vice-presidente do TSE, Nunes Marques assumirá a presidência da Corte eleitoral em junho.
Lula adotou a medida com base em reciprocidade diplomática, como retaliação ao cancelamento, pelo governo Trump, dos vistos de ministros do STF e de integrantes do governo brasileiro. O presidente afirmou que Beattie não poderá entrar no Brasil enquanto os EUA não regularizarem a situação do visto do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e de sua família.
A viagem de Beattie ao Brasil já havia gerado tensão antes mesmo da informação revelada pela Folha. Alexandre de Moraes chegou a autorizar uma visita do assessor a Jair Bolsonaro na Papuda, marcada para 18 de março, das 8h às 10h, com presença de intérprete, após pedido da defesa do ex-presidente. Depois, porém, o ministro revogou a decisão.
A revogação ocorreu após o Itamaraty informar a Moraes que o visto de Beattie havia sido concedido exclusivamente para participação no Fórum Brasil-EUA de Minerais Críticos, marcado para 18 de março, em São Paulo, e para reuniões oficiais com representantes do governo brasileiro. A visita a Bolsonaro, de acordo com essa versão, não constava dos objetivos comunicados pelo governo americano.
Em ofício, o chanceler Mauro Vieira afirmou que “a visita de um funcionário de Estado estrangeiro a um ex-presidente da República em ano eleitoral pode configurar indevida ingerência nos assuntos internos do Estado brasileiro”. O ministro também sustentou que o pedido de visita ao ex-presidente não se enquadrava nos objetivos oficialmente informados pelo Departamento de Estado.
A preocupação no governo Lula não se limita ao caso Darren Beattie, mas ao temor de que a aproximação entre a gestão Donald Trump e o bolsonarismo seja usada para pressionar instituições brasileiras e contaminar a disputa de 2026. A Reuters informou que o Itamaraty classificou a tentativa de visita de Beattie a Jair Bolsonaro, em ano eleitoral, como possível “interferência” em assuntos internos do país.
Integrantes da cúpula do PT teriam passado a a ver iniciativas apoiadas por aliados de Trump, como a ofensiva americana para enquadrar facções brasileiras como organizações terroristas, como um primeiro movimento de influência sobre o debate eleitoral no Brasil.
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