
FRANKFURT, 30 Abr (Reuters) – O Banco Central Europeu deixou as taxas de juros inalteradas nesta quinta-feira conforme esperado, mas sinalizou suas preocupações crescentes com o aumento da inflação, reforçando as apostas de que elevará as taxas várias vezes este ano, com um primeiro movimento em junho.
A inflação anual saltou para 3% este mês, bem acima da meta de 2% do banco, e espera-se um aumento ainda maior, já que a guerra do Irã levou os preços do petróleo à máxima em quatro anos, tornando provável que o impacto da energia desencadeie uma espiral de inflação difícil de ser quebrada.
“Os riscos de alta para a inflação e os riscos de baixa para o crescimento se intensificaram”, disse o BCE em um comunicado. “Quanto mais a guerra continuar e quanto mais os preços da energia permanecerem altos, mais forte será o provável impacto sobre a inflação mais ampla e a economia.”
Os mercados financeiros agora preveem aumentos dos juros em junho e julho, seguidos por pelo menos mais um movimento no outono, com base na premissa de que o BCE estará interessado em acabar rapidamente com qualquer espiral de inflação, principalmente porque foi criticado por agir tardiamente em 2022.
Inflação nos EUA: núcleo do PCE sobe 0,3% em março, em linha com o esperado
Já o índice PCE cheio avançou 0,7% em março, também em linha com a estimativa dos economistas
Banco da Inglaterra mantém juros e avalia riscos da guerra do Irã para a inflação
Os nove membros do Comitê de Política Monetária votaram por 8 a 1 para manter a taxa básica de juros em 3,75%
“As expectativas de inflação de longo prazo permanecem bem ancoradas, embora as expectativas de inflação em horizontes mais curtos tenham subido significativamente”, acrescentou o banco. “O Conselho do BCE não está se comprometendo previamente com uma trajetória específica dos juros.”
Ainda assim, é provável que qualquer ciclo de aumento dos juros seja muito mais benigno do que em 2022, quando o BCE teve de elevar sua taxa básica em 450 pontos-base combinados em um período de um ano para deter o aumento descontrolado dos preços.
Atualmente, as pressões sobre os preços estão bem mais fracas, os efeitos de segunda ordem da inflação ainda não são visíveis, o mercado de trabalho está mais fraco, as taxas já estão mais altas e o crescimento econômico está próximo de estagnar.
De fato, a economia da zona do euro quase não cresceu no primeiro trimestre, mesmo antes de a guerra ter tido qualquer impacto significativo.
Enquanto isso, o núcleo da inflação, um componente fundamental examinado para avaliar a durabilidade do aumento dos preços, na verdade desacelerou de 2,3% para 2,2% em abril, o que sugere que os efeitos de segunda ordem não estão se consolidando de forma significativa.
Isso significa que o BCE deve agir com cuidado.
The post BCE mantém juros em possível última pausa antes de alta em junho appeared first on InfoMoney.
