
A investigação interna do Banco Central concluiu que contratos firmados por um ex-chefe da área de Supervisão Bancária podem ter sido usados para disfarçar o pagamento de propina vinculada ao Banco Master. As informações são da Folha de S. Paulo.
Segundo relatório sigiloso obtido pelo jornal, os acordos somaram cerca de R$ 4 milhões e teriam sido estruturados sem lastro técnico compatível com os valores envolvidos.
O documento, finalizado em 4 de março, aponta que Belline Santana, que ocupou o cargo entre 2019 e 2026, firmou dois contratos com a Varajo Consultoria, empresa de Leonardo Palhares, identificado pela Polícia Federal como operador ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro.
Para os investigadores, os serviços descritos nos contratos não justificam a remuneração recebida, o que levanta suspeitas de simulação para ocultar repasses indevidos.
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Um dos contratos, também obtidos pelo jornal, previa a elaboração de um estudo sobre educação financeira. A sindicância descreve o material entregue como um compilado de conteúdos já existentes, sem produção autoral relevante e sem menção direta ao servidor. Técnicos do BC consideraram “pouco crível” que um trabalho com essas características justificasse pagamento milionário e apontaram que poderia ter sido produzido com baixo custo, inclusive com uso de inteligência artificial.
O segundo contrato previa a continuidade do projeto, com palestras e ações de engajamento. Em depoimento, Santana afirmou que atuou na estruturação da iniciativa, chamada “Jovens Potentes”, com criação de identidade visual, redes sociais e realização de um webinário.
A sindicância, no entanto, concluiu que as entregas foram limitadas e desconectadas do valor contratado, reforçando a hipótese de que o acordo serviu apenas para dar aparência formal a um pagamento irregular.
A comissão também destacou que o ex-chefe de supervisão não possuía experiência na área temática dos projetos contratados, considerada mais próxima da sociologia do que de sua formação. Para os investigadores, conforme relatos da Folha, a falta de aderência técnica e a fragilidade dos produtos entregues indicam uma “manobra artificiosa” para legitimar os repasses.
Outro ponto considerado relevante foi a estrutura da empresa contratante. Segundo o relatório, a Varajo Consultoria tinha capital social de R$ 10 mil e operava em um espaço de coworking em São Paulo, o que foi classificado como incompatível com contratos de alto valor. Palhares também é ligado a outras empresas sob investigação da Polícia Federal por suspeita de intermediar pagamentos do grupo Master a agentes públicos.
A sindicância aponta ainda conflito de interesses. À época dos contratos, Santana ocupava posição estratégica dentro do Banco Central, com acesso a informações sensíveis e poder decisório sobre instituições financeiras, incluindo o próprio Banco Master. O relatório observa que o servidor não consultou a Comissão de Ética da autarquia antes de firmar os acordos, apesar de já ter integrado o colegiado.
Em sua defesa, Santana afirmou que não adotou medidas para beneficiar o conglomerado e que encerrou a relação ao identificar possível vínculo entre Palhares e o banco supervisionado.
As conclusões levaram à recomendação de abertura de processo administrativo disciplinar na Controladoria-Geral da União (CGU). O Banco Central aponta indícios de enriquecimento ilícito, corrupção e improbidade administrativa. Paralelamente, a Polícia Federal conduz investigação sobre o caso, e o ex-servidor já foi alvo de medidas cautelares, incluindo afastamento de funções e monitoramento eletrônico.
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