Quem passa em frente à Catedral Metropolitana de Campinas, no Centro da cidade, encontra uma fachada imponente, com pintura clara e aspecto de recém-reformada. No entanto, ao observar as laterais do templo histórico, o cenário é bem diferente: há registros de pichações, janelas antigas desgastadas, pintura gasta e rachaduras nas paredes.
O contraste entre a parte frontal e as laterais da igreja evidencia a necessidade de manutenção mais ampla na estrutura, um dos principais cartões-postais da cidade.
Além das condições estruturais, o entorno lateral da Catedral também apresenta desafios. O espaço tem sido ocupado por pessoas em situação de rua, que utilizam a área para dormir ou se abrigar.
Imagens feitas no local mostram a diferença entre a fachada principal, que passou por intervenções nos últimos anos, e as laterais, onde os sinais de desgaste são visíveis.





Última reforma foi em 2016
A última grande reforma estrutural da Catedral foi realizada em 2016, há quase dez anos. Desde então, não há registro de uma intervenção completa que contemple todas as áreas do prédio histórico.
Segundo o pároco da Catedral Metropolitana de Campinas, padre Caio Augusto de Andrade, a restauração mais recente ocorreu em duas fases ao longo dos anos 2000 e foi concluída em 2016.
“A última grande reforma estrutural do prédio foi feita em 2016”, contou ao acidade on.

De acordo com ele, a obra previa também a continuidade do restauro nas laterais, mas o processo foi interrompido após a constatação de irregularidades na empresa responsável pelos serviços.
Ele afirma que foram identificados problemas com a prestadora e o contrato acabou sendo suspenso, o que impediu a continuidade das intervenções nas laterais da igreja.
Outro problema apontado foi a falta de autorizações necessárias de órgãos responsáveis pela preservação do patrimônio histórico.
Agora, antes de prosseguir com o restauro, é necessário regularizar a situação junto ao Condepacc (Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Campinas) e ao Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), porque a obra anterior não tinha os projetos aprovados nesses órgãos.
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Novo projeto de restauração
Atualmente, a igreja trabalha na elaboração de um novo projeto de restauração. Segundo o pároco, uma equipe de arquitetos e engenheiros foi contratada para fazer um diagnóstico completo da estrutura.
“Já temos um projeto elaborado e um diagnóstico profundo da Catedral. Fizemos um escaneamento completo do prédio, por dentro e por fora, para identificar todos os pontos que precisam de intervenção”, disse.
O estudo digitalizou toda a estrutura da igreja e permitiu identificar problemas que vão além da aparência externa.
Apesar do avanço técnico, o projeto ainda precisa passar por análise dos órgãos responsáveis pelo patrimônio histórico antes de qualquer obra de restauro.
Prioridades são segurança e parte elétrica
Antes de iniciar a restauração das laterais, a Catedral precisa resolver questões consideradas emergenciais, como a instalação de um sistema de combate a incêndio e a troca da rede elétrica.
Segundo o padre, o prédio atualmente não possui um sistema completo de prevenção contra incêndios.
“Desde 2018 a igreja foi notificada por não ter sistema de combate a incêndio. Temos apenas extintores e luzes de emergência”, afirmou.
A estimativa é que apenas essa obra custe cerca de R$ 10 milhões, devido à complexidade da instalação em um prédio histórico com estruturas tombadas.
Além disso, a rede elétrica também precisa ser substituída.
“O sistema elétrico da catedral, porque o sistema elétrico é obsoleto, é de 1950. Só para ter uma ideia, ainda há fios envoltos em pano. Então, nós temos que fazer toda essa troca”, explicou.

Falta de recursos é principal desafio
Outro obstáculo para o avanço das obras é a falta de recursos. Segundo o pároco, a manutenção da catedral já exige um alto custo mensal, com cerca de 15 funcionários responsáveis pela segurança, limpeza, secretaria e atividades religiosas.
“Os principais obstáculos são a falta de recursos. Nós sofremos muito com a falta de recursos até para manter o funcionamento da catedral. Só para ter uma ideia, temos 15 funcionários: dois seguranças, um bombeiro civil, três pessoas da limpeza, cinco na secretaria, dois padres, um organista e um maestro. Então, a catedral tem uma despesa muito grande”, afirmou.
Ele também destacou que a igreja precisou regularizar a documentação do imóvel para poder buscar recursos por meio de leis de incentivo e editais culturais.
“Nós conseguimos a matrícula há praticamente um ano, e a matrícula é essencial para acessar os recursos providos da lei, como a Lei Rouanet, como o potencial postulativo, também como temos”, disse.
Entorno e presença de pessoas em situação de rua
A presença de pessoas em situação de rua no entorno da Catedral também é apontada como um desafio no dia a dia do local. Segundo o pároco, a situação gera preocupação com segurança e exige a contratação de vigilância privada. Vale destacar que a questão é um desafio da região central – veja mais aqui.
O padre afirma que há muitas pessoas em situação de rua nas proximidades da igreja e que a insegurança é constante, o que levou a paróquia a manter seguranças particulares.
“Há muitos moradores em situação de rua em torno da catedral. A insegurança é muito grande, eu tenho que manter seguranças particulares contratados por nós”, disse.
Ele relata que, em algumas situações, pessoas entram na igreja causando transtornos ou até mesmo cometendo furtos.
“Às vezes acontece um imprevisto, uma pessoa invade o espaço sagrado gritando ou até mesmo pessoas que roubam celular dentro da igreja”, afirmou.
Segundo o pároco, mesmo com câmeras de monitoramento, não é possível impedir totalmente esse tipo de ocorrência.
“Por mais que a gente tenha câmera e consiga filmar quem é, não conseguimos inibir que isso aconteça em torno da catedral”, completou.
O que a Prefeitura diz
O acidade on Campinas procurou a Prefeitura de Campinas para saber quais ações estão sendo realizadas em relação à presença de pessoas em situação de rua no entorno da igreja e se há acompanhamento social na região.
Em nota, a Prefeitura de Campinas informou que a Secretaria de Desenvolvimento e Assistência Social realiza abordagens diárias a pessoas em situação de rua para oferecer serviços e incentivar a saída das ruas. Segundo a administração, em 2025 foram 16.641 abordagens, com 3.523 encaminhamentos a serviços municipais, estaduais e federais.
Ainda segundo a Prefeitura, o programa Recâmbio de Migrantes atendeu 285 pessoas que retornaram às cidades de origem no mesmo período. Já o Programa Recomeço, voltado à recuperação voluntária de dependentes químicos, atendeu 332 pessoas em situação de rua ao longo do ano.
Na área de segurança, a administração municipal informou que a Guarda Municipal registrou 15.157 ocorrências no Centro em 2025, com 187 prisões em flagrante e 134 capturas de foragidos da Justiça.
História da Catedral de Campinas
A história da Catedral Metropolitana acompanha o próprio desenvolvimento de Campinas. A origem da paróquia remonta a 1774, quando foi celebrada a primeira missa na então Freguesia de Nossa Senhora da Conceição das Campinas de Mato Grosso.
Inicialmente, a comunidade utilizava uma pequena capela de sapé. Em 1781, a paróquia passou a funcionar na chamada Matriz Velha. Posteriormente, as atividades foram transferidas para a igreja do Rosário até a conclusão da nova matriz.
O atual prédio da Catedral Metropolitana foi inaugurado em 8 de dezembro de 1883 e desde então se tornou um dos principais símbolos religiosos e históricos da cidade.
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