
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou, na quarta-feira (11), que a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Senado para investigar os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, não será instaurada por ser “ilegal”. O pré-candidato à Presidência também definiu o autor da proposta, o senador Alessandro Vieira (MDB-SE), como um “grande hipócrita” por fomentar a implementação da CPI tendo conhecimento da inviabilidade. Vieira, por sua vez, questionou o porquê de Flávio estar “desesperado”.
Na segunda-feira, o pedido protocolado por Vieira já havia reunido o apoio de 35 senadores, oito a mais que o mínimo necessário. Nenhum parlamentar do PT assinou o pedido, ao contrário do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, que, apesar das críticas, foi um dos primeiros a endossar o requerimento.
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“Eu assinei, mas, com toda franqueza, o autor dela, o senador Alessandro Vieira, é um grande hipócrita. Ele faz esse tipo de pedido de CPI sabendo que não vai ser instaurada porque ela é ilegal. Você não pode instaurar uma CPI para investigar crimes comuns de pessoas. Então, ele faz para tirar uma onda”, afirmou Flávio, em entrevista concedida ao SBT News.
Poucas horas depois, por meio das redes sociais, Vieira reagiu. Em tom de ironia, ele questionou o “nervosismo” de Flávio com uma eventual CPI, além de alegar que o pré-candidato ao Palácio do Planalto, “por covardia ou conveniência”, protege os ministros do Supremo.
“Alguém consegue explicar porque o Flávio Bolsonaro ficou tão nervoso com uma CPI que vai investigar a conduta dos ministros Toffoli e Moraes? Que ele protege os ministros, por covardia ou conveniência, a gente já sabia desde 2019”, escreveu o senador. “Mas por que esse desespero tão grande agora?”, questionou.
A criação da comissão de inquérito, no entanto, depende do aval do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). O chefe da Casa Legislativa tem resistido a instalar uma CPI sobre o tema. Uma CPI mista para investigar o escândalo do banco Master também já tem assinaturas, mas está sem perspectiva de ser instalada.
‘Vai curtir o Mickey’
Ainda na segunda-feira, após o pedido para a abertura da CPI ser protocolado, quem criticou Vieira foi o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP). O irmão de Flávio sinalizou aos seus apoiadores que “não procurar saber de mais sobre a vida de um político” pode “gerar expectativas e frustrações”, em alusão à atuação do senador para criar o PL 2630/19, conhecido como “PL das Fake News”, proposta amplamente criticada por bolsonaristas.
“É como dizem os mais experientes: ‘quem não ouve cuidado, escutado coitado’. Atenção com Alessandro Vieira, poucos são tão cínicos e dissimulados como ele”, escreveu Eduardo, que também lembrou de declarações em que o senador chamou Bolsonaro de “político velho que não gosta de trabalhar”.
Vieira respondeu ironizando o fato de Eduardo estar nos Estados Unidos. Sua atuação em solo americano o tornou réu no STF por suspeita de articular sanções contra autoridades brasileiras e buscar pressionar e intimidar a Corte.
“Cara, vai surfar, curtir o Mickey ou coisa parecida. Deixa quem está trabalhando em paz. Vocês fizeram esse mesmo teatrinho em 2019 e o resultado todo mundo sabe. Seu irmão já assinou a CPI, foi a assinatura 29, já estamos em 35. Você já atrapalhou o Brasil demais, tá na hora de descansar”, escreveu Vieira.
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