O castelo construído pelo cantor José Rico, da dupla Milionário & José Rico, voltou a chamar a atenção após a Prefeitura de Limeira declarar de utilidade pública a área onde está localizada a estrutura principal do imóvel. As imagens do local revelam o estado atual da construção, que permanece abandonada há quase uma década e poderá se transformar em um museu ou centro cultural dedicado à música sertaneja.
Localizado às margens da Rodovia Anhanguera (SP-330), em Limeira, cidade da Região Metropolitana de Campinas (RMC), o castelo é uma das construções mais conhecidas do interior paulista. Com mais de 100 quartos, 12 torres e uma área total de 48 mil metros quadrados, o imóvel impressiona pela grandiosidade, mas também pelos sinais de deterioração provocados pela falta de manutenção.
As fotos mostram ambientes inacabados, vidros quebrados, pichações, mato alto e áreas que foram danificadas pela ação do tempo e por invasões registradas após a morte do cantor, em 2015. Em 2025 o programa Fantástico da Rede Globo entrou no local.









Castelo de José Rico pode ganhar nova função
A divulgação do decreto pela Prefeitura de Limeira reacendeu a discussão sobre o futuro do imóvel, que integra o espólio do artista e passou por diversas tentativas de leilão sem sucesso.
Segundo a Administração municipal, o objetivo é preservar a construção como patrimônio histórico e cultural, criando um espaço voltado à memória da música sertaneja. A proposta inclui a possibilidade de transformar o castelo em um museu ou polo turístico capaz de atrair visitantes de toda a região de Campinas e do estado de São Paulo.
O decreto não significa a desapropriação imediata do imóvel, mas permite a realização de estudos técnicos, jurídicos e financeiros para avaliar a viabilidade do projeto.

Sonho de José Rico nunca foi concluído
A construção do castelo começou em 1991 e consumiu mais de duas décadas de trabalho. José Rico considerava o imóvel a realização de um sonho de infância e acompanhou pessoalmente cada etapa da obra.
Segundo relatos da família, o sertanejo acreditava em uma profecia segundo a qual morreria quando a construção fosse finalizada. Por isso, o projeto passou por constantes ampliações e nunca chegou a ser oficialmente concluído.
Com a morte do cantor em março de 2015, aos 68 anos, a obra foi interrompida definitivamente.
Imóvel virou ponto de curiosidade na Anhanguera
Mesmo sem estar aberto à visitação, o castelo se transformou em uma atração conhecida por quem passa pela Rodovia Anhanguera. A arquitetura inspirada em castelos europeus e o tamanho da construção despertam a curiosidade de motoristas e turistas que trafegam pela região.
As imagens atuais revelam um contraste entre a imponência da estrutura e os efeitos do abandono acumulado ao longo dos últimos anos.

Caso o projeto da Prefeitura avance, o local poderá ganhar uma nova vida e se tornar um dos principais atrativos turísticos e culturais da Região Metropolitana de Campinas, preservando a memória de um dos maiores nomes da música sertaneja brasileira.
O que diz a Prefeitura?
Projeto prevê espaço cultural e turístico
Segundo a Prefeitura, a intenção é preservar o castelo como patrimônio histórico e criar um polo cultural ligado à história da música sertaneja. A Administração municipal informou que estuda parcerias com a iniciativa privada e busca de recursos estaduais e federais para viabilizar o projeto, sem utilização de verba pública municipal.
“A administração municipal buscará recursos estaduais, federais e da iniciativa privada para transformar o espaço em um polo de valorização da história cultural da música, especialmente a sertaneja”, informou a prefeitura, em nota.
A publicação do decreto da terça-feira, que declarou o local de utilidade pública para preservação histórica, não significa que o imóvel será desapropriado automaticamente.
A medida permite que a prefeitura realize estudos técnicos; faça avaliações financeiras e analise a viabilidade jurídica e econômica do projeto.
De acordo com o texto, a área prevista para eventual desapropriação corresponde a 10.249 metros quadrados, justamente onde está localizada a estrutura principal do castelo.
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Obra nunca foi concluída
Conhecido como “Castelo do José Rico”, o imóvel ficou marcado pela arquitetura inspirada em castelos europeus. José Rico, que fazia dupla com Milionário, iniciou a construção no início dos anos 1990 e sonhava transformar o local em um espaço para a família, além de instalar um estúdio musical na propriedade.
O cantor, porém, morreu sem ver a obra concluída, após 24 anos de construção. Atualmente, o espaço apresenta sinais de abandono, com mato alto; janelas quebradas e pichações nos muros.
“É um caso bem complicado. A parte do leilão encerrou, e não podemos fazer nada. O castelo foi realmente a leilão, mas não teve nenhuma oferta”, esclareceu Moysés Rico, um dos filhos do artista, em 2024 – Moyses é quem faz dupla com Milionário atualmente.
Imóvel já foi alvo de leilões e penhora
O castelo já vinha enfrentando disputas judiciais ligadas a dívidas trabalhistas deixadas pelo cantor. Em janeiro deste ano, a Justiça do Trabalho determinou a penhora do imóvel, avaliado em R$ 15,1 milhões.
A penhora é utilizada para bloquear bens de devedores para garantir o pagamento de dívidas. O bem ainda é do devedor, mas fica preso ao processo. Após a penhora, o imóvel pode ser leiloado ou repassado ao credor para quitação da pendência.
Antes disso, parte da propriedade chegou a ser colocada em leilão duas vezes:
- uma fração equivalente a 21% do imóvel;
- avaliada em R$ 3,2 milhões.
Também houve tentativa de venda da área completa em 2023, mas nenhum interessado apresentou proposta.
Ao determinar a penhora integral do castelo, o juiz Marcelo Luis de Souza Ferreira, da 2ª Vara do Trabalho de Americana, citou justamente a dificuldade de comercialização parcial do bem.
“Considerando que as penhoras que recaem sobre frações de bem imóveis não tem contribuído para a entrega da prestação jurisdicional, vez que é de conhecimento deste Juízo a dificuldade encontrada na concretização de transações judiciais que envolvam partes ideais de imóveis, determino, com o objetivo de se atribuir efetividade ao processo executório, a penhora total”, justificou.
Veja algumas fotos da construção abaixo:


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