
A Baidu, maior empresa de mecanismos de busca da China, frequentemente chamada de “Google chinês”, deve realizar um IPO da sua unidade de chips, Kunlunxin Technology, em Hong Kong ainda este ano. A informação é do diretor financeiro da companhia, Henry He, segundo reportagem do Wall Street Journal.
De acordo com o jornal, esse IPO faz parte de um plano de listagem dupla, que inclui também uma oferta no STAR Market, em Xangai, a bolsa de perfil tecnológico inspirada na Nasdaq. He afirmou em entrevista que o cronograma de separação e abertura de capital da Kunlunxin segue dentro do planejado, reforçando que a transação está caminhando de forma consistente.
A estratégia de desmembrar a unidade de chips tem como objetivo posicionar a Kunlunxin como um player mais “neutro” no mercado, o que, segundo o executivo, deve facilitar a atração de clientes externos que hoje podem enxergá‑la como excessivamente vinculada ao ecossistema da Baidu. Além disso, a listagem em bolsa é vista como um passo importante para sustentar os altos investimentos necessários em pesquisa, desenvolvimento e contratação de talentos especializados em semicondutores e inteligência artificial.
He destacou que a operação da Kunlunxin é financeiramente sólida e que o spin‑off não está sendo conduzido para aliviar pressão de caixa ou reduzir compromissos de investimento da Baidu. Pelo contrário, o movimento é apresentado como uma alavanca estratégica para reforçar o posicionamento da empresa na corrida global por tecnologias de IA e chips avançados.
Segundo o Wall Street Journal, o mercado tem acompanhado com atenção esse projeto, já que a Kunlunxin é considerada a peça central da tentativa da Baidu de se reposicionar como uma companhia de inteligência artificial, e não apenas como uma empresa de busca e publicidade online. Enquanto o negócio legado de anúncios e busca mostra sinais de fraqueza, as receitas vinculadas a IA têm crescido com força e ganhado peso dentro do faturamento total.
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Na avaliação de He, essa tendência deve continuar: as soluções de IA — em especial modelos de linguagem, serviços em nuvem e aplicações baseadas em chips proprietários — devem sustentar um crescimento saudável da receita do grupo nos próximos trimestres. Ele ressalta que a empresa vem construindo uma “trilha completa” de IA, indo desde o desenvolvimento de chips até grandes modelos de linguagem e aplicações de IA física (como robôs e dispositivos inteligentes).
Apesar disso, o executivo admite que há espaço para aprimorar o nível de inteligência e sofisticação dos grandes modelos de linguagem (LLMs) da companhia, em um cenário de competição acirrada com outras big techs e startups de IA.
A Baidu não está sozinha em seus esforços. O Alibaba Group, por exemplo, vem ampliando seu investimento em IA, com a família de modelos Qwen sendo amplamente reconhecida dentro da comunidade de desenvolvedores como uma das principais linhas de modelos open source do mercado. Paralelamente, startups chinesas de IA também correm para ganhar espaço e capitalizar o momento favorável.
Onda de IPOs
Hong Kong tem recebido uma leva de IPOs de empresas de IA e semicondutores recentemente. Em 2026, já estrearam na bolsa local companhias de modelos de linguagem como Zhipu AI e MiniMax, além de empresas de chips como a Biren Technology. Esse movimento reforça a percepção de que há apetite dos investidores por ativos ligados à nova onda de tecnologia.
Nesse contexto, analistas citados na reportagem avaliam que uma listagem bem-sucedida da Kunlunxin pode ajudar a recolocar a Baidu no patamar de “gigante de tecnologia” aos olhos do mercado, reforçando sua narrativa de transformação em uma empresa centrada em IA. A expectativa majoritária é de que a listagem em Hong Kong aconteça no terceiro trimestre de 2026.
Embora a Baidu ainda não tenha divulgado uma faixa indicativa de preço ou uma avaliação oficial, o Wall Street Journal cita estimativas da Morningstar que avaliam a Kunlunxin entre 400 bilhões e 500 bilhões de dólares de Hong Kong — algo entre US$ 51,04 bilhões e US$ 63,80 bilhões.
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