Ana Seguro, São Paulo (SP)
Os sistemas indicadores de troca de marcha auxiliam os motoristas sugerindo os momentos ideais para a mudança das marchas visando prioritariamente uma condução econômica, daí a preferência por manter o motor em regimes de baixas rotações. Este sistema, inclusive, foi disseminado nos carros manuais incentivado por legislações que garantiam incentivos fiscais em caso de aumento da eficiência dos automóveis, como o antigo Inovar-Auto.
A calibragem desses sistemas é feita pelas engenharias das fabricantes durante o desenvolvimento do mapa de injeção do motor. Os técnicos buscam o ponto de equilíbrio onde o propulsor entrega o torque necessário para manter a velocidade com a menor abertura de borboleta. Por isso, é comum que as setas no painel surjam em rotações muito baixas, muitas vezes logo acima das 1.500 rpm.
Aceitar as sugestões do carro é seguro e confiável para a saúde mecânica, desde que o veículo esteja em plano ou descida. O motor opera em regimes de carga que otimizam a queima de combustível sem causar o fenômeno da pré-detonação ou esforço excessivo dos mancais. Seguir o indicador ajuda a reduzir as emissões de poluentes e o gasto financeiro no posto.
Entretanto, o sistema não possui olhos para interpretar o cenário adiante, como uma subida íngreme ou uma necessidade de ultrapassagem. O motorista deve manter a autonomia de decidir se o carro precisa de mais força, mantendo a marcha atual para ganhar fôlego. Em situações de carga total, ignorar o indicador e buscar rotações mais altas evita que o motor “apanhe” e perca rendimento.
Então, se você acha que ainda não é o momento certo de trocar, pois a situação demanda mais força do carro, não existe problema nenhum em manter a marcha atual. A tecnologia serve como um guia para uma condução econômica, mas a interpretação do trânsito e do relevo permanece sendo uma tarefa humana.
