
Carnaval e futebol sempre caminharam lado a lado como expressões máximas da cultura popular brasileira. Em 2026, essa combinação também se transformou no eixo central da estratégia de marketing do iFood, que decidiu assumir de vez um posicionamento baseado na brasilidade como ativo de marca.
A empresa de delivery, fundada no Brasil, quer deixar claro algo que, segundo pesquisas internas, ainda não é de conhecimento geral do público: trata se de uma companhia genuinamente brasileira. O reforço dessa identidade passou a ser prioridade no departamento comandado por Ana Gabriela Lopes, chefe de marketing, que resume a nova fase em duas palavras chave: brasilidade e inovação.
Carnaval como vitrine cultural
No Carnaval de Salvador, onde o InfoMoney acompanhou de perto uma das ativações a convite da empresa, a estratégia ganhou forma no céu. Um show de drones iluminou a capital baiana com mensagens que exaltavam a origem nacional da companhia. Entre as imagens projetadas estavam a frase “iFood é do Brasil” e o rosto do mascote Canarinho Pistola, acompanhado da expressão “bora pro hexa”.
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A escolha não foi aleatória. O Carnaval é talvez a maior manifestação de brasilidade do país, especialmente em Salvador, onde trio elétrico, música e multidão criam uma atmosfera única. Ao levar sua marca para esse ambiente, o iFood conversa diretamente com o consumidor, mas também com seus entregadores, parte essencial do ecossistema da empresa e presença constante nas ruas durante a folia. A marca também esteve nos sambódromos do Anhembi, em São Paulo, e da Sapucaí, no Rio de Janeiro.
Já o Canarinho, grande mascote da Seleção Brasileira caiu no gosto da companhia e deve se tornar figura central nas ações ao longo do ano. Já apareceu no trio elétrico de Léo Santana, artista também patrocinado pela marca, e marcou presença no tradicional Camarote 2222, outro espaço apoiado pelo iFood.
A ideia é transformar o mascote em um símbolo recorrente da comunicação, conectando futebol, festa e identidade nacional. Ele deve ser figurinha constante nas ações da empresa durante o Mundial.
Futebol como plataforma permanente
Se o Carnaval é o pico da celebração cultural, o futebol é a paixão que atravessa o ano inteiro. Recentemente, o iFood anunciou acordo com a Confederação Brasileira de Futebol para patrocinar as seleções masculina, feminina e as categorias de base do Brasil. Em 2026, por causa da Copa do Mundo masculina, o foco da comunicação estará voltado para os homens. No ano seguinte, a prioridade será a equipe feminina.
A empresa já vinha flertando com o universo do futebol. Esteve presente nas transmissões da CazéTV durante a Copa do Mundo de 2022 e repetiu a parceria no Mundial feminino de 2023. Naquele momento, a iniciativa foi tratada internamente muito mais como um movimento de inovação e aproximação com novos formatos de mídia do que como uma aposta direta no esporte. O mesmo raciocínio valeu para a entrada na Kings League, liga que mistura futebol e entretenimento.
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Agora, o cenário é diferente. Como patrocinador oficial da CBF, o iFood passa a ter acesso mais amplo aos ativos da entidade e da seleção brasileira. Na Copa anterior, a empresa enfrentou limitações impostas pela rígida cartilha de marketing do Mundial, que restringe o uso de marcas e símbolos da competição.
Com o novo contrato, a expectativa é explorar de forma mais consistente elementos como o Canarinho e o imaginário em torno do hexa, sempre dentro das regras, ainda que com alguns limites impostos pela Fifa para separar seus patrocinadores e os patrocinadores de cada seleção.
Brasilidade como posicionamento estratégico
Executivos do iFood garantem que a decisão de se apropriar da brasilidade não é uma reação à entrada da Keeta, empresa chinesa que tenta ganhar espaço no mercado brasileiro de delivery. Segundo eles, trata se de um movimento coerente com a história da companhia e com a percepção de que, em um setor cada vez mais competitivo, identidade e conexão emocional fazem diferença.
Ao unir Carnaval e futebol, o iFood tenta ocupar um território simbólico que poucos conseguem disputar. São dois pilares que sintetizam o que o Brasil tem de mais reconhecível no mundo. Ao projetar o Canarinho no céu de Salvador e ao estampar o “Bora pro Hexa” em suas campanhas, a empresa não apenas vende entregas. Vende pertencimento.
Em um mercado marcado por tecnologia, logística e guerra de preços, a aposta está na construção de marca. E, nesse jogo, vestir a camisa verde e amarela e dançar ao som do trio elétrico pode ser tão estratégico quanto qualquer inovação de produto.
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